domingo, 3 de junho de 2018

“Liberais” limpinhos e “Conservadores” sem paciência vão acabar elegendo o chavista Ciro Gomes



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Leandro Ruschel
Está havendo uma confusão absurda na avaliação da greve dos caminhoneiros e suas consequências, talvez pela multiplicidades das condições que permitiram o seu alcance e também dos objetivos em jogo. Está sendo confundida a discordância dos meios e objetivos com a discordância dos resultados finais.
Há dois pressupostos básicos dessa discussão:
1.                Ser contra qualquer tipo de mudança de estrutura política do país através de uma ruptura.
2.                Acreditar que há um ponto de degeneração das instituições onde apenas uma ruptura pode restabelecer a ordem.
Aqueles que lutam para aprofundar o regime de escravidão brasileiro atual contam com a passividade dos crentes nas “instituições”, representadas pelo Executivo controlado por um presidente que foi eleito com dinheiro de propina, um Congresso formado por 2/3 de corruptos segundo a Lava Jato e um Judiciário cujas altas cortes servem mais para proteger os bandidos dos outros poderes do que cumprir o seu papel, transformando-se em parte do esquema corrupto.
Pior ainda, há quem não perceba o nível de degeneração que alcançamos em relação à segurança pública, destruída pela lógica do bandido como vítima da sociedade, produzindo a liderança mundial do Brasil em homicídios e outros tipos de violência. Só isso já deveria ser motivo para uma revolução.
Resumindo, se você acredita na força das nossas “instituições”, você é parte do problema, não da solução.
Caso você acredite na necessidade da ruptura, algumas possibilidades se apresentam, especialmente em relação à sua necessidade imediata e o meio a se atingir tal resultado. Em outras palavras, qual é o limite tolerável para buscar algum tipo de intervenção militar, por exemplo, que no passado já impediu o Brasil de virar provavelmente uma espécie de Cubão.
O próprio Thomas Jefferson apresenta esse ponto na Carta de Independência dos EUA:

“Na realidade, a prudência recomenda que não se mudem os governos instituídos há muito tempo por motivos leves e passageiros; e, assim sendo, toda experiência tem mostrado que os homens estão mais dispostos a sofrer, enquanto os males são suportáveis, do que a se desagravar, abolindo as formas a que se acostumaram. Mas quando uma longa série de abusos e usurpações, perseguindo invariavelmente o mesmo objeto, indica o desígnio de reduzi-los ao despotismo absoluto, assistem-lhes o direito, bem como o dever, de abolir tais governos e instituir novos guardiães para sua futura segurança.”
Qual é o limite da tolerância? Lula livre através de conchavos da nossa “suprema corte”? Lula candidato? Fraude eleitoral? Lula presidente?
Não podemos esquecer que a esquerda busca uma ruptura desde sempre no Brasil. Tentaram golpes militares, guerrilhas e alcançaram o sucesso através do uso dos próprios instrumentos democráticos para destruir a democracia. Perceberam que uma ruptura de longo prazo seria mais efetiva. Primeiro tomaram os meios culturais, depois as universidades, em seguida a imprensa e posteriormente a própria estrutura do Estado, seguindo a estratégia gramsciana. O objetivo sempre foi o mesmo: a instalação de um regime socialista totalitário. Talvez tenham buscado uma ruptura gradual porque não tiveram acesso aos instrumentos necessários para a imposição da sua ditadura à força, como ocorreu na Venezuela, e mesmo lá depois de um longo processo de destruição das instituições. Alguém duvida que se a esquerda tivesse os militares nas mãos teria declarado Estado de Exceção durante o processo de Impeachment? Até uma tentativa nesse sentido houve. Ou seja, quando falamos em ruptura, o termo correto seria uma anti-ruptura, visto que em processo de ruptura já estamos há anos.
De qualquer forma, resumindo a questão, caso você aceite que uma mudança radical do sistema é necessária, há dois caminhos que parecem ser viáveis no momento:

1.                O uso do processo eleitoral para eleger um presidente disruptivo, junto com o maior número de deputados, senadores e governadores que o apoiem.

