quarta-feira, 28 de março de 2018

Brizola e Lula



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Renato Sant’Ana

Foi Leonel Brizola quem disse que, para subir, Lula não hesitaria em pisar no pescoço da própria mãe. Isso depois de conviverem percorrendo juntos o Brasil na campanha de 1998. Era a terceira vez que Lula se candidatava à presidência da República. E, para vitaminar a chapa, convidou o líder trabalhista a ser seu candidato a vice.

Ao aceitar, Brizola foi coerente e, para alguns analistas, também humilde. Coerente com o que sempre pregou, colocou o Brasil acima das ambições pessoais. Humilde, aceitou ser vice de alguém que não tinha um pingo do seu preparo. Porém, talvez o mais notável haja sido relevar as grosserias de Lula.

Ao regressar do exílio com o projeto de ser presidente, Brizola foi ao encontro dos sindicalistas do ABC, já liderados por Lula, de quem não ouviu, ao contrário do que esperava, nenhuma palavra de apoio, amizade ou incentivo. Lula não abriu a boca nem para lhe dar boas-vindas, ao passo que outros diretores surpreenderam Brizola ao repudiarem o legado de Getúlio Vargas: o controle estatal dos sindicatos (ranço fascista que o PT viria a adotar).

Aliás, como relata José Nêumanne Pinto, a hostilidade com que Brizola foi recepcionado por Lula em São Bernardo foi testemunhada por democratas que faziam oposição ao governo militar, como o então prefeito local, Tito Costa, homem ilustre e membro do velho MDB.

Os tempos mudaram. Agora vemos a bizarra caravana de Lula, que pretendeu, em São Borja, sitiar os túmulos de Brizola e Vargas. Só não esperava ser sofrenada por uma reação popular de motivação ética, sem qualquer conotação partidária. Sim, não ligando para ideologias, foi contra o autoritarismo e a corrupção do lulopetismo que os são-borjenses levantaram-se.

E o que fizeram os pedetistas? Que se saiba, nada. O que terão os pedetistas de hoje aprendido com Brizola (seu líder e fundador)? Cadê a enfática defesa do Brasil? Terá sido por coerência e humildade que o PDT se reduziu a puxadinho do PT? Note-se que, no passado recente, a reboque do lulopetismo, o PDT escorraçou alguns de seus melhores quadros.

É compreensível, pois, que a velha guarda do trabalhismo encare como um ultraje que Lula ande usando despudoradamente os nomes de Brizola e Vargas. E que também desconfie dos moços do PDT, que, deixando o PT pisar-lhes no pescoço, parecem nada conhecer da história nem dos fundamentos do trabalhismo. Será que ainda existem trabalhistas no PDT?

Renato Sant'Ana é Psicólogo e Bacharel em Direito.

2 comentários:

Anônimo disse...

Eu aposto com qualquer um que, quando o Lula for preso, logo ficará "dodói" e pedirá para ficar em casa com a babá, Rose. Ô povinho doente, sô! Os corruptos tem uma "alergia" braba quando vão presos. mas quando estavam na farra do dinheiro de todos nós, era uma saúde de ferro.

Léo Gonsaga Medeiros disse...

Augusto de Franco
2 h ·

"DISCIPLINA MST". DISCIPLINA?

Outro 'mecanismo' que José Padilha não viu

Apareceu anteontem (27/03/2018), no Paraná, uma milícia fazendo a segurança de Lula composta por pessoas uniformizadas com camisetas com os dizeres "Disciplina MST". O assunto passou meio despercebido, mas o fato é gravíssimo. Não porque pessoas do (falso) movimento social chamado MST não possam proteger fisicamente Lula dos ataques de adversários (com ovos ou outros objetos). Temos de prestar atenção no que está escrito: não segurança ou organização (como é comum em eventos ou em casas de show) e sim disciplina. Para os que investigam isomorfismos em padrões autocráticos, é um achado. Disciplina vai muito além. Disciplina para quê? O termo pressupõe a existência de um corpo separado de combatentes que deve seguir estratégias e táticas já traçadas. Evoca uma ordem determinada antes da interação (não uma ordem emergente, que seria própria de verdadeiros movimentos sociais) e invoca as noções cognatas de obediência, comando-e-controle e fidelidade impostas top down. Revela, assim, a existência de uma organização hierárquica e autocrática, que atua, segundo declarou o próprio Lula, como uma espécie de "exército". Está na cara que é uma milícia (e enseja a percepção de isomorfismos com outras milícias, como os colectivos bolivarianos La Piedrita e Tupamaros na Venezuela e com a própria SA - Sturmabteilungen, os camisas pardas - nos seus primórdios na Alemanha nazista). Ademais, o nome sugere que se trata de uma força disciplinadora (uma espécie de polícia interna) dos próprios militantes do "movimento". Também passou meio despercebido o fato de que o único evento público que Lula conseguiu fazer na sua campanha eleitoral disfarçada de "caravana" pelo Sul do país sem ter sido alvo de protestos ocorreu em Quedas do Iguaçu. Estive na região há uns dois anos, onde meus passos foram vigiados por agentes da organização política clandestina que dirige de fato o MST (talvez em razão do meu passado - alguns me conheciam - eles não tiveram coragem de me confrontar, mas deram a entender claramente que eu não era bem-vindo). Quedas do Iguaçu (ou pelo menos parte da sua zona rural) é mais ou menos assim como aqueles territórios liberados pela guerrilha. O MST tem controle total do interior do município (e sua presença como Estado paralelo é ainda maior do que a do narcotráfico nas favelas cariocas). Tudo isso vem sendo articulado e implantado há anos (mais de duas décadas) e os poderes constituídos (para não falar dos partidos de "oposição" ao PT) nunca acenderam o alerta vermelho (e nem mesmo o amarelo). Esse é outro 'mecanismo' que o José Padilha não viu...