domingo, 18 de fevereiro de 2018

Jerônimo, o Herói do Sertão e a Intervenção Federal no Rio de Janeiro


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Wesley Maretti

Assistimos ao final de uma temporada da série policialesca que apresenta o dia-a-dia da Cidade Maravilhosa, o Rio de Janeiro, a próxima temporada promete3 ser eletrizante.  Como o centro cultural brasileiro, o maior polo turístico nacional, o maior produtor de petróleo brasileiro e o estado com a segunda maior economia do país conseguiu construir uma sociedade tão desigual, corrupta, desordenada, fragilizada e com l falência total em todas as áreas do poder público estadual?

As respostas para esse caos societário são muitas e focando diversos campos da atividade social, mas vamos nos concentrar em algumas. A imagem do carioca sempre foi a do malandro que teve sucesso na vida sem trabalhar e vivendo intensamente com muitas mulheres, dinheiro e prestígio social. O bom malandro sempre foi cantado e decantado nos sambas cariocas, nas peças teatrais enfim, era o contrário do paulista que trabalhava e tinha uma vida de correria. Até a produção Disney curvou-se ao jeito de ser carioca e criou o personagem Zé Carioca, sempre envolvido em artimanhas e golpes ligados ao modo malandro de viver. O personagem deixou as bancas de revista por ser socialmente incorreto nos dias atuais.

Essa convivência com o heterodoxo e com uma vida ligada ao prazer deu margem ao uso desenfreado de drogas e ao convívio com a vida marginal. Inicialmente, o bom malandro bebia, fumava cigarro, posteriormente passou a consumir maconha, crack e cocaína. O efeito das drogas lícitas e ilícitas foi se potencializando e com elas foram se exacerbando a violência e a criminalidade.

A topografia do Rio de Janeiro propicia a convivência, em espaços físicos próximos, entre os mais ricos e os mais pobres. O luxo e a miséria são vistos sem grande dificuldade pela população. Acrescenta-se a isso que, na atualidade, são os desdentados, os desnutridos, os jovens com baixo nível de educação formal, que moram nos morros, quem fornece à população do asfalto o prazer proporcionado pelas drogas. O tráfico não é somente uma atividade criminosa, é um grande fator de distribuição de renda.

Também, em razão da topografia e das lutas entre as facções do crime desorganizado, o dinheiro das drogas, na sua maior parte, é consumido nos morros. Em razão dessa particularidade, além do poder de intimidação que têm os criminosos, está a passividade que a população das favelas aceita os traficantes. São com os recursos advindos da atividade criminosa que a economia dessas comunidades tem vida própria em razão dos e do consumo de bens serem realizados nas próprias comunidades em que vivem.

Esse modo peculiar do viver no Rio de Janeiro refletiu-se na política. Na eleição municipal de 1988, o Macaco Tião, que habitava o zoológico, foi o terceiro colocado na eleição para prefeito. Posteriormente, a população do Rio de Janeiro elegeu Brizola para governador. Qual seria a ligação do caudilho gaúcho com a Cidade Maravilhosa? Nesta linha de comportamento político foram eleitos para o cargo de governador figuras destacadas da política nacional pelos seus traços de probidade, honestidade e compromisso com a causa pública como Garotinho, sua esposa Rosinha, Sergio Cabral  e o atual governador Pezão.

Não foram os marcianos que elegeram essas personalidades caricatas e muito mais próximas do Comando Vermelho que de organizações partidárias. É oportuno destacar que o primeiro acordo com traficantes do Rio de Janeiro teria sido feito pelo caudilho gaúcho que limitou as incursões policiais nos morros do Rio de Janeiro. Também é inquestionável o assalto aos cofres públicos clarificado pela Operação Lava Jato.

Acresce a esse quadro tenebroso na esfera cultural e política a corrupção endêmica dos órgãos policiais e penitenciários do Rio de Janeiro. Baixos salários aliados a uma cultura permissiva com os ilícitos e uma influência predominante da política partidária em decisões técnicas policiais levaram ao caos a segurança pública. O resultado é o que o país e o mundo assistem nos noticiários televisivos.

No final, o Rio de Janeiro, terra do bom malandro, colhe o que plantou ao longo de sua vida social e política. A mudança do quadro aterrador dos dias atuais não é somente uma questão de segurança pública é muito mais uma reformulação social e cultural e uma mudança radical nas práticas políticas.

Porém, o poder público brasileiro acredita nas soluções fáceis e imediatas e chamaram novamente, o Exército Brasileiro, tão criticado por sua atuação durante os governos militares, para reviver, JERÔNIMO, o herói do sertão, famoso personagem das radionovelas da Rádio Nacional, da década de 60 do século passado.

Que o Senhor dos Exércitos esteja com Jerônimo, seu cavalo Príncipe, o companheiro Moleque Saci e a sua musa Aninha, eles vão precisar de Sua proteção. 

SELVA!!!!!


Wesley Maretti é Coronel na reserva do EB.

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