segunda-feira, 14 de maio de 2018

Profissionalização da Democracia



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Henrique Abrão e Laércio Laurelli

O cancro da corrupção - somado à falta de competência - tornou muitos países latino-americanos ingovernáveis e permanentemente em estado de crise. O discurso do presidente norte americano “primeiro eles e depois os demais nações do continente americano” bem explicita que o desequilibrio das economias e assimetrias comprovam a falta de profissionalização da democracia.

Ao chegarem no poder os governos populares e demagogos de esquerda deram um falso ar de melhoria, mas turbinaram números e quebraram as finanças públicas. É o preço amargo e salgado que hoje ameaça toda combalida América Latina com forte oscilação da moeda norte americana e a previsão no sentido de que a Argentina se socorrerá do FMI.

O caos é visível a  olho nu com desigualdades sociais, invasões, falta de habitação e total desplanejamento dos governos eleitos. Carecemos de uma democracia nitidamente profissional e não de amadores. São muitos os candidatos à Presidência mas muito poucos talhados para o exercício do cargo e retirar o Brasil do divisionismo e das graves turbulências que poderão nos atingir dentro em breve.

As esquerdas marrentas e que não enxergam seus malfeitos levaram milhões de cidadãos para o exterior - somente em Portugal nos últimos cinco anos chegaram mais de cem mil brasileiros para conseguir colocação profissional e moradia. É o reflexo de uma situação caótica de violência, de nenhum serviço público,carestia do custo de vida e de milhões de cidadãos desempregados.

A democracia exige um status econômico que possibilite situação de vida digna,e não desumana como nos grandes centros, com a exploração e milhares de moradores de rua. Como profissionalizar a democracia não é simples, mas com metodologia e pessoas que conheçam os mais graves problemas e se proponham a um olhar propositivo.Teremos mais quatro anos de dificuldades com amplos poderes concentrados na consistente mobilização em torno dos novos eleitos junto ao parlamento, cujo combate incessante à corrupção é fundamental que prossiga.

O Brasil chega dividido e com pessimismo às urnas cujo eleitor já não mais acredita nos marqueteiros, nas promessas de campanha, e no amanhã colorido. Milhões de brasileiros estão endividados, as empresas perdem liquidez, o derretimento do mercado de capitais preocupante e a fuga de investidores palpável.

Teremos horizonte no cenário atual ou desacreditamos por completo da maré baixa para surfarmos nas expectativas de melhores governantes? Nossos dirigentes políticos exercem seus cargos como cartolas do futebol querem ganhar e rapidamente aprimorar seus ganhos com negociatas e falcatruas.

Enfim, sem uma pressão da sociedade e identificação de uma cidadania antenada com rarefação da ética e moralidade, nossos passos poderão ter fissuras à vista. A mudança deve ser completa e radical para acreditarmos na reconstrução do Estado Democrático.

Carlos Henrique Abrão (ativa) e Laércio Laurelli (aposentado) são Desembargadores do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.

Um comentário:

jomabastos disse...

A atual Constituição está contra a democracia, contra o povo deste país.
Enquanto esta Constituição continuar prevalecendo, dificilmente poderá ser executado algo de verdadeiramente positivo neste Brasil.
Necessitamos de uma Intervenção Institucional.