domingo, 4 de março de 2018

As Três Notícias


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por José Maurício de Barcellos

Honestamente não me alegra ter de voltar a falar acerca do assunto que vou desenvolver. Contudo, a coragem, a independência e a isenção que me imponho para permanecer na luta por um País melhor, delas não me afasto porque tirante uma parte da sociedade que adoeceu infectada pelos vírus da esquerda delinquente e do populismo venal, ainda confio na consciência do nosso povo, ou seja, do homem de bem.
Conquanto eu me mantenha sempre esperto em relação ao perigo que oferecem os sociólogos da impostura, os economistas da usurpação, os cientistas da má política ou os deformadores de opinião, com essa gente torpe não perco o sono porque o Brasil não é esta corja, e eles afinal vão se decompor nos aterros sanitários da história.
Importo-me, confio e falo para uma enorme parcela da população que realmente faz esta Nação. Confio na sua tenacidade, na sua lucidez e no seu patriotismo que não permitem que se renda, que se venda, que recue, que capitule ou que os maus lhe roubem a esperança.
Percebam, entretanto, como tudo hoje em dia conjura contra nossa paciência e nos indigna. Quem quer que acompanhe o desenrolar da vida nacional tomou conhecimento, nesta semana que finda, de três acontecimentos noticiados largamente pela imprensa.
O primeiro diz respeito à decisão do General Interventor no Rio de Janeiro que, antes mesmo de começar a intervir, disse que determinaria o retorno aos quartéis de todo e qualquer policial emprestado ou requisitado que estivesse fora da tropa e que não consentiria, doravante, novas cessões de pessoal.
O segundo nos surpreende por conta dos 23,2 bilhões lucrados pelos quatro maiores bancos do país (Itaú, Bradesco, Banco do Brasil e Santander) com tarifas de conta corrente em 2017, mesmo tendo ocorrido uma diminuição de 3% na base de clientes.
O terceiro não chega a surpreender. Só revolta e entristece porque recorrente quando revela em si o desclassificado bate boca entre dois Mandarins do Supremo Tribunal Federal que disputam o estrelato, procedimento que mais uma vez desmoraliza e deprava a instituição à qual pertencem, diante da sociedade.
Certamente que tudo aquilo indica um sinal dos tempos atuais e entre eles guardam estreita correlação. Olhando assim por alto e mal, poderia se achar que os tais fatos não denunciariam um ponto comum porque têm origens diversas. Mas não é assim.
Há sim um ponto comum porque estas situações das quais decorrem grandes mazelas de nossa sociedade, todas resultam da mais clara e absoluta falência moral e ética de nossas instituições públicas e privadas e do atual sistema político em que vivemos. Senão vejamos.
A decisão do General Braga Neto, de colocar fim, na área de segurança do Rio de Janeiro, a essa farra de requisição de funcionário no serviço público, apesar de tão lógica quanto correta e imprescindível, nunca foi e talvez jamais fosse ao menos cogitada por qualquer político que tenha governado nosso Estado nos últimos 30 anos ou que venha governá-lo, enquanto essa gente desprezível dominar a República. Quando um ordinário desses chega a se eleger como governador de um Estado qualquer da Federação, desde as prévias realizadas nas associações de celerados, nominadas de partidos políticos, que o escolhem como candidato, este já se vendeu tanto, já nos traiu de tal forma e se comprometeu de todas as maneiras com os poderosos, que nem ousará pensar em por fim às odiosas sinecuras como aquelas conhecidas como “os funcionários postos a disposição de alguém ou de algum órgão”. A patifaria é antiga e abriga um contingente enorme de servidores públicos fantasmas. Isto parece que, neste caso, vai acabar. Bastou trocar um político por um homem honrado e de imediato a coisa parece que vai acontecer.
Quanto ao segundo acontecimento, que expõe as entranhas da exploração da banca e das malditas sanguessugas do suor de nossa gente, o mesmo ocorre por conta também deste nosso sistema falido e corrompido que, de maneira alguma, elegerá um cidadão com a independência, a força e a coragem de um General Interventor para dar um murro na mesa desses banqueiros calhordas, para pôr um fim nesta perversa situação que vitima o brasileiro mais até que os sanguinários do tráfico, porque mantem o trabalhador cativo da indigência e da falta de oportunidade.
No que concerne ao terceiro acontecimento, isto é, quanto a bati barba dos Senhores Ministros da Suprema Corte – todos ilegítimos, sem exceção, na medida em que foram nomeados por políticos eleitos mediante a prática dos crimes mais abjetos contra a coisa pública – acho que o nível de degradação daquela gente chegou ao ponto de mutuamente se acusarem de incultos, de falaciosos, de facciosos, de venais e desiquilibrados que, aos olhos do homem comum, a instituição poderia ser fechada, salgando-se suas instalações e seus entornos para que outra realmente séria, independente e que valesse cada centavo do muito que custa dos cofres públicos, então pudesse ressurgir para voltar a ter o orgulho e o respeito desta Nação.
A meu sentir a solução comum a todas as situações antes mencionadas decorre de um mesmo diagnóstico e clama por uma ação que na essência exija que o Brasil se livre dessa desprezível classe política. Se não for desta forma vamos continuar amargando nossa desgraça.
Ainda nestes dias que se foram, me foi enviada por um velho companheiro uma nota simples e direta que recebi como um vaticínio, que mais ou menos assim dizia: “se a conjuntura se desdobrar em 2018 para manter a situação atual de sufoco e injustiça sem banir a podridão da política, os que hoje não aplaudem e detratam as Forças Armadas – única instituição em que a população confia – verão o retorno dos militares gritado pelo povo nas ruas.”
Jose Mauricio de Barcellos ex Consultor Jurídico da CPRM-MME é advogado. Email.:bppconsultores@uol.com.br).

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