terça-feira, 19 de junho de 2018

Por nossas Fraquezas



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Renato Sant’Ana

Os grandes aduladores do povo são os que menos respeitam o interesse comum. Torcem a verdade para, driblando o discernimento das massas, alcançar seus objetivos egoístas. Exemplos não faltam.

O ex-presidente Lula, que cumpre pena por corrupção, da cadeia enviou carta aos prefeitos de Santa Catarina, reunidos em Florianópolis, para dizer que é candidato a presidente da República em 2018. E lascou uma das suas: "E se hoje eu sou candidato a presidente de novo, é porque na democracia quem decide os governantes é o povo".

Sim, o povo decide. E cria suas leis por meio de representantes que, exercendo o poder por ele outorgado, legisla. E a Lei da Ficha Limpa - cuja proposição foi de iniciativa popular, frise-se! - impede a candidatura de quem teve condenação em órgão colegiado. É o caso de Lula. É só mais uma jogada suja, pois, propor que se rasgue a lei e que se deixe às urnas decidir o futuro do condenado.

Mas esse é um "modus operandi" conhecido. O deputado Wadih Damous (PT-RJ), por exemplo, representando a "farsa da defesa do povo", tentou deslegitimar a Lei da Ficha Limpa, torcendo-lhe o sentido ao dizer: "Significa [a lei] que o povo não sabe escolher, quem sabe escolher é o Poder Judiciário." Quis fazer crer que a lei (que a população propôs e que Lula sancionou) trata o povo como "burro, que só escolhe corrupto". Wadih e Lula querem que seja o partido a ditar a lei.

Refrescando a memória

O PT nunca quis respeitar a soberania popular. Em 23/10/ 2005, houve o Referendo Nacional pelo Comércio de Armas e Munição. O povo foi às urnas para dizer "sim" ou "não": devia o Estado proibir o comércio e, por conseguinte, o uso de armas? Embora haja sido esmagadora a propaganda pelo "sim" (com amplo apoio dos atores da Globo), venceu o "Não!".

E o que fez o governo Lula? Mostrando que, para o PT, a vontade do povo não tem valor, ignorou o resultado das urnas e desarmou a população honesta, impondo a regra que interessava ao projeto petista.

Tem mais. Em 1988, através de circular, o Diretório Nacional do PT "justificou" a determinação de o partido rasgar a Constituição recém promulgada, alegando: "O PT, como partido que almeja o socialismo, é por natureza um partido contrário à ordem burguesa, sustentáculo do capitalismo. (...) rejeita a imensa maioria das leis que constituem a institucionalidade que emana da ordem burguesa capitalista, ordem que o partido justamente procura destruir".

Tal disposição, de caráter totalitário, jamais foi revogada. Aliás, o PT nunca obedeceu à Constituição, exceto quando lhe convinha ou quando havia risco de levar a pior.

Esperteza populista

Desdenhar de tudo que foi feito por outros, diabolizar adversários e descrever um mundo caótico, eis a malícia do populismo revolucionário para enfeitiçar as massas, clicando nos botões dos anseios reprimidos e das frustrações mal resolvidas. O complemento é apresentar seus atores como guardiães da ética e inimigos da corrupção.

Lula, Zé Dirceu e Palocci, para citar só três cabeções do populismo petista, ficaram milionários no governo. Isso não diz alguma coisa?

Não basta, contudo, punir os atores por seus crimes: o elenco se renova e o espetáculo continua. Não surgirá uma nova classe política por geração espontânea. 

O eleitor é que precisa aprender a desconfiar de quem fala só o que ele gosta de ouvir. Senão, nada vai mudar!

Renato Sant'Ana é Psicólogo e Bacharel em Direito.

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