terça-feira, 8 de maio de 2018

Fanatismo é ideologia de almanaque



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Hélio Duque

O fanatismo político de uma minoria de setores da direita e da esquerda, alimentado nas redes sociais, vem gerando um clima de ódio e intolerância nunca antes presente na vida nacional. As eleições de outubro ocorrerão nesse cenário arrogante que invadiu inclusive o convívio familiar. Fato inédito na formação da sociedade nacional.

Em passado recente, mesmo convivendo com um Estado autoritário, onde as liberdades públicas inexistiam, não se via clima semelhante. No Dicionário Filosófico de 1764, Voltaire definia: “O fanatismo é uma doença da mente, que se transmite da mesma forma que a varíola”. O fanático é adorador de figuras messiânicas e não admite o viver democrático.

Décadas atrás os defensores do autoritarismo, que teve duração de 21 anos, e os opositores que combatiam a ordem intolerante não transigiam nas suas convicções. Travaram em todo o período duro combate no qual cassações, exílios, torturas, perseguições políticas eram fatos que ocorriam repetitivamente. Nem assim, nesse cenário devastador de intolerância, o ódio e o fanatismo estiveram presentes entre os que defendiam o restabelecimento do Estado democrático. No parlamento, debates duros, ácidos, respeitavam as fronteiras da civilidade.

A oposição brasileira era majoritária na opinião pública, infelizmente castrada na representação popular, ante a legislação antidemocrática. Acreditando no futuro, a oposição não se irritava ou odiava quem combatia a sua opinião, por ser livre nas suas convicções democráticas. Tempo que foi muito bem definido pelo saudoso professor Rubem Alves, psicanalista, educador e inesquecível pensador: “De todas as vocações, a política é a mais nobre. De todas as profissões, a profissão política é a mais vil. Nosso futuro depende dessa luta entre políticos por vocação e políticos por profissão.”

O fanatismo e ódio, presentes no Brasil, tem nesse pensamento do grande educador uma perfeita síntese. A ausência de políticos por vocação que pensam o futuro e tem por objetivo servir ao bem comum, substituídos pelos políticos profissionais, gerou o divórcio entre representantes e representados. 

Aliado a siglas partidárias destituídas de princípios, sem doutrina, alimentaram a situação caótica que vivemos. Nas eleições de outubro, por exemplo, o Fundo Eleitoral e o Fundo Partidário disporão de R$ 2,6 bilhões de recursos públicos para financiar campanhas eleitorais. A distribuição dos recursos será da alçada dos dirigentes dos partidos políticos.

Essa deformação financeira nunca existiu na vida política nacional, não há limite para o autofinanciamento das campanhas. Os atuais detentores de mandatos e os postulantes mais ricos terão enormes vantagens na disputa eleitoral. O poder econômico terá proeminência, ante o fato de o candidato poder se financiar com recursos próprios até o teto definido para o cargo pleiteado. Os detentores de maior patrimônio pessoal são cobiçados e transformaram-se em ativos eleitorais. Seja no executivo ou no legislativo.

Os financiadores ocultos encastelados em organizações que disponha de dinheiro vivo terão ativa presença eleitoral. A exemplo de certas igrejas de mercadores da fé, crime organizado, sindicatos trabalhistas e patronais e setores que não passam pelo controle do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), operarão com liberdade, financiando as eleições dos seus candidatos.

A Operação Lava Jato vem demonstrando que a corrupção sistêmica é parte integrante da atividade pública, envolvendo políticos, grupos empresariais poderosos, agentes públicos em todos os escalões. O dinheiro oculto será ator fundamental nas próximas eleições. Paralelamente, a corrida para buscar candidatos ricos vem sendo estratégia assumida por todos os partidos políticos.

É nesse cenário de esperteza, em uma sociedade de baixa formação educacional e grande maioria alienada da realidade, que vem florescendo o fanatismo minoritário em setores da esquerda e da direita. Alicerçado em falsa ideologia de almanaque. O debate nacional fica interditado, os verdadeiros problemas econômicos e sociais são ignorados. Liquidar o inimigo é o objetivo.

