quarta-feira, 28 de março de 2018

31 de Março: Respeitem essa data!



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Aileda de Mattos Oliveira

O dia 31 de Março de 1964 está vinculado ao modelar comportamento de uma sociedade atuante que, nas ruas, exigiu mudanças na condução política do País não podendo, assim, ser esquecido nem pelos remanescentes dessa sociedade nem pelas seguintes gerações e, muito menos, pelas Instituições que protagonizaram as ações exigidas e fizeram prevalecer a ordem nacional.
Não pode ser esquecido por expressar os anseios de retorno aos tempos éticos e cívicos, apesar de numerosos elementos desgarrados desejarem destruí-lo pelos crimes de apagamento histórico e reiterada difusão da crença de sua não existência como efeméride no calendário das hostes militares vitoriosas.
E por que desejam destruí-lo os ativos militantes, seguidores dos velhos traidores da Nação? Porque consideram os acontecimentos temporais, concretos, não como fatos históricos protagonizados por verdadeiros agentes e heroicos defensores das leis constitucionais.
Desprezando a caminhada histórica da Nação, limitam-se a reduzir, ideologicamente, o indivíduo, a um “homem histórico”, voltado unicamente para as suas autorrealizações dentro da própria história. Seu vínculo não é com a Nação, mas com os interesses revolucionários que os animam.
Em suma: uma obediência cega a um objetivo obsessivo de excluir o homem das ações histórico-nacionais, a fim de que fiquem esquecidas as datas simbólicas, num planejado afastamento dos militares de seus arquétipos e impedir a população do conhecimento da saga dos formadores e protetores da Nação.
Visam, continuamente, com essa tática, remover o culto aos mantenedores das nossas tradições para que todos, submetidos à escravidão ideológica, tornem-se os provedores das próprias chibatas que os manterão no redil da ignorância.
Talvez, essa teoria do “homem histórico” tenha penetrado em campo, que pensávamos, invulnerável. A ausência de Ordens do Dia referentes a um fato de grande relevo para a sobrevivência da Nação, e cujas palavras anualmente esperadas deveriam ser de exaltada vibração cívica, não nos permite pensar diferentemente.
Um dia como esse não se basta com uma Ordem formal e morna, mero desencargo de consciência, uma fuga à concordância com o ato revivido, uma hesitante tomada de decisão.
Um sentimento surge de estranha orfandade, por percebermos que se esvaem as tradições militares, por força de ingerências externas. As Forças Armadas, ritualísticas por natureza, jamais deveriam ter posto essa data no plano secundário da liturgia militar.
São raríssimas as exceções de Ordens do Dia representativas da renovação dos valores que os Grandes Chefes de 64 deixaram inscritos na história do país, valores que deveriam ser a tônica dessas Ordens, principalmente quando o país está dominado por bandos que se nivelam, independentes de serem facções ou partidos políticos.
As Forças Armadas nunca haviam esquecido suas datas solenes, intrinsecamente carregadas de vibração que transmitiam aos civis delas participantes, a rememoração dos tempos idos, mas sempre pejadas de grande emoção.
A repetição de um ritual significa uma volta às origens do fato para reabastecimento moral na fonte das forças pioneiras, criadoras, dos Antigos Chefes, para que os Atuais possam se sentir, momentaneamente, participantes daquelas mesmas ações, que foram de importância fundamental para a renovação política do País e do seu desenvolvimento.
Não se deve interromper uma tradição nem modificá-la a pretexto de modernizá-la ou de agradar aos estranhos à área e que não admitem, não suportam e temem a fidelidade dos militares a seus antecessores.
O dia 31 de Março merece uma solenidade modelar, já que os participantes dela não estarão vivendo apenas um tempo histórico e, queiram ou não, viverão, também, um tempo mítico, renovável a cada ano, que o Professor romeno Mircea Eliade chama de “o eterno retorno”*. Neste tempo, já estão inscritos todos os grandes militares do passado remoto e do passado recente que contribuíram para fazer do Brasil uma grande Nação, mantê-lo intacto e deixá-lo para os seus sucessores continuarem o seu trabalho. Esperamos que não nos desapontem, que não nos decepcionem.
Aos cinquenta e quatro anos da Contrarrevolução, a parte sadia da sociedade deseja que a memória militar dedique mais ênfase a essa data ... se por acaso vier a lembrar-se dela.
*Eliade, Mircea. O Mito do Eterno Retorno.
Aileda de Mattos Oliveira é Dr.ª em Língua Portuguesa. Acadêmica Fundadora da ABD. Membro do CEBRES.

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