terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

O Rio de Janeiro é só a ponta do Iceberg na Segurança Pública


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Marco Antônio Barbosa 

Assim como já era anunciado há décadas por especialistas e abafada por políticos, a crise na segurança pública transbordou para todo o estado do Rio de Janeiro. Mas esse ‘vazamento’ não começou ontem e não será resolvido amanhã, como os marqueteiros mais uma vez tentam parecer possível. O problema é cada dia mais grave e é preciso lembrar: o retrato que os brasileiros de outras regiões assistem atônitos se desenha na mesma forma em todo o país.


O exército pode servir como paliativo, mas não irá solucionar a questão carioca ou brasileira. O problema vem na base. Gestão bem feita dos investimentos e o primordial: educação de qualidade para todos.

Segundo o último Anuário Brasileiro de Segurança Pública, foram gastos R$ 81 bilhões em segurança pública. Dados do planalto mostram que somente pelo governo federal o valor investido quintuplicou nos últimos dois anos. Apesar disso, problemas como falta de viaturas, policiais mal treinados e sem remuneração adequada, além de sistemas sucateados de integração entre as polícias, continuam por aí. Para onde então está indo esta verba? Não se sabe.

Na educação, o mesmo problema. O alto valor em relação ao PIB – 4,9% segundo o último estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) - é investido de forma desigual, sendo que os ensinos fundamental e médio, base da educação, recebem um valor três vezes menor do que o universitário. Esse dado coloca o Brasil entre os piores no desempenho do Pisa, um dos principais exames indicadores de qualidade de ensino do mundo, aplicado pela OCDE.

A fórmula do fracasso está pronta se unirmos estes desastrosos cases. Sem educação de qualidade a população não possui alternativa de crescimento financeiro e o crime organizado se torna a única opção. Esse - sem ser combatido por políticas públicas eficazes – evolui vertiginosamente.  O resultado final é a crise no Rio de Janeiro.

Mas até chegar a esta falência total do estado, o caminho é longo e seus sintomas são evidentes. A greve das polícias no Rio Grande do Norte é um exemplo, assim como o aumento da criminalidade no Rio Grande do Sul e as diversas rebeliões do começo do ano passado em Manaus. É como se fossem rachaduras de um edifício antes da queda. Quando são tapadas de forma superficial, não solucionam nada. Pelo contrário, só escondem o problema até o desmoronamento.

Chegamos então aos fatos. Primeiro: não existe segredo ou milagre que resolva a questão da segurança no país de uma noite para outra. Segundo: o problema não será só no Rio de Janeiro se nada for feito.

Se políticas de longo prazo não forem executadas, qualquer intervenção federal será apenas para abafar a opinião pública e empurrar a sujeira para debaixo do tapete. Somente uma ação integrada entre governos federal, estadual e municipal poderá realmente surtir efeito.

E como a população pode ajudar? Está é a parte mais fácil e a primeira do quebra-cabeça. É preciso digitar de forma consciente os números na urna eletrônica.

Marco Antônio Barbosa é especialista em segurança e diretor da CAME do Brasil. Possui mestrado em administração de empresas, MBA em finanças e diversas pós-graduações nas áreas de marketing e negócios.

Um comentário:

jomabastos disse...

Com esta intervenção militar para assegurar a segurança pública, a mesma operação de cosmética que foi elaborada para o Rio durante a Copa e para os Jogos Olímpicos está a ser executado neste preciso momento. Os grandes bandidos traficantes vão tornar a derramar-se pelo Brasil e formar novos gangues nas principais cidades do país e nas cidades fronteiriças com a Bolívia, com a Colômbia e com o Paraguay. No sul do país será o caso de Curitiba e de Porto Alegre, pois o grande tráfico de droga vindo da Bolívia através das fronteiras do Paraguay com o Mato Grosso do Sul e com o Paraná, concentra-se para "exportação" interna e externa, na zona sudoeste e sul do Brasil. O Paraguay que tem uma baixa taxa de homicídio e violência em Assunção e praticamente em todo o seu interior, que se prepare para aumentar ainda mais a já existente alta taxa de homicídio e violência em suas cidades e cidadelas localizadas nas fronteiras com o Brasil, em consequência da forte guerra entre gangues pelo controle do poderoso e imoral tráfico de estupefacientes vivente nestas zonas fronteiriças. Mas também não podemos esquecer do índice de criminalidade que irá aumentar cada vez mais no nordeste brasileiro, casos de Fortaleza, Natal, Maceió, Salvador da Bahia e Porto Seguro.