terça-feira, 10 de abril de 2018

O Futuro da Nação precede a Paradigmas



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Luiz Eduardo da Rocha Paiva

Paradigma é uma norma ou modelo a ser seguido. No Brasil, e em muitos países, convencionou-se que o militar da ativa das Forças Armadas (FA) não pode se manifestar publicamente sobre assuntos do campo político e, imagine o leitor, do campo militar, mesmo em situações de grave anormalidade que afetem a segurança, a defesa e a paz social.

Ou seja, altos chefes militares a quem a nação pagou, por muitas décadas, para estudar, propor, planejar e executar estratégias de defesa e segurança, garantir os Poderes Constitucionais, a paz interna e a democracia, bem como participar do desenvolvimento nacional não podem alertar à nação, única credora de sua lealdade, mesmo quando percebam que ela está diante de uma grave ameaça.

Se os escalões superiores se omitirem, até que ponto um chefe militar deve submeter-se a tal paradigma? 

Países com potencial para atrair disputas internacionais não dispensam a presença das FA nos núcleos decisórios dos governos. No Brasil, porém, as FA foram afastadas do núcleo do governo Federal, particularmente após a ascensão das esquerdas fabianista (PSDB) e marxista-gramcista (PT, PCdoB e aliados). A competência de ministros da Defesa civis não se compara à de um chefe militar, pois lhes faltam conhecimento e experiência para assessorar o nível político-estratégico sobre segurança e defesa nos campos interno e externo.

Tal afastamento se deve, além do preconceito, ao desconhecimento pelas lideranças nacionais da diferença entre política nacional, que não dispensa o concurso das FA, e política partidária, da qual elas devem guardar total distância. O regime militar já afastara as FA da influência político-partidária, fator de quebra da disciplina, hierarquia e coesão. Foi importante contribuição para a estabilidade dos Poderes da União, pois desde a redemocratização, em 1985, as crises foram apenas políticas e resolvidas no âmbito daqueles Poderes. O Exército, especificamente, passou a ser conhecido como o grande mudo, infelizmente também, no tocante à política nacional.

Portanto, as lideranças políticas e judiciárias tiveram total liberdade para cumprir o dever do Estado democrático de direito, que é satisfazer os anseios da sociedade por desenvolvimento, segurança e bem-estar com liberdade e justiça. Infelizmente, falharam vergonhosamente e mergulharam o Brasil em gravíssima crise moral, política, econômica e social. Desmoralizaram a democracia, que aqui não existe de fato, pois nossa justiça é leniente e repleta de leis ilegítimas, feitas para assegurar interesses dos setores poderosos. Onde a justiça é falha e a liberdade ilusória, a democracia é um embuste.

O lodaçal da vergonha onde lançaram o país vem sendo dragado pela Operação Lava-Jato. A nação passou a ver com clareza, inicialmente, a degradação moral e ética das lideranças no Executivo e no Legislativo e, hoje, também a percebe na mais alta Corte de Justiça.

As últimas semanas mostraram que o objetivo das ações correntes no STF não é livrar apenas Lula - um criminoso condenado - mas toda a máfia desde os mais baixos aos mais altos escalões do PT, PMDB, PSDB e partidos menores. Essas lideranças perceberam que sua velha impunidade estará com os dias contados se não detiverem a Lava-Jato. Como os ministros do STF são parte da cúpula dirigente, a alguns não interessa a renovação da forma de conduzir o país. Assim, cerca da metade, ligada a partidos, a grupos ou a políticos individualmente, se empenha para livrar as máfias do colarinho brancodas malhas da lei,independente do partido onde se homiziem. Seu êxito seria um desastre de enormes proporções, podendo comprometer a segurança interna e a paz social.

Um outro paradigma, criado após o regime militar, é que não existe inimigo interno em uma democracia. Ora, se grupos nacionais promoverem conflitos violentos e provocarem um caos social, ameaçando a paz, a unidade política e a soberania, serão inimigos internos de fato. Da mesma forma o serão as organizações criminosas que se apossem do Estado, roubem bens públicos essenciais ao progresso e bem-estar da nação, submetam a sociedade a situações humilhantes, com perda da autoestima, do civismo e da esperança no porvir, bem como semeiem graves conflitos político-sociais entre irmãos.

