sábado, 28 de abril de 2018

Do Estado de Ilegalidade à Falta de Sociedade


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Henrique Abrão e Laércio Laurelli

O Brasil não é um País sério. Todos sabemos desde os idos de De Gaulle, mas o que mais é saliente diz respeito ao Estado de Ilegalidade. Explico: como é complicado e complexo viver legalmente num estado brasileiro que trava os negócios, arranca trilhões de tributos, e coloca o cidadão abaixo da linha de miséria e pobreza, poucos honestos prosperam, daí porque sem uma sociedade coesa e harmonica não desenvolvemos nada exceto um torpor e um panorâmico modelo ultrapassado.

Vejamos: O cidadão de bem gasta com preços salgados desde o
plano de saúde, passando pelo condomínio,alimentos, custo de vida em geral, carro cuja industria automobilística é duplamente alimentada pelo estado - a ineficiência do transporte púbico e a bondade das concessões de isenções tributárias e ou fiscais.

O cenário não nos agrada e desenha que no futuro com a saída de boa parte da classe média teremos os marginalizados na quase totalidade e uma casta de privilegiados a dirigir o Brasil, suas elites que nunca olharam acima do muro que as separa do outro lado da realidade crua e destruidora. de governabilidade, nossos cartolas que não apenas no futebol mas nas prefeituras, nos estados e na união causam desunião, perplexidade e rombos nas contas públicas. a representatividade morreu, nossos velhacos políticos esqueceram de passar o bastão para novas gerações,e vivemos um mundo drogado e de alta violência.

E com razão o cidadão de bem precisa ter seguro do carro, de vida, saúde e por ai as despesas são maiores que a aviltante remuneração uma das mais baixas do continente sul americano. Pitadas de exploração, falta de competitividade,de livre concorrência e especialização da mão de obra nos tornaram meros exportadores de commodities,sem avanço tecnológico ou de pesquisa, e o Estado sequer cobre a manutenção do seu maquinário e deixa tudo se transformar em sucata.


E com os bilhões que escorrem pelo lado da marginalidade, da falta de competição entre empresas, e produto da corrupção, quando alguém intenciona montar uma empresa e se permite recolher impostos e pagar a folha dentro em breve verá o suicídio cometido. 

Nosso problema é nosso déficit hoje bate 3 trilhões e está sendo rolado com os bancos e enrolado pelo congresso até o dia final das eleições,o eleito terá praticamente 4 anos para arrumar a casa e dizer para o seu sucessor agora o carro tem alguns litros de combustível não poderá ir longe, mas ao menos andar sem medo de parar pelo caminho. As duas últimas décadas desesperançaram o povo brasileiro e mostraram que a reconstrução democrática não veio acompanhada do banho de cultura da sociedade.

E no Brasil vigora a máxima cada um por si e Deus por todos os amigos, não há solidariedade,espírito de cooperação ou minimamente de amor ao próximo, o  resultado disso todos sabemos são as ruas lotadas de mendigos, pedintes para quatro cantos, e um sistema político falido e um modelo empresarial capenga que descansa no dinheiro publico e repasse do BNDES.

A sociedade desperta precisa atinar para os fatos e saber que não é sem razão que alguém anônimo critica a justiça pois se ela funcionasse a pleno vapor e com todo o pulmão notadamente a suprema não haveria tanta impunidade com imunidade um mix horroroso que envergonha e nos torna uma economia de baixa produção e alto custo. Modelamos nessas duas últimas décadas um conceito que se tornou quase um preceito o estado marginal nos pede passagem, falta sociedade,não há cidadania, nem empoderamento dos que lutam pela honestidade e dignidade da administração pública.

O eleito se não for capaz de rumar para o estado de legalidade e pacificar a sociedade na sua reconstrução terá muitas chances de ser impedido de permanecer no cargo,pois que a radicalização é mote dos desesperados e incapazes da racionalidade do poder.

Carlos Henrique Abrão (ativa) e Laércio Laurelli (aposentado) são Desembargadores do TJ-SP.

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