O grande pensador e escritor israelense Amós Oz parecia definir o momento brasileiro quando escreveu: “Todos os tipos de fanáticos tendem a viver num mundo em preto e branco. Num faroeste de mocinhos contra bandidos. O fanático é na verdade um homem que só sabe contar 1.”

Hélio Duque é doutor em Ciências, área econômica, pela Universidade Estadual Paulista (UNESP). Foi Deputado Federal (1978-1991). É autor de vários livros sobre a economia brasileira.

3 comentários:

Loumari disse...

Cuba las reformas en las calles

https://www.youtube.com/watch?v=lCz4KuKa3JI&t=233s

Documental que nos muestra cómo los cubanos perciben las recientes medidas dictadas por el gobierno castrista para facilitar y permitir la compraventa de casas en Cuba. Testimonios de corredores inmobiliarios y ciudadanos cubanos nos sitúan en el contexto del verdadero problema habitacional en el que se encuentra la Isla.
Historias del día a día nos conducen por las viviendas de Cuba, las cuales atrapadas en el tiempo están muy lejos de ser el hogar digno que se merecen los cubanos.


OBS: Los más miserables en esta vida son estos pendejos que en los pantalones, en el lugar de los cojones traen postiza. Hombres maricones, cuya mente está esclerótica (lo que quiere decir que no evoluciona más; Que no puede evolucionar o adaptarse a una nueva situación o planteamiento), por tanto embutir como pan y agua la doctrina comunista, que de comunista no tiene nada, sino, que son un bando de criminales que en el nombre de una supuesta revolución tomaran cuenta del poder y viven explorando inhumanamente a otros hombres y oprimen a todos aquellos que no adieren a su puerca idiología enfermiza que los tienen completamente fuera del mundo real y han desterrado a Dios y adoptado una cultura de demonios. Forzando a la pobre gente a hacer desaparecer y apartar de sus mentes el sentimiento y los pensamientos que tienen con Dios. Inculcándoles creencias e doctrina de demonios para mejor tenerlos bien controlados.
Solo gentes con mente esclerótica y con dentro de si espirito podrido, pueden admirar, elogiar y idolatrar el régimen de los hermanos Castros. Que Dios se apiade de ustedes. Que Dios se apiade de ustedes MORIBUNDOS.
Y en Mozambique, una terrible realidad podemos constatar: en todos aquellos que son miembros e partidarios del régimen en el poder son gentes con la mente leprosa.

Roberto L Cortez disse...

O Professor Hélio Duque, à época do Regime Militar, foi Deputado Federal pelo MDB, creio eu,por três legislaturas e, também, Deputado Constituinte. Critico dos Militares, porquanto pertencia ao único partido de oposição "legalizado". Migrou para o PSDB mas, sob essa sigla partidária, não obteve êxito. Foi ferrenho crítico do Regime Militar. Me atrevo a dizer que, hoje, diante desse caos político e social no qual se encontra mergulhado nosso Brasil, ocasionado pela irresponsabilidades e roubalheiras perpetradas por PT, MDB PP e outros "Ps", apesar de ser ele um Democrata, há de convir que, mesmo sob um regime de força, não vivíamos nesta situação caótica de corrupção e degradação moral.

Elesi F disse...

O politiqueiro de merda, tem a coragem de dizer que a ditamole foi autoritaria, é um esquerdista de merda mesmo

Tivemos uma ditabranda, permitiu seres como o sr sobreviver, e ficarem mamando na teta do estado durante décadas, o câncer do Brasil é você e seus pares,

INFELIZMENTE, talvez você não vai responder pelos crimes que cometeu, porque essas Forças Armadas atual e de sempre, são uma vergonha mundial, permitem os piores criaturas escrotas de explorarem a nação, tem os culpados e os coniventes, todos envolvidos na falacia de democracia.

É aviltante

Porque permitem essa escoria de comentar aqui? É um mentiroso, defensor de genocidas, canalha bandido que tem a coragem de MENTIR ABERTAMENTE, pertencente a grupos como ''tortura nunca mais'', ''direitos humanos''