segunda-feira, 26 de março de 2018

O Redescobrimento de uma Nação


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net]
Por Lourenço N. Sanches

Certamente um pedaço de terra – independentemente de sua extensão, jamais poderá ser chamado de país, muito menos de nação. Quanto muito pode receber a alcunha de “possessão” ou, com benevolência – data vênia, até mesmo de “estado dependente”, mas jamais de uma nação.

A mais de meio século, acrescido ainda de duas décadas, nasci em um “torrão” que com orgulho chamava de “meu país”!

Aprendi a cultuar seus valores – aqueles de raiz dos quais minha geração herdou daquelas outras que contribuíram com esforço denodado à construção de uma nova nação.

Em tempos primeiros, diferentemente de outras nações como os EEUU, o Canadá, a Austrália, Nova Zelândia, apenas para citar algumas, meu país foi literalmente pilhado pelos seus “descobridores” – disfarçados de colonizadores, pois sim, seus interesses voltavam-se à obtenção de rico butim para, a seguir, retornarem aos seus países de origem – notadamente os situados na Península Ibérica.

Não foi assim?

Pois bem, o tempo – inexorável, transcorreu e episódios mais ou menos dignos somaram-se à história da construção de “meu país”.

À época de seus primórdios fomos dependentes – qual uma “possessão”, mas patriotas notáveis – destaque-se que naquela época existiam! – insurgiram-se contra seus dominantes e conquistaram a independência – pasmem, tendo como líder do episódio um súdito do país possessor!

Eram outros tempos, seguramente!

A ampulheta da eternidade fazia descer seu conteúdo e assim transcorria o tempo, e os episódios valorosos e patrióticos se sucediam para que o recém nato país – “Liberdade ou morte” – viesse a dar morada e assentar uma nova nação.

Partícipes das memoráveis lutas travadas em todos os cenários – especialmente os do meio político e jurídico, com apoio inconteste do povo (sim, pois a essa altura já éramos um povo) ensaiaram, cá e acolá, firmarem seus probos pensamentos (melhor dizendo: ideais) para que o país se convertesse em uma respeitável nação; tanto para seus cidadãos natos, para seus dignos imigrantes, como diante do conjunto internacional das nações pares – e foi assim que o Brasil, após duro parto, nascia como nação.

Períodos “extravagantes” pontilharam nossa história – como jovem nação, com destaque para o segundo período “getulista” onde – no entremeio da “Grande Guerra”, direitos de cidadãos foram grandemente desrespeitados, cometendo-se com iniquidade enormes injustiças; a testemunhar os imigrantes e descendentes de italianos, alemães e japoneses – especialmente. Afinal os interesses escusos à moral, porém de exclusivo alcance pecuniário falaram mais alto àquele governante de então: tínhamos que construir a Cia. Siderúrgica Nacional em Volta Redonda/RJ (erigida graças aos recursos norte-americanos doados à fundo perdido), e o então Chanceler Osvaldo Aranha foi figura de destaque nessa negociação.

Desastrosamente contemplou-se a tirania e os desmandos na nação que ainda não havia completado um século de sua existência.

Mas, sem embargo, saltemos alguns capítulos da história para os tempos atuais, aliás, período em que se intensificaram a conduta político administrativa destoante dos valores de raiz, antes mencionados (necessários ao surgimento de qualquer nação que se preze como tal) e tão esplêndidos que nos permitiram, de uma possessão –  posteriormente um país, transformarmo-lo em uma nação.

Presentemente nos encontramos diante de uma situação injustificável – senão pelos interesses mesquinhos e espúrios, de uma corja capitaneada por um indivíduo desclassificado que possui, a seu favor, unicamente a faculdade de vociferar aleivosas palavras de ordem à turba semianalfabeta (senão de fato, de espírito!), que se faz conduzir qual estrofe de canção “Vida de gado” do admirável artista Zé Ramalho: “Ê, ô, ô, vida de gado, povo marcado, ê! Povo feliz!”. Destaque-se, faculdade essa totalmente compromissada com propósitos personalíssimos, alheios ao bem comum, e ocultos.

Que diga o execrável “Foro de São Paulo”!