2.                Uma Intervenção Militar que destrua a ordem politica vigente e reconstrua uma nova ordem.
A primeira hipótese enfrenta uma série de desafios. O sistema político brasileiro é estruturado justamente para evitar renovações. O voto proporcional com quociente eleitoral e a nova verba pública de campanha garante que os velhos caciques corruptos dos maiores partidos continuem mandando no jogo. Além disso, o sistema de votação eletrônica não auditável representa uma fraude em si. O fato do TSE descumprir a lei para não implementar o voto impresso sugere que não há interesse por parte da Justiça de deixar o processo auditável, o que impede que haja confiança no sistema. Além disso, a justiça deixou claro que não quer ver um candidato anti-establishment chegar ao poder, ao perseguir o candidato Jair Bolsonaro com processos questionáveis, como na acusação ridícula de apologia ao estupro, entre outras. Além disso, a grande imprensa, amplamente dominada pela esquerda, atuará fortemente contra qualquer candidato conservador.
Mesmo assim, há considerável apoio da população a candidatos conservadores, o que pode dificultar o trabalho de contenção do establishment.
Uma eventual intervenção militar enfrenta uma série de obstáculos. Em 64, havia uma união entre empresariado, sociedade civil, imprensa e até mesmo a maior parte da classe política na defesa de uma intervenção. Hoje há a defesa de parte significativa da população, apesar do crescimento do apoio, a tese ainda não representa uma maioria. Os próprios militares parecem não ter interesse nesse caminho, através das declarações dos seus comandantes. O caminho eleitoral parece ser o almejado por eles, pois terão mais de 70 candidatos nessas eleições, além do próprio Bolsonaro, um militar da reserva.
Além disso, há sérios riscos num eventual golpe militar. O primeiro deles é a possibilidade de uma guerra civil, caso nem todos os comandantes e comandados concordem com a medida. O risco disso no Brasil seria baixo, apesar de maior do que em 64. Há a possibilidade de um golpe não conseguir derrubar o governo, como aconteceu na Turquia, com o efeito oposto ocorrendo: o governo ganhou força para ele mesmo dar um auto-golpe, aprofundado o seu poder e virando de fato uma ditadura. Isso ocorreu também na Venezuela. Um golpe fracassado contra Chávez acabou dando maior legitimidade para o tiranete consolidar o seu regime totalitário. Sempre há também a possibilidade dos próprios golpistas seguirem um caminho totalitário ao invés de refundar o país e reconduzi-lo ao caminho democrático.
Qualquer que seja a alternativa, há a necessidade de lideranças honestas e preparadas com as quais o povo se identifica, com uma pauta muita clara de mudanças necessárias e como implementá-las. Infelizmente, não parece ser o caso. Observamos, especialmente nas últimas duas décadas, uma verdadeira hegemonia socialista no meio político e em outras esferas de poder, criando uma completa falta de representação dos valores conservadores da sociedade brasileira no poder. Houve um aparente renascimento da direita no país a partir de 2013, mas ainda muito desorganizada e dividida.
Dentro desse contexto é que surge a paralisação dos caminhoneiros, que produziu um verdadeiro colapso de abastecimento e colocou o governo de joelhos em poucos dias porque canalizou toda a revolta da população com um regime que a escraviza. O caminhoneiro que não consegue pagar as contas mesmo trabalhando feito um burro de carga representa quase todo empreendedor brasileiro.
Alguns viram nos caminhoneiros um instrumento para provocar a tão sonhada ruptura, através da instituição do caos. Outros, com a mentalidade socialista de sempre, buscaram a “justiça social” através da ação governamental, com a oferta de subsídios, tabelamentos e reservas de mercado, alimentando exatamente o monstro que os escraviza. Aproveitadores de sempre, entre pelegos e empresários cartoriais, como definia Roberto Campos, se aproveitaram da situação para conseguir as suas vantagens. Estes foram os grandes ganhadores.
Realmente, a chance de sucesso da “estratégia” de produzir o caos para forçar a ruptura, sem lideranças e agenda clara, eram muito pequenas, quase nulas, além de questionável do ponto de vista moral. Agora, é simplesmente errado querer ridicularizar ou mesmo atribuir a culpa pelo desfecho do episódio aqueles que defendem algum tipo de ruptura e viram na paralisação uma forma de protesto, não pelo preço da gasolina, mas pela opressão e colapso de um sistema corrupto.
Creio que nessa altura do campeonato, há poucos meses das eleições e com um candidato representando essa ruptura liderando as pesquisas, não vale a pena buscar algum tipo de intervenção, mas posso estar errado. Vejo legitimidade em quem protesta de forma não violenta por qualquer meio, até porque sabemos que uma revolução ocorre em fases. A indignação popular que está aí não acabará com o fim da paralisação. Quem conseguir canalizar da maneira correta tal sentimento ganhará as próximas eleições ou chegará ao poder de alguma forma. A baixa capacidade do povo brasileiro em compreender a realidade e seu imaginário socialista, desenvolvido através de décadas de lavagem cerebral esquerdista nas escolas, nas universidades, na cultura e na imprensa deixam o processo de mudança positiva quase impossível, mas essa é a situação que se apresenta.
Portanto, mais importante do que nunca é apresentar ao povo tal realidade, através do debate honesto e da apresentação da situação, o que infelizmente não ocorre. O debate é substituído por defesa cega de uma intervenção milagrosa por qualquer meio, usualmente entre conservadores, ou da crença cega na “nossa democracia” e de reformas econômicas “sensatas” como a solução para os nossos problemas, entre os liberais.
Para alguns “liberais”, Ciro Gomes já começa a parecer sensato e para alguns “conservadores”, Bolsonaro se transformou num traidor ao pedir que vias não fossem fechadas e o fim da greve. Ou seja, a esquerda agradece.

Leandro Ruschel é especialista em investimentos. Originalmente publicado em Médium.com em 2 de junho de 2018.

Um comentário:

Anônimo disse...

Segundo Olavo de Carvalho, Ciro Gomes segue a linha comunista chinesa, o que pode ser o motivo para capitalistas o considerarem sensato, porque sua defesa do capitalismo de Estado chinês é um canto de sereia para quem abre mão de outros valores em favor do dinheiro.