segunda-feira, 30 de julho de 2018

Paradoxal Brasil




Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Henrique Abrão e Laércio Laurelli

A terra do futebol treme e se agiganta no paradoxal Brasil. Uma Nação que tinha tudo para dar certo e nunca saiu do voo de galinha e entrou na mais profunda crise de sua história comandada pelo desgoverno, irresponsabilidade fiscal, e o golpe das urnas. Um Brasil que tem medo de marchar com as próprias pernas e para tudo e em tudo chama sempre a força do exército para intervir e por ordem na casa.

Um Brasil dividido, radicalizado e superado no tempo e no espaço.Aqui temos de tudo porém faltam infraestrutura, mão de obra qualificada e uma taxa de juros aceitável, talvez pudessem os bancos e as financeiras cobrar duas vezes e meia a taxa selic ao ano e teríamos uma moralização completa do mercado financeiro.

Mas não é só, os preços são amargos e salgados,quando no início do plano real, de saudosa memória os valores antes de 1,2, e até cinco reais tinham relevância. Hoje saímos para comprar e nem com duzentos reais conseguiremos um bom mercado ou feira completa, aviltamento do poder aquisitivo e a cegueira permanente que afunda a classe média e torna insuportável a vida dos menos favorecidos.

Qual seria a razão, se é que existe,para um Brasil rico de recursos naturais,de rios e energias renováveis,mas pobre e franciscano na sua governabilidade? Haveria de existir o fim dos chefes dos partidos políticos e do profissionalismo em geral, a mega reforma se chama política partidária, sem ela tudo é enganação e ilusão,seremos tragados por mais uma eleição que está por vir mas que não servirá para nada já que as regras do jogo continuam e perversidade da reeleição e a morte da autenticidade do voto pelas nada confiáveis urnas eletrônicas.

Tragados pela dívida pública, envoltos em tantos candidatos sem voz nem voto e isolados pelos acordos de blocos econômicos, assumiremos a presidência dos Brics, mas de pouca valia já que o norte desse relacionamento não permite um salto de qualidade e o reduzir da desigualdade social. As esquerdas praticamente mortes na América Latina. Cuba escreve nova Constituição e temos um grande desafio de manter saneamento, escolas e abertura de mercado. A Constituição dá com uma mão e a exploração da iniciativa privada retira com a outra.

Disparam os preços de combustíveis, de energia elétrica,do gás de cozinha,dos planos de saúde, das feiras livres,do ensino, dos remédios, e em marcha ré os salários aviltados, o funcionalismo público humilhado. Um desenho no qual mais de 5 milhões de idosos sobrevivem do crédito consignado,e mais de 6 milhões de empresas asfixiadas sem êxito no pagamento ou negociação de suas dívidas.

O Brasil paradoxal que expulsa milhares de brasileiros para tentar a sorte noutro continente e recebe mais refugiados que vieram tentar a sorte grande e não tem controle das fronteiras. Um País dominado pelas facções criminosas, pelo crime organizado e pelos interesses de castas e corporações que não consegue sair dos cartéis, monopólios e oligopólios.

Um Supremo Tribunal Federal que para longe de sua missão constitucional
se permite julgar processos sem importância alguma e demora de forma inaceitável em punir aqueles dotados de foro privilegiado. Uma minoria se diz detentora do poder e como privilegiada comanda a vida de milhões de brasileiros a cata de emprego, de dignidade e sobretudo de reconhecer que o nosso modelo de democracia pois mais paradoxal que possa parecer é ainda o melhor se fosse verdadeiro, transparente e tivesse a participação dos representantes da sociedade nos destinos da Nação.

Carlos Henrique Abrão (ativa) e Laércio Laurelli (aposentado) são Desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo.

Um comentário:

Anônimo disse...

O Brasil nos BRICS está como uma moringa de barro num time de rugby de bolas de boliche.
Todos os outros RICS são potências nucleares (Sim! Até a África do Sul!) e superpotências militares e tecnológicas (menos a África do Sul). Todos têm políticas nacionalistas agressivas e dão uma banana para as diretrizes da ONU e para as ONGs internacionais politicamente corretas, que aqui legislam e pautam a vida pública. Enfim, todos estão inseridos no projeto eurasiano, no qual o Brasil, único membro de civilização ocidental, faz o papel de rabo do cachorro, contente de posar de antiamericano, enquanto entrega toda a economia nacional ao controle da China.