Nossa instituição guardiã da “Carta Magna” da nação – o “STF”, está sendo vilipendiada de forma rasteira (adjetivo próprio aos vermes), por grande parte de seus integrantes em benefício do acobertamento dos malfeitos do ex-governante, seus asseclas, apaniguados e de todos mais interessados em usufruir do imenso butim escandalosamente amealhado pelo “paciente”; o maior ladrão que o mundo tem notícia.

Vergonha absoluta e escárnio total!

De proba nação estamos retrocedendo, quanto muito, a um país – quiçá, pelo “andar da carruagem” em mera possessão – desta feita de uma organização criminosa para satisfação exclusiva de seus membros – todos criminosos.

“Ê, ô, ô, vida de gado, povo marcado, ê! Povo feliz!”

E a nação? E o povo?

Ora, ora, “o povo que se exploda”, parafraseando dito da personagem Justo Veríssimo do inigualável artista multidisciplinar Chico Anízio!

Brasileiros, estamos na undécima hora para agirmos em prol de nós próprios, de nossa nação e de todos os que irão nos suceder, mãos à obra, portanto, unamo-nos uníssonos contra a latente ameaça que nos ameaça o futuro.

Lourenço N. Sanches – Livre Pensador, Cronista e Articulista.

6 comentários:

Loumari disse...

Pela maldade do povo brasileiro, pela ingratidão deste mesmo povo, seria DIVINAMENTE LOUVÁVEL que o Lula voltasse a tomar posse desta nação para escovar bem o juízo deste povo que cujo coração está podre de maldade e de espírito perverso.
É isso, continuai a amaldiçoar os descobridor, os exploradores e conquistadores que foram os enviados de Deus para levar Deus e seu Cristo ao povo remoto e levar-lhes a Bíblia e civilização e o Latim.
Digam-nos: independentemente dos que falais mal e profanais a reputação, vós mesmos, o que conseguiram construir? O que vocês inventaram? Puros maricas que cujo país está a cair porque nem sequer têm a inteligência de varrer no seu próprio quintal.
Sois o povo que intelectualmente sois os mais atrasados do globo. Nem habilidades de aprender línguas estrangeiras não têm. Sois verdadeiramente ridículos mas vos julgais sábios e superiores aos demais. Montanha de vergonha vai pesar sobre os vossos rostos de gentes maldosas. Já vereis.

Loumari disse...

Para odiar não é preciso nada de especial. Basta não ter o mínimo de auto-estima e não ter ocupação, duas condições que levam a que os mais fracos se concentrem demasiado nos outros.
(Carla Quevedo)

Loumari disse...

O Ódio liga mais os Indivíduos que a Amizade

O ódio, a inveja e o desejo de vingança ligam muitas vezes mais dois indivíduos um ao outro do que o podem fazer o amor e a amizade. Pois está em causa a comunidade de interesses interiores ou exteriores e a alegria que se sente nessa comunidade - onde é muitas vezes determinada a essência das relações positivas entre os indivíduos: o amor e a amizade - é sempre relativa e não é em nenhum caso um estado de alma permanente; mas as relações negativas, essas são, a maior parte das vezes, absolutas e constantes. O ódio, a inveja e o desejo de vingança têm, poder-se-ia dizer, o sono mais ligeiro do que o amor. O menor sopro os desperta, enquanto que o amor e a amizade continuam tranquilamente a dormir, mesmo sob o trovão e os relâmpagos.

Arthur Schnitzler, in 'Relações e Solidão'
Austria 15 Mai 1862 // 21 Out 1931
Escritor

Anônimo disse...

Caro setentão: vossência olvidou a inculta e bela já no 2º§. Ali é “HÁ mais de meio século...nasci...” (verbo HAVER). Ok?

Anônimo disse...

Caro setentão: vossência olvidou a inculta e bela já no 2º§. Ali é “HÁ mais de meio século...nasci...” (verbo HAVER). Ok?

Loumari disse...

O Ódio Limita o Indivíduo

A inveja e o ódio, mesmo se acompanhados pela inteligência, limitam o indivíduo à superfície daquilo que constitui o objecto da sua atenção. Mas, se a inteligência se irmana com a benevolência e com o amor, consegue penetrar em tudo o que nos homens e no mundo há de profundo. E pode mesmo acalentar a esperança de atingir o que possa haver de mais elevado.

(Johann Wolfgang von Goethe, in 'Máximas e Reflexões)
Alemanha 28 Ago 1749 // 22 Mar 1832
Escritor, Cientista, Mestre de Poesia, Drama e Novela