sexta-feira, 9 de março de 2018

Flagelo Político e Horror Econômico



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Henrique Abrão e Laércio Laurelli

A nossa democracia nunca foi autêntica ou uma realidade criptante, mas sim surreal tonificada por classes política e econômica que mandam e desmandam no destino do Brasil. Talvez esse perfil possa ser amanhã um ponto fora da curva, se a corrupção baixar aos níveis aceitáveis e fizermos as reformas esperadas, partidária e política e anestesiarmos os bilhões dos fundos, os quais sorvem os serviços públicos e fazem do mandato parlamentar um verdadeiro mercado persa.

Cogitamos de eleições no mês de outubro dentro de um cenário de nuvens escuras e carregadas,já que nosso flagelo político alimentado por favores de corporações privados,ambos causaram o chamado horror econômico. Pensamos pequeno apenas em vender e fabricar carros para o poluído mercado, cujo preço final é metade de impostos e boa parte de recall, além de imóveis cujos mutuários levam 30 anos para liquidar o financiamento, além das nossas famigeradas peladas esportivas,com jogos e comentários futebolísticos em tempo integral.

Com isso não formamos inteligências, culturas e mudanças de mentalidades. Sem pesquisa e educação nada conseguiremos e nosso povo atrasado somente viverá de migalhas, com doenças epidêmicas e endêmicas as quais, se não forem capazes de matar, terão pela frente a violência das ruas, com mais de 60 mil mortos por ano, uma guerra que perdura anos a fio, e sem a força do Estado e a regulaçâo do mercado não avançaremos continuando no voo de galinha.

As estruturas político-partidarias são um retrocesso. Os donos dos partidos livre e abertamente negociam e verificam quanto vão lucrar e os fundos públicos apenas alimentam a sanha insaciável daqueles que provocaram o mais grave momento de crise no Brasil. As empresas não apresentam investimentos e nossa indústria carcomida pela concorrência é incapaz de se levantar.

No Chile dias atrás foi assinado o Tratado Transpacífico que engole Brics e sucateia o Mercosul. Mais uma vez estamos fora, não participamos e por tais motivos nossos mercados são incipientes e nos acostumamos a viver de commodities cujos preços são ditados pelas grandes corporações estrangeiras. Um País continental que tinha tudo para dar certo somente apresenta transporte rodoviário, com imenso roubo de cargas, não há ferrovias e o grande número de estradas federais intransitáveis, mesmo assim pagamos IPVA, licenciamento e seguro obrigatório.

Muitos se questionam e nos perguntam: votar para que? Algo mudará de fato e de direito? Obteremos a cidadania e enterraremos a constituição cidadã uma bomba relógio que apenas nos consome juntamente com o Estado ineficiente. Efetivamente a sociedade vive um descrédito sem igual, todos não confiam e os preços inflacionados, além do custo de vida batendo ápice, sem que a tabela do imposto de renda seja corrigida.

Nos enquadramos no único País do planeta no qual um idoso com 80 anos é obrigado a declarar seu importo de renda, mesmo sobrevivendo de parcos recursos de benefícios previdenciários defasados. Fazem um enorme barulho com penduricalhos mas na iniciativa privada empresas que cometem falcatruas pagam bônus de milhões de dólares para corpo diretivo. Censurável, a nossa mídia não-independente que sobrevive com anúncios e dinheiro de bancos públicos e do próprio BNDES.

Alcançaremos a estrutura de um País de primeiro mundo? Estamos bem longe desse patamar, cujo parâmetro é medido pela cultura e educação. Nossa população carece de saúde, de alimentos, cuja cesta básica é tributada e sofremos com planejamento tributário. Os mais ricos caçoam dos mais pobres que acabam pagando a conta.

A receita de previdência teria que ser vinculada sem que o governo nela alterasse sua finalidade. O flagelo político se hospeda na desonestidade, na falta de caráter e na qualidade ruim de nosso representantes, os quais sequer passam por um teste de conhecimentos gerais e quando chegam no parlamento se limitam à feitura de projetos risíveis.

As câmaras municipais de modo semelhante trabalham pouco, realizam audiências públicas raramente e elaboram leis inconstitucionais declaradas
pelas cortes de justiça. E nossas cortes de fazer de contas deixam tudo passar e não fiscalizam as obras, custo e principalmente a duração.

Triste, sofrível mas uma realidade verdadeira,de um País jovem que envelheceu precocemente por uma doença: patologia da corrupção e
sem sombra de dúvida pela falta de visão, sinal maior da incompetência da classe política e de empresários que somente visam ao lucro a qualquer preço e fustigam o amanhã de gerações

Carlos Henrique Abrão (ativa) e Laércio Laurelli (aposentado) são Desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo.

Um comentário:

Anônimo disse...

Em primeiro lugar devo dizer, pra ser sincero, que não costumo fazer comentários nos textos dos autores Carlos Henrique Abrão e Laércio Laurelli, mas o texto de certa forma me incomodou, dizendo apenas a verdade (a minha verdade, que fique bem claro), disse em outros locais na internete, e vou dizer aqui também, "eu tenho vergonha de ser brasileiro", "todo mundo" fala dessa tal democracia, que nunca existiu, foi apenas o "meio pelo qual" os comunistas tomaram a posse do Estado, falar de progresso, leis e direitos, com comunistas e terroristas soltos por aí...
Os jornalistas (rádio, tv, jornais, revistas, blogs), deveriam dizer a verdade, mas trabalham para o inimigo, as igrejas, seitas em geral, querem dinheiro, por isso apoiam o inimigo, a igreja católica foi infiltrada pelos comunistas, a verdade, a religião pura, e outros valores se perderam...
Por fim as escolas contaminadas com idéias "sem pé, nem cabeça", as tais faculdades de nível superior (superior? fala sério), as quais deveriam se opor a toda essa sujeira, mas também, como os jornalistas e padres e pastores, trabalham para o inimigo...
O brasileiro procura no voto, "uma coisa" que não existe mais...



PS: Tenho falado mal de jornalistas, dessa classe em geral, com despreso e de tal forma estúpida, nesse blog, mas tenho que dizer, também, que nunca foi minha intenção ofender o jornalista Jorge Serrão, nem outros, como também falei grosso com, sobre, a igreja católica, pois metade dela não pode, dizer a verdade, pois é "censurada e calada" .