domingo, 26 de agosto de 2018

Iconoclastas da Nacionalidade



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Ernesto Caruso

A revista DEVER DE CASA, referente à Proclamação da República, em determinado trecho faz uma citação à Guerra dos Farrapos, acrescentando que “O “herói” dos massacres, Luiz Alves de Lima e Silva, foi recompensado por matar rebeldes do Norte e do Sul do país, recebendo os títulos de barão e em seguida de Duque de Caxias – ele é o patrono do Exército Brasil.

A Constituição Federal assegura aos seus autores a livre manifestação do pensamento e a liberdade de expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença.  Eis que alguns historiadores estão abusando desses direitos e garantias para gáudio ou indiferença dos seus patrões, de forma exagerada, esquecendo os seus compromissos com a Pátria e com os direitos dos seus patrícios. À parte a ironia dos escribas, há que se considerar a torpe acusação ao Duque de Caxias de matador em busca de recompensas, como se fosse um jagunço a serviço do poderoso chefão, implacável na degola de um seu serviçal ao gaguejar na sua fala.

Caxias é sinônimo de retidão, incorporado ao vernáculo em reconhecimento popular ao que representou o Duque, passando a significar a qualidade de uma pessoa cumpridora  dos seus deveres com extremo escrúpulo.   Os nomes dos escritores e dos seus padrinhos jamais passarão para a história, pois estão longe das realizações do Patrono do Exército Brasileiro, que participou das guerras pela independência na Bahia e na Cisplatina, ainda no começo da sua vida militar. Sua atuação foi importantíssima na manutenção da unidade nacional, neutralizando as repúblicas que os revoltosos tentaram formar, o que teria fragmentado o Brasil, como ocorreu na América espanhola. Pacificou o Maranhão, o Pará, São Paulo, Minas Gerais e o Rio Grande do Sul e comandou as campanhas contra Oribe, no Uruguai, e Rosas, na Argentina, culminando com a Guerra do Paraguai.  Seus títulos não foram recebidos no tempo de três linhas de ofensas mal arranjadas, nem tão rápido ascendeu de barão a duque; representaram o reconhecimento da Pátria  à sua vida de lutas no longo período de 1815 a 1869.
A Guerra Farroupilha(1835-1845) tem um fato que vale destacar nesta oportunidade, pois nos enche de orgulho pelo patriotismo do gaúcho, vivenciado nos embates lindeiros do sul. A liderança dos farroupilhas, ao receber uma proposta de apoio dos uruguaios para combater as tropas do império, responde-lhes que o sangue do primeiro que atravessasse a fronteira, invadindo o território brasileiro, serviria para selar a paz com os reinóis. A Paz de Ponche Verde, mais tarde concretizada por Caxias, produziu uma conquista de inestimável valor, ao reconhecer a alforria dada aos escravos que combateram ao lado dos farroupilhas. Foi uma primeira abolição da escravatura, baseada no espírito humanitário e conciliador do vencedor, que não mandava fuzilar os vencidos.
A livre expressão não é um balão solto no espaço, sem o fundamento da verdade e as amarras da responsabilidade.  A liberdade de cátedra não dignifica os mestres em acusações e ofensas levianas aos heróis consagrados, acarretando-lhes danos morais e ferindo-lhes a honra.  Não se pode esquecer que enfrentaram as armas do inimigos em defesa da Pátria e da Bandeira, nas condições mais adversas que as nossas mentes possam imaginar e conduzir a mais de um século atrás, muito diferente dos ácaros dos ambientes de ar condicionado e carpete que essas penas desastradas convivem em contato com o papel que tudo aceita sem reagir. Não. Esse não é o caminho do engrandecimento da Pátria, sonho daqueles heróis e de nós brasileiros.  É o descaminho de inspiração externa, acatado por alguns a soldo, por outros em busca de notoriedade e pelos, sempre presentes, ingênuos colaboradores.

Mas, os detratores procuram outros meios de destruição da nacionalidade, colocando várias cunhas de desestabilização, como no campo psicossocial, forjando quistos de nações e dissensões raciais, no econômico, subordinando-a ao capital internacional e manietando o crescimento tecnológico, no político, avalizando a superposição do Executivo sobre o Legislativo e a apatia às pretensões e pronunciamentos de representantes de governos estrangeiros e por fim, no campo militar, pelo enfraquecimento das suas Forças Armadas.  É preciso corrigir os rumos praticados, exercendo os mecanismos de proteção da sociedade.

Seguindo a mesma orientação da revista, o jornal estampou na sua primeira página a seguinte manchete: “Ex-soldados acusam o Exército brasileiro de matar garimpeiros.”  Sintam a ofensa à instituição, que busca impregnar as mentes das pessoas contra uma organização que detém um dos maiores índices de credibilidade junto ao povo brasileiro.  Se nada ficar provado, vira notícia de segundo caderno, no pé da página.  Chega a causar asco.

Sem embargo, a Constituição Federal assegura aos ofendidos o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano moral ou à imagem. Não se pode difamar as pessoas sob a falsa proteção da liberdade de cátedra. A acusação de matador é grave e está bem clara na aludida revista.  Tem o mesmo significado do ato perpetrado por um religioso ao agredir a ponta-pés, num programa de televisão, a imagem de Nossa Senhora da Aparecida, Padroeira do Brasil, configurando nítida ofensa à liberdade de consciência e de crença. São direitos invioláveis previstos na mesma Constituição que levaram o referido agressor a uma punição por via judicial e a reprimendas de toda ordem pela televisão e pelos jornais.

Cabe então buscar a reparação dos atos não só impatrióticos, como agressores da moral e da imagem de quem foi soldado e estadista e cuja vida foi de irreparável dedicação ao País.  Será uma cobrança justa por parte do Exército, das demais Forças, dos Clubes Militares e de todos nós brasileiros. 


Ernesto Caruso é Coronel de Artilharia com Estado-Maior reformado. Originalmente publicado N’O FAROL JUN2000 e no livro BRASILIDADES.

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