sábado, 5 de maio de 2018

A criativa intervenção judasciária na Ducoco



Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

Não adianta eleger A, B ou C Presidente da República, se não houver uma mudança estrutural no Estado Brasileiro e em seus poderes Executivo, Legislativo, Judiciário e Militar. O caso mais grave é no Poder Togado – porque não adianta um Executivo/Legislativo supostamente republicano, se o Judiciário opera como “Judasciário”, de maneira monárquica absolutista. Não merece ser chamado de “Justiça” um poder que alterna impunidade conforme as conveniências e rigor seletivo na punição, de acordo com os interesses políticos e econômicos.

Felizmente, os brasileiros já começam a perceber, comprovar e reconhecer que os problemas do País decorrem do Estado-Ladrão e seus agentes que só fazem aumentar seus privilégios em detrimento de toda a população, e especialmente contra os agentes produtivos. O Mecanismo Estatal e seus representantes freqüentemente agem à margem da Lei – que nem sempre cumprida, mas sim interpretada pelos donos do poder, sem que haja um sistema institucional para coibir os abusos e ilegalidades praticadas pelos “poderosos”. Não são legítimos os servidores públicos que focam sua atuação em se servir do público – e não servir ao cidadão.

Tal defeito (ou vício) é histórico e cultural no Brasil. Nossos agentes públicos sempre praticaram abusos, e se locupletaram à custa dos entes produtivos, desde a época da Colônia até hoje. Os atuais agentes públicos de alta patente são o equivalente moderno dos então Contratadores, Ouvidores, etc. Ou seja, dos representantes da Coroa que agiam como donos do poder, donos do País, de tudo e de todos, para quem à população somente cabia pagar taxas, impostos e atender as imposições imperiais.

O vício autoritário da jagunçagem institucional, sem contrabalanços, é atualmente praticado, abusivamente, por muitos fiscais, pelo Ministério Público Federal, e por certos agentes policiais. Tais servidores mais parecem uma Gestapo (o aparelho policialesco-repressivo do Nazifascismo que usa e abusa da prática hedionda do rigor seletivo). Poupar um ou ferrar outro – usando o mesmo argumento legal e em circunstâncias parecidas ou idênticas – é uma prática autoritária inaceitável e intolerável.

Exemplos de abusos abundam... Reportagem no jornal Valor Econômico de 4 de maio, assinada por Talita Moreira, revela que dois juízes de São Paulo decretaram a administração judicial da produtora de água de coco Ducoco. A intenção foi reparar prejuízos de dois clientes do FPB Bank, no Panamá. Instituição em processo de liquidação. A Ducoco, empresa produtiva e que gera empregos, sofreu uma intervenção indireta porque a holding que a controla, a Malibu, tem como acionista (em 60%) o empresário Nelson Pinheiro – que, por acaso, tem participação acionária na instituição financeira panamenha.

Resumindo: os interventores da Malibu penhorada em 60% de suas ações agora têm como missão acompanhar que eventuais dividendos gerados pela Ducoco sejam destinados ao pagamento de dívidas da outra empresa (o banco panamenho. A modelagem da ação judicial é tão criativa que os administradores judiciais não substituem a diretoria da Ducoco (seus administradores legítimos e originais).

Que doideira! O Judiciário foi induzido a decretar a intervenção em uma terceira empresa (que em nada tem a ver com o problema judicial de um de seus acionistas) para pagar a dívida de um de uma outra empresa financeira do acionista. Um absurdo! Imagine o prejuízo da Ducoco e de todos seus outros acionistas com a decisão esquisita de magistrados que beneficiam alguns credores de um acionista específico. Se a moda pega...

A intervenção judasciária na Ducoco – ferrando vários acionistas que nada têm a ver com um problema de um acionista específico de sua holding controladora – é apenas mais um exemplo do surrealismo jurídico no regime Capimunista brasileiro. Existem vários outros exemplos dramáticos de insegurança jurídica que inviabilizam a produção no Brasil. Não é à toa que (quem pode) está fugindo para o Paraguai, Portugal e alhures... Aqui, do jeito que está e ainda pode piorar, não dá mais...

E a tchurma do gargarejo ainda perde tempo especulando se o Lula vai ser preso ou vai ser solto, como se ele fosse o inimigo-mor da Nação. Ele não é! O verdadeiro inimigo é quem controla o Mecanismo... $talinácio é apenas um fantoche famoso e agora um mero “Presodentro” na Lava Jato...

Capimunistas, vamos comemorar... Hoje é aniversário do Karl Marx...

Três Neurônios


Como participar de corpo ausente de um programa? Confira... https://youtu.be/IZEZTLUsVcs



Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus. Nekan Adonai!

O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Independente, analítico e provocador de novos valores humanos, pela análise política e estratégica, com conhecimento criativo, informação fidedigna e verdade objetiva. Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos. 
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© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 5 de Maio de 2018.

2 comentários:

Sempre Mais do MESMO disse...

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BRILHANTE NO ÚRTIMU esse post sobre o JUDASCIÁRIO.
Já desde 2004 que participei de foruns de debates e sempre puxava o assunto de que as leis não eram cumpridas pelo Judiciário, mas SIM "INTERPRETADAS" segundo interesses IDEOLÓGICOS, PARTIDÁRIOS e PARTICULARES ou PECUNIÁRIOS.

Frisava SEMPRE que o Judiciário se estava IMPONDO como LEGISLATIVO ao "INTERPRETAR" as leis segundo os réus (paciente é o kct) ou os interesses do momento. Afirmava que o Judiciário era o MAIOR DESCUMPRIDOR das leis, desprezando-as totalmente através das "INTERPRETAÇÕES" casuisticas e que ISSO IRIA PIORAR COM O TEMPO ATÉ QUE o Judiciário se tornasse uma GANG de DITADORES ARBITRÁRIOS a comandar o país, ameaçando até os eleitos como autoridades para CURVA-LOS aos INTERESSES CORPORATIVOS e IDEOLÓGICOS da SÙCIA JUDICIÁRIA.

...parece que eu tinha lá alguma razão e já outros o percebem.

AS LEIS DEVEM SER CUMPRIDAS e o Judiciário existe para FAZER CUMPRIR AS LEIS e NÃO para "INTERPRETA-LAS" ao sabor dos interesses de momento.

Se as leis são passíveis de interpretação, COMO PODE O CIDADÃO LEIGO CUMPRIR AS LEIS QUE PODEM TER VARIADAS INTERPRETAÇÕES até pelos ditos de "notório saber juridico" que divergem em seu SABERES sobre um mesmo fato ou lei????

AOS JUIZES CABE JULGAR a CULPA ou INOCÊNCIA dos RÉUS (paciente é o kct) e jamais "julgar" ou "interpretar" as leis segundo interesses da vez.

Anônimo disse...

Tudo muito bem explicado, mas a saudade dos ouvidores, controladores e suas taxas do reino é grande. A república tornou uma prática salutar numa extorsão e a culpa é do regime anterior, obviamente.