terça-feira, 24 de julho de 2018

O Enigma Bolsonaro



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Gaudêncio Torquato

Como se explica o enigma Bolsonaro? Lidera as pesquisas, principalmente quando Lula não aparece como candidato, mas o PR e o PRP acabam de recusar parceria com seu partido, o PSL, que esperava o apoio de uma onda bolsonarista com 100 deputados. Até agora este contingente não deu as caras. Qual a razão para o isolamento do capitão? A essa altura, a menos de três meses do pleito, era de esperar que uma enxurrada de adesões transferisse ao pré-candidato da extrema-direita a condição de favorito inquestionável à cadeira presidencial. Pois bem, inquestionável ele já não é.
Expliquemos as razões. A começar pela paisagem social, onde sementes se espalham fazendo brotar tanto nos roçados centrais como nos terrenos periféricos uma floresta de ressentimentos contra os protagonistas da política. Por sua conhecida verve contra petistas, na esteira de uma linguagem centrada em plataforma recheada de posições conservadoras, o deputado Jair elevou-se à condição de inimigo número um das esquerdas e seus porta-vozes, a começar por Lula. Dessa forma, conseguiu construir o seu “muro”, para usar uma metáfora pinçada da construção que Donald Trump prometeu ao seu eleitorado e cujo foco é o combate à migração a partir do México.
O “muro” de Trump ganhou o sistema cognitivo do eleitor conservador e nacionalista. O “muro” de Bolsonaro é a defesa da sociedade contra a bandidagem, além da promessa de combater “esquerdistas” de todos os quadrantes, principalmente aqueles que usam o verbo para lembrar a era da opressão aberta pelo golpe militar de 1964. Trata-se de um representante que expressa as ideias do nacionalismo à moda antiga, com uma abordagem amparada na burocracia militar-desenvolvimentista. Também é acusado por adversários de ser “autoritário, truculento, racista e homofóbico”.
Chegou a defender o fuzilamento de Fernando Henrique pelas privatizações que ele fizera, o que mostra a propensão para produzir frases de efeito, porém de alta aceitação em seus eleitores: “bandido bom é bandido morto”, “a polícia deveria matar mais”, entre outras. Promete, caso ganhe, inserir muitos militares no governo, porque são “incorruptíveis e moralmente superiores aos políticos”.
Nesse ponto, convém pontuar sobre a polêmica que seu discurso propicia. Se as massas aplaudem a “linguagem militarista”, sob o entendimento de que um militar no governo seria mais adequado para manter a ordem e a segurança social, o meio político teme por seu futuro,  enxergando em Bolsonaro o dirigente que tolheria a inserção de políticos na estrutura governativa, restringindo o balcão de trocas e fechando o circuito de interlocução entre Executivo e Legislativo.
A par da sombra autoritária que acompanha Bolsonaro, há dúvidas sobre seu desempenho até a reta final.  Seria possível a algum candidato, por mais populista que seja, suportar o massacre de atores que na campanha terão grande tempo de TV e rádio? Sem coligação, o capitão disporá de míseros 7 segundos. Poderá ter as redes sociais como artilharia. Ora, redes sociais não elegem ninguém. Mobilizam a militância. Essa é a dúvida que persiste no meio político, razão pela qual, apesar de liderar intenções de voto, Jair Messias Bolsonaro não sai do isolamento. Partidos receiam assumir compromisso com uma figura que abre tantas interrogações.
O enigma Bolsonaro continuará até mais adiante quando a campanha pegar fogo. Caso consiga atravessar a fogueira sem se queimar, é razoável pensar em milagre. A Bíblia não diz que o Messias andou sobre as águas na direção de seus apóstolos? Jair Bolsonaro tem um Messias de sobrenome.
Gaudêncio Torquato, jornalista, é professor titular da USP, consultor político e de comunicação Twitter@gaudtorquato

4 comentários:

Loumari disse...

Entre polémicas, Bolsonaro oficializa candidatura

https://www.youtube.com/watch?v=Uytc_wL4DO0

Jair Bolsonaro já é, oficialmente, candidato às presidenciais brasileiras de outubro. O antigo militar, conhecido pelas tiradas e posições polémicas, além da conhecida e assumida admiração pela ditadura militar, foi investido na convenção do Partido Social Liberal, no Rio de Janeiro. É um dos favoritos ao Palácio do Planalto e deve passar sem dificuldades à segunda volta. Uma candidatura que ganha força com ausência mais que provável do ex-presidente Lula, que continua preso por corrupção.

Em Goiás, no Estado de Goiânia, Bolsonaro teve um banho de multidão, naquilo que o próprio disse não ser um comício eleitoral. A polémica estalou quando defendeu a liberalização do porte de arma e ensinou uma criança a fazer o sinal da pistola com os dedos. O gesto foi repetido este sábado com mais uma criança.

Em resposta, um dos candidatos da esquerda, Guilherme Boulos, disse no Twitter que "Bolsonaro não é um adversário eleitoral, mas sim um adversário do Brasi"l.

A campanha de Bolsonaro tem surfado uma onda de populismo e contestação aos partidos e políticos que governaram o Brasil nas últimas décadas, entre escândalos de corrupção. Vários têm-se manifestado exigindo uma nova tomada de poder por parte dos militares. O país viveu uma ditadura militar, altamente repressiva, entre 1964 e 1985.


euronews (em português)

22 de Julho 2018

Anônimo disse...

Até agora muito parecido com a situação do Trump.

O Libertário disse...

Tenho quase 80 anos e só vejo o Brasil patinar enquanto continua com esses "mi-mi-mi's", esse vai e volta como um canguru maluco que dá um salto para frente, um de lado e um para trás voltando sempre ao mesmo lugar e ficando cada vez mais distante do mundo desenvolvido. Os brasileiros não têm o conhecimento de como fazer as coisa, o chamado "know how", dependem dos cérebros de outros povos para tudo na vida e parece que não querem aprender. Não produzimos quase nada e o que produzimos é com ferramentas e tecnologias criadas por outros. Não temos processos nem métodos próprios, não temos patentes nem prêmios de reconhecimento que nos orgulhem e nos elevem. Costumo jogar na cara das pessoas com que trato, para provocar (ou para ferir mesmo) que até para recolher o fluxo menstrual de nossas mulheres ou o cocô dos nossos bebês dependemos da tecnologias gringas (J&J, Kimberley Clark, P&G, e por aí vai). Os hunos tiveram Átila, os mongóis Gengis Khan, os cartagineses Anibal. Os povos precisam de líderes positivos que os conduzam às alturas. Os líderes esquerdistas já demonstraram mundo afora que não se esforçam por elevar seus povos, ao contrário, procuram desarmá-los, constrangê-los, humilhá-los, explorá-los e submetê-los aos seus caprichos e seu poder permanente. O povo brasileiro vem sendo constrangido e humilhado pelos seus "líderes" há décadas. Se encontrarmos um líder que expresse um mínimo gesto que seja de romper com essa prática degradante de liderança devemos apoiá-lo sem querer buscar a perfeição que sempre fica mais longe. No momento Bolsonaro surge e cresce como uma esperança nesse sentido. Ficar buscando picuinhas para diminuí-lo é apostar na continuidade do fracasso que já nos acostumamos a viver.

Williams Costa disse...

Devemos nos ajustar quanto a posição de defender nosso candidato. Devemos ter a razão e não o sentimento.
Tem melhor?
É o cara.