terça-feira, 27 de março de 2018

Circo de Pulgas



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por H. James Kutscka 

Uma década, -   em termos de tempo – não é nada, quando a humanidade acaba de viver durante seis longos anos, as agruras   de um conflito mundial.

Eu tinha então oito anos, quando   ouvia da minha avó, histórias trazidas por imigrantes dos países europeus mais atingidos pela tragédia, de pessoas, que para sobreviver montavam um circo de pulgas.
Apesar da escassez de meio circulante alguns seres humanos ainda pareciam se dispor a gastar uns centavos, para ver através de uma lupa, o que lhes parecia impossível, senão centavos, um naco de pão duro, também servia como pagamento. Os empregados (Pulgas), do micro- empresário circense, não lhe custavam mais   do que uma gota de seu sangue extraída com a picada, quase indolor, de uma agulha na ponta de seu dedo.

Por muito tempo pensei que o circo de pulgas fosse uma fantasia, até, já com mais de vinte anos, ver um homem administrando um, em uma rua do Flea Market em Londres.

Paguei alguns “pences” para ver, e vi, algumas pulgas anestesiadas   em um micro picadeiro, andando para lá e para cá andando em fios de cabelo e puxando micro carrinhos, algo que ampliado pela lente, se assemelhava um pouco, às imagens de um filme de Fritz Lang.

Hoje, mais de sessenta anos depois de ouvir a primeira história sobre esse tipo de artifício para sobreviver, me deparo com um fenômeno ainda mais impressionante.

O circo dos abutres.

Coincidentemente após o maior assalto a um estado na história da humanidade, perpetrado em nosso país com a tutoria do partido político no poder, surge “o circo dos abutres”

À diferença do das pulgas que serviam para alimentar uma vítima da tragédia, os abutres se destinam a salvar os progenitores da mesma em detrimento ao povo espoliado.

Esse circo pode ser visto pela televisão, é conhecido pelo nome fantasia de STF.

Os abutres imponentes se reúnem e com discursos ininteligíveis, até para eles mesmos, e tentam explicar o inexplicável, para uma grande maioria que não entende estar sendo enganada, mesmerizada pelo palavrório “juridiquês”.

Diferente das pulgas esses atores não se contentam com uma gota de sangue, são pagos regiamente com milhares de litros, para proteger seus donos, que para sustentá-los assaltaram, os cofres   da nação, alimentando-os assim   com o sangue de centenas de milhares de mortos nas filas de hospitais por falta de recursos e vítimas da violência urbana e rural.

O circo de pulgas deve seguir existindo nos rincões mais pobres desse planeta.

Quanto ao dos abutres, sinto estar com seus dias contados, assim como de seus vários donos.

O primeiro, passou a existir para garantir a sobrevivência de quem tudo havia perdido, já o segundo trata de garantir a sobrevivência e a liberdade daqueles que tudo roubaram de nosso povo, incluindo-se aí, a esperança.

Ouso então acreditar que, como nas histórias “do tempo em que os bichos falavam, que eu ouvia da minha avó”, aproxima-se o clímax final. Dona “Onça” vai brevemente acabar com os abutres e seus mestres, que durante os últimos trinta anos enganaram o povo com seu espetáculo de “Gran Guiñol”, e colocar enfim ordem na Selva.

H. James Kutscka é Escritor e Publicitário.

Um comentário:

Anônimo disse...

E desde quando os filhos estavam procurando emprego? E a aposentadoria de metalúrgico, a de ex-presidente e bolsa presidiário, não dão para pagar as despesas? É só vender as fazendas.