domingo, 19 de agosto de 2018

O fator Honestidade na eleição 2018



Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

Na década de 30 do século passado, o imortal Noel Rosa, um dos maiores gênios da música popular brasileira, concebeu uma canção que, certamente, tirou o sono de muito político. Foi um modo coloquial, didático e musical de chamar a atenção para o fenômeno da corrupção no Brasil. Não só sob o ponto de vista da politicagem, mas também da histórica fraqueza moral do brasileiro. O título pergunta: “Onde está a Honestidade?”.

Você tem palacete reluzente
Tem jóias e criados à vontade
Sem ter nenhuma herança nem parente
Só anda de automóvel na cidade

E o povo já pergunta com maldade:
Onde está a honestidade?
Onde está a honestidade?

O seu dinheiro nasce de repente
E embora não se saiba se é verdade
Você acha nas ruas diariamente
Anéis, dinheiro e até felicidade

Vassoura dos salões da sociedade
Que varre o que encontrar em sua frente
Promove festivais de caridade
Em nome de qualquer defunto ausente

A Honestidade evocada pelo genial Noel será o fator decisivo na eleição 2018. Quem não tiver mancha de corrupção sobre seu currículo pessoal e político levará vantagem. A politicagem carcomida, sinônimo de roubalheira, ainda terá como se eleger pelos mecanismos de fraude eleitoral e compra de voto. A novidade é que o método usado por tais bandidos já é percebidos facilmente pelo eleitorado interligado em redes sociais. O processo de depuração acontece em tempo real.

A mudança é lenta. Mas já está em andamento. O fenômeno já explorado pelos marketeiros de muitas campanhas eleitorais neste ano. A maioria das pessoas cansou da tradicional eleitoragem. A revolta do eleitor tende a levar a cidadão a dois comportamentos. Ou vai para a dedada eletrônica consciente da pessoa em quem votará ou o eleitor vai teclar nulo ou branco – de repente nem indo praticar o ato obrigatório de votar. O baixo valor da multa aparentemente compensa não sair de casa no dia 7 de outubro. Previsão de abstenção ou renúncia de voto é de 25% a 30%.

A fuga do eleitor oferece o risco de que a eleição presidