quinta-feira, 5 de julho de 2018

Que caia a ficha logo



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Renato Sant’Ana

Lamentável! A balela do voto nulo segue nas redes sociais. Será que o distinto público não notou que, no Tocantins, bem mais da metade dos eleitores não votou em ninguém e, mesmo assim, o pleito não foi anulado?

Nas eleições suplementares para o governo de Tocantins, em 24/06/18, votos brancos, nulos e abstenções somaram 60,8%: mais da metade do eleitorado não escolheu ninguém. Houve 23,4% de votos nulos; 2,6%, votos em branco; e 34,8% não compareceram. Ou seja, só 39,2% dos eleitores votaram em um dos candidatos: menos da metade!

Mauro Carlesse recebeu 75,14% do pequeno montante de votos válidos: eleito. E Vicentinho Alves ficou com 24,86%.

Caiu a ficha? É falsa a campanha nas redes sociais para o eleitor anular o voto e provocar nova eleição! Parece ser uma aposta na patetice crédula de alguns eleitores.

Fique claro! O candidato que levar a maioria dos votos válidos, ainda que em número ínfimo, estará eleito. É a lei! Para que as eleições sejam anuladas e novas sejam marcadas, é preciso que a Justiça Eleitoral (não o eleitor) anule mais de 50% dos votos. É a correta leitura do art. 224 do Código Eleitoral. É bobagem, pois, dizer que, anulando voto, o eleitorado vai forçar novas eleições.

Agora, convenhamos, não escolher (nem que seja o menos pior), só para, depois, poder dizer "nada tenho a ver com isto que está aí!", é uma opção de vida cabulosa - muito ego, pouco espírito.

No tocantins, foi uma minoria que optou por influenciar os rumos da política, enquanto a maioria preferiu ser conduzida pela decisão dos outros. O que aí se vislumbra é desinteresse, não responsabilidade. Ou seria a omissão uma forma nobre de participar?

Ora, até quem se disfarça de samambaia compõe o cenário em que os políticos estão de olho, sensíveis que são à reação das massas. E votos nulos (forma de "participação passiva") aumentam a zona de conforto dos maus políticos. Faz melhor, pois, o eleitor que encara a responsabilidade de (por pouco que possa) interferir na política.

P.S. Releia no Alerta Total "Esclarecendo a confusão dovoto nulo":
http://www.alertatotal.net/2017/10/esclarecendo-confusao-do-voto-nulo.html

Renato Sant'Ana é Psicólogo e Bacharel em Direito.

2 comentários:

Anônimo disse...

Alguém já disse que a inteligencia tem limites, mas a ignorância não tem limites.O eleitorado brasileiro é de uma ignorância que não tem limites, senão vejamos: Uma grande parcela do povão alega não mais votar, ou anular porque não adianta nada, nessa parcela fazem parte também eleitores supostamente esclarecidos, com a mesma justificativa. O voto facultativo eliminaria parte desses ignorantes, por motivos óbvios, para desespero dos corruptos. Votariam apenas aqueles que querem participar dos destinos de seu país, mas que ainda não decidiram em quem votar. Cabe assim aos orgãos de divulgação como as redes sociais e principalmente o ALERTA TOTAL,que já é internacional, divulgar listas por todo o brasil e exterior, com os nomes dos candidatos com ficha limpa, para facilitar a escolha dos eleitores, que ainda continuam indecisos, por falta de opções.

Roberto Gouvea disse...

ELEIÇÕES 2018
NÃO SE DEIXE ENGANAR
ESTAMOS SENDO MANIPULADOS

O problema real não é a urna eletrônica e sim o sistema eleitoral, criado para manter a situação atual dos políticos e dos seus respectivos partidos.

A atual legislação eleitoral, em decorrência do quociente eleitoral, possibilita que apenas 7% dos deputados federais sejam eleitos pelo voto direto dos eleitores. O restante (93%), bem como os dois suplentes para cada senador, são indicados pelos respectivos partidos sem qualquer participação do eleitorado, proporcionalmente aos votos por legenda("efeito tiririca").

Com o quociente eleitoral seriam necessárias mais de mkdez eleições (mais de quarenta anos) para renovar todo o Congresso Nacional, que atualmente é composto por bandidos na sua quase totalidade. O mesmo sistema vale também para as eleições estaduais e municipais.

Ou seja, o problema real não é a urna eletrônica e sim o sistema eleitoral, criado para manter a situação atual dos políticos e dos seus respectivos partidos. Com o advento das "listas fechadas" por partido a situação fica ainda pior.

Atualmente, apenas
35 dos 513 deputados federais
5 dos 81 senadores
do Congresso Nacional (menos
de 7% do total), foram eleitos por voto direto, sendo o restante (93%) indicados pelos respectivos partidos, sem a participação direta do eleitor.

Antes de qualquer eleição, a intervenção cívica e militar é o único instrumento capaz de produzir a renovação que se faz necessária.
Roberto Gouvea