sábado, 24 de março de 2018

Certeza Líquida


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net]
Por Renato Sant’Ana

Ninguém sabe quem matou Marielle Franco. E ninguém conhece os motivos do crime. Nenhuma informação há para esclarecer um desses dois pontos. Como pode, então, haver tantas opiniões definitivas sobre o fato?
É assombroso ver que vai ficando sedimentada a falsa ideia de que Marielle Franco morreu por "ser negra, mulher, pobre e defensora dos direitos humanos". Quem pode saber?

Sendo desconhecido o agente do crime, que nem anonimamente deixou informado o motivo de sua brutalidade, tudo mais que se diga a respeito é especulação arbitrária ou, em muitos casos, uma mentira deslavada.

Estão tentando usar a boa-fé do brasileiro. E procurando enfiar-lhe na cabeça uma porção de crenças obscuras. Há um "sistema de propagação ideológica" usando a situação de um crime com morte para (a) mobilizar a emoção da massa; (b) emocionando (suscitando pena, indignação e solidariedade), neutralizar as defesas, isto é, desativar o potencial crítico das pessoas; (c) provocando o máximo de emoção pelo bombardeio de "informações direcionadas", tornar o público pronto para assimilar o conteúdo ideológico; (d) capturando o coração e a mente das pessoas, convencê-las de que devem, já que são boas, engrossar a massa que vai odiar os inimigos imaginários de Marielle.

O ativismo tem inúmeros tentáculos: desde "professores progressistas" em sala de aula, passando pela agressiva "guerrilha virtual" da internet, até o trabalho descarado de incontáveis jornalistas.

Basta um esquerdista brasileiro abrir uma faixa de protesto em Buenos Aires, Paris, Londres, Nova Iorque, em qualquer canto do mundo, para o Jornal Nacional trombetear: "Repercussão internacional!". Toda hora, nalgum meio de comunicação, alguém aproveita a imagem de Marielle para instilar sem contraponto a sua ideologia. E o "politicamente correto" está aí para ridicularizar quem levanta a voz para se opor às manipulações. Ao crítico, tratam-no como se estivesse atacando Marielle Franco, quando apenas está apontando o uso inescrupuloso de sua morte.

Certo é que muita gente, com impetuosa emoção e sem refletir, já pegou o pacote das crenças e carregou debaixo do braço, acreditando que Marielle Franco foi perseguida por "ser negra, mulher, pobre e defensora dos direitos humanos”, embora ninguém saiba quem matou nem por quê.

Renato SantAna é Psicólogo e Bacharel em Direito.

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