sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Bolsonaro é ameaça à Democracia ou à Oclocracia?


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Sérgio Alves de Oliveira

Depois das infundadas e fortes acusações contra JAIR BOLSONARO, candidato à Presidente da República, de que ele seria uma “ameaça à democracia”, partidas de políticos, jornalistas, formadores de opinião, grandes jornais, partidos políticos, candidatos, Universidades, e uma infinidade de “outros” desinformados e trapaceiros da política, é preciso que se coloque essa questão no seu devido lugar.

Para começo de conversa, com absoluta certeza, todos esses “acusadores” não fazem a mínima ideia do que seja uma verdadeira democracia. Esse modelo político que eles chamam de “democracia” não é nem nunca foi uma democracia. É pura corrupção da democracia. E na verdade não  poderia haver visão mais “caolha” que essa sobre  a verdadeira democracia.

Em “Política”, Aristóteles classificava as formas de governo em duas grandes vertentes:  as formas  PURAS e as  IMPURAS. As formas “puras”, seriam a MONARQUIA (governo de um só),a ARISTOCRACIA (governo dos mais capacitados), e a DEMOCRACIA (governo do povo). Já as formas “impuras” corresponderiam à TIRANIA, à OLIGARQUIA e à DEMAGOGIA, cada uma das quais representando, na ordem citada, a corrupção das formas puras antes enunciadas.

Mas Aristóteles somente deu o “pontapé” inicial nessa discussão, abrindo caminho para outros pensadores de primeira grandeza aperfeiçoarem os seus estudos e conclusões.

Decorreu quase dois séculos após Aristóteles  e surgiu também na Antiga Grécia o   geógrafo  e historiador POLÍBIO (203 a.C-120 a.C).  Políbio substituiu a “demagogia”, que Aristóteles classificara como a forma “impura”, a corrupção, da democracia, pelo que ele chamou de OCLOCRACIA, que apesar de abranger  a demagogia, ampliava significativamente os vícios da democracia, que não são poucos. Mas tanto a “demagogia”, de Aristóteles, quanto a “oclocracia”, de Políbio, tinham em comum a degeneração da democracia.

Desse modo a “oclocracia” seria uma democracia meramente FORMAL, desprovida de qualquer substância, ou essência. Num dos seus polos estaria a massa ignara, ingênua, carente  de consciência política, democraticamente desqualificada, portanto, presa fácil  dos trapaceiros que vivem da política;  e no outro polo, como “beneficiários” da oclocracia, a classe política constituída pela pior escória da sociedade, que faz  da política uma profissão bem remunerada e muitas vezes corrupta, absolutamente incapaz de sobreviver por outros meios como os demais trabalhadores da sociedade. O perfil desonesto dessa “gente” pode ser encontrado em boa amostragem  nas diversas operações  de combate à corrupção feitas pela Polícia Federal, como o “Mensalão” e a Operação” Lava Jato”, por exemplo.

Jamais uma democracia verdadeira poderia gerar uma “máquina” pública tão corrupta, mentirosa, ineficiente e “cara”, como a do Brasil. Prova disso, por exemplo, está num estudo da Organização “Transparência Brasil” (apresentado no Programa Bom Dia Brasil, da Globo), com detalhes sobre o custo do Congresso Nacional, infinitamente superior ao de  qualquer outro país muito mais rico e de Primeiro Mundo. Mas o mesmo se dá nos Poderes Executivo e Judiciário, onde os custos de manutenção superam os de qualquer outro país.

Não seria esse um dos principais motivos pelos quais a cobrança de tributos no Brasil é “campeã” mundial, considerando o volume da arrecadação  e o efetivo  retorno à sociedade? E de onde viria o dinheiro da corrupção sistêmica? Não seria também dos escorchantes  tributos exigidos da sociedade?

Mas concordo integralmente que Bolsonaro pode estar representando  uma “ameaça à democracia”. Mas não à democracia verdadeira, porém à democracia deturpada, degenerada, corrompida, ”às avessas”, ou seja, à OCLOCRACIA, tão bem representada  pelos delinquentes da política  que o acusam.

E se de fato Jair Bolsonaro representar uma “ameaça” contra essa “democracia”, certamente  esse será o maior mérito da sua candidatura. Essa “democracia” não merece outro destino que não o de ser jogada ao “lixo” , com todos os seus “pertences” e defensores.

E se me fosse dado o direito de aconselhar o candidato Bolsonaro, creio que ele deveria avançar muito mais nas suas atitudes contra essa “democracia” deturpada. Parece que ele tem uma certa dificuldade de enxergar que, mesmo saindo vitorioso e tomando posse, jamais conseguiria governar como deveria se ficasse dependente  da “democracia” do  Congresso Nacional e da “justiça” do  Supremo Tribunal Federal.

Se quisesse fugir do fracasso, Bolsonaro teria que encontrar outros caminhos que não os das “vias normais”, de submissão à essa “democracia” e “Estado-de-Direito” corrompidos.

Por tais razões, Jair Bolsonaro não é nenhuma “ameaça à democracia” . Mas é uma ameaça, sim, à “oclocracia”.                                                                                                                                        
Sérgio Alves de Oliveira é Advogado e Sociólogo.

Um comentário:

jomabastos disse...

Certamente que Bolsonaro vencerá o primeiro turno das presidenciais.

Mas, Bolsonaro é uma ameaça à sua própria vitória como candidato presidencial, pelo simples fato de que ele não tem um discurso moderado e assumidamente liberal, que tenha uma forte e potencial capacidade para atrair no segundo turno eleitoral os votos necessários dos indecisos, dos brancos e dos apoiantes dos candidatos que não passarão para o turno final.

Se o Bolsonaro não melhorar o seu discurso, pode vir a perder as eleições como candidato presidencial e assim dar continuidade à oclocracia ou à "ditadura democrática" que atualmente se vive neste país, ou seja, a derrota do Bolsonaro nestas eleições pode ser considerada uma ameaça à implantação do liberalismo e da democracia no Brasil.

Se a vitória do Bolsonaro não acontecer, irá ser necessária uma Intervenção Constitucional que construa uma nova Constituição e uma nova Legislação com vínculo assumidamente liberal e democrático, que não deixe quaisquer dúvidas quanto à sua interpretação.