Se os Poderes Constitucionais estiverem liderados por ORCRIM, o que restará à sociedade para reverter esse quadro? Seria aceitável continuar governada por máfias?

A missão constitucional das FA é, resumidamente, defender a Pátria e garantir os Poderes Constitucionais, a lei e a ordem (art. 142 da CF/1988). Chefes militares, diante de situações que possam trazer consequências extremamente graves para a nação, têm a obrigação moral de não se omitir, limitados por paradigmas, como se estes fossem cláusulas pétreas. Foi o que fez o Comandante do Exército em três de abril, ao alertar do repúdio da sociedade, cansada de conviver com a impunidade dos poderosos e angustiada diante da então possível decisão do STF, a favor do HC de Lula, que agravaria ainda mais a delicada situação nacional. O Comandante demonstrou coragem moral ao arriscar o próprio cargo para ser fiel à sua consciência e ao serviço da nação. Foi uma decisão patriótica, que motivou militares e civis a perfilarem com ele para cumprir a missão constitucional das FA de defender a Pátria contra inimigos internos, conscientes ou não; e para garantir os Poderes Constitucionais, cuja essência não está nas pessoas que os compõem, mas nos papeis que desempenham como instituições. É esse último que deve ser garantido, independente dos ocupantes dos cargos. Espera-se que o STF tenha entendido a gravidade do momento e que alguns de seus membros deixem a vaidade de lado e passem a pensar no país.

Ministro Celso de Mello, se guardar a Pátria, zelar por sua dignidade e proteger seu futuro é ser guarda pretoriana armada, temos muito orgulho em sê-lo. Vergonha teríamos se nos considerassem advogados de defesa de ORCRIM. Portanto, fez muito bem o Comandante do Exército, pois o Brasil está acima de tudo, inclusive de qualquer paradigma.

Luiz Eduardo da Rocha Paiva é General de Divisão, na reserva.

Releia os artigos: Do General Rômulo Bini: CREDIBILIDADE

Do General Santa Rosa: Ecos do Passado

E o do Jurista Antônio Ribas Paiva: Instituir: Direito Natural


3 comentários:

Q disse...

Nobre general, vcs precisam dar uma resposta dura e destituir esse Gilmar Mendes, veja só o que ele fez hj:

http://www.folhapolitica.org/2018/04/gilmar-mendes-diz-que-stf-nao-admite.html?m=1

Esse canalha está afrontando vcs, esse lixo tem de ser expulso do país.

Anônimo disse...

Vazou o áudio de Chico Pinheiro da globo elogiando Lula e chamando os paulistas de coxinhas. Dá asco ouvir aquele petista enrustido.
https://www.youtube.com/watch?v=CXJ0ftrl5nE

ducamillo disse...

Prezado, permita minha modesta intromissão a qual acho justa pelo espaço de este blog proporciona a todo cidadão pagador de impostos (único dever e direito do brasileiro honesto). Em parte concordo com suas palavras porem, faz-me acreditar que as FA possuem motivos de sobra para tomar de vez o poder das mãos da ORGRIM, afinal o STF já rasgou a constituição várias e várias vezes ( a principal foi por ocasião do impedimento da anta Dilma). Creio que a mensagem passada pelo Villas Boas, nada mais foi que um charminho para acalmar a galera intervencionista, tal como foi também as palavras do Sr. Mourão, tudo não passou de um teatro. Nossas FFAA na atualidade está preparada para, matar mosquitos e fazer estradas, e nada mais. Como acreditar em alguém que passou anos como adido militar na China?
Deixando a FA de lado, quero expor a minha indignação com o tratamento privilegiado dado pelo Juiz Sérgio Moro ao presidiário Lula, é uma afronta aos Brasileiros pagadores de impostos. Coloquem este verme num hotel cinco estrelas de uma vez e parem com esta palhaçada com o povo.
Para terminar, deixo um ALERTA, o projeto do Foro de São Paulo está seguindo de vento em popa e muito em breve um golpe será aplicado acabando de vez com a falsa democracia e instituindo de fez, uma ditadura vermelha neste país. Nossa bandeira não será vermelha mas, as estrelas sim.
Robertho Camillo.