sábado, 12 de maio de 2018

O dia 13 de Maio não pode ser esquecido


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Ernesto Caruso

Não é isso que os revisionistas históricos estão a fazer? Apagando, obscurecendo ou deturpando os heróis nacionais do passado ou assassinando reputações do presente. Mudam até denominações de logradouros acintosamente, aliciando vereadores de cultura incipiente conduzidos por outros, doutrinados e adestrados para o processo de desconstrução da sociedade tradicional. Inocentes úteis.
       
A venturosa lei, ainda que lamentavelmente tardia — clamada Lei Áurea por seu esplendor — teve magna importância e significado devidos às raízes da nacionalidade; frutos da miscigenação ditada pelo instinto e pelo amor, gerada na colonização, a vencer barreiras como a antropofagia e a compartilhar a fé cristã dentre os aborígenes e posteriormente com os africanos aqui aportados como escravos.

Abolição que supera a simples revogação da lei e se coaduna com a consciência humana que abomina a prática de um costume registrado nas profundezas das civilizações onde os vencidos eram transformados em escravos quando não sacrificados. Independentemente da cor da pele. Prevalecia a lei do mais forte a subjugar os mais fracos.

Quando foi sancionada a Lei Imperial nº 3.353 em 13 de maio de 1888, o Brasil tinha em torno de 15 milhões de habitantes, sendo libertos em torno de 700 mil escravos.

A destacar a tenacidade dos abolicionistas e pressão inglesa a escravatura foi gradualmente neutralizada pela legislação a partir de 1831 com a Lei Feijó, de 7 de novembro, que proibia a importação de escravos, declarando-os livres. Com a Lei Eusébio de Queirós (Lei nº 581/1850), a escravidão foi declinando e substituída no trabalho por imigrantes europeus.

A Lei do Ventre Livre (Lei nº 2.040/1871) sancionada pela princesa Isabel, declarou livres os filhos de escravas nascidos após aquela data. E em 1885 a Lei dos Sexagenários foi mais um passo na conquista da liberdade a ocorrer em 1888, no dia 13 de maio que a sociedade não pode olvidar como data histórica e significativo simbolismo no aperfeiçoamento interior de cada gente na incessante busca da igualdade, fraternidade que resulte no bem-estar de todos.

Nem olvidar os abolicionistas como Joaquim Nabuco, José do Patrocínio, André Rebouças, Rui Barbosa, Castro Alves, etc. E a princesa Isabel como regente chancelando o ato.

Lembrar do Duque de Caxias que na pacificação alcançada na Revolução Farroupilha em 1845 houve por bem patentear a liberdade concedida aos cativos que integraram as tropas dos farrapos, um gesto humanitário além da anistia concedida a todos.

Rememorar trecho da carta do Marechal Deodoro, presidente do Clube Militar (1887) enviada à Princesa Regente: “Senhora – Os oficiais, membros do Clube Militar... eles, que jamais negarão em bem vosso os mais decididos sacrifícios, esperam que o Governo Imperial não consinta que nos destacamentos do Exército que seguem para o interior, com o fim, sem dúvida, de manter a ordem, tranqüilizar a população e garantir a inviolabilidade das famílias, os soldados sejam encarregados de captura de pobres negros que fogem à escravidão ou porque vivam já cansados de sofrer os horrores, ou porque um raio de luz da liberdade lhe tenha aquecido o coração e iluminado a sala. Senhora! A Liberdade é o maior bem que possuímos sobre a terra; ...”

São páginas vivas da História. Devem ser perpetuadas nos livros, nas vias públicas, nos monumentos, nas cátedras, nas mentes...

Missão importante que cabe aos educadores e autores de livros didáticos divulgarem os fatos históricos como ocorreram e à sociedade, em especial aos pais dos alunos no ensino fundamental, fiscalizarem o que está sendo transmitido aos seus filhos. Não deixar que a ideologia prepondere e sub-repticiamente conspurque as tradições e enfraqueça a unidade nacional.

Ressaltar que foi uma época obscura a perdurar por longo tempo no mundo. Mas, que no Brasil apesar de uma abolição mais tardia, a miscigenação ocorreu com muita amplitude diversamente de outras nações.

A citar que nos Estados Unidos, os escravos foram libertos em 1863 com posições confrontantes entre os estados do Sul e do Norte que resultou na Guerra da Secessão (1861-1865) e cem anos depois, na década de 1960, havia resquícios nos ônibus divididos para brancos à frente e negros atrás. Igrejas, escolas e sanitários públicos específicos para cada grupo. Segregação imposta pelas instituições (vídeos). Mais as ações terroristas da Ku Klux Kan assassinando e incendiando.

Repudiar a pregação ideológica que no fundo propõe a rejeição da ascendência materna ou paterna, seja indígena, branca ou negra. É justo fazer isso com pai e mãe? Mestiço é mestiço. O Brasil é assim. Não à importação do “apartheid” pelos revisionistas. Necessitados, desassistidos, etc precisam de atenção do poder público independentemente da cor da pele, da religião...


Fontes de vídeos:


Ernesto Caruso é Coronel de Artilharia e Estado-Maior reformado do EB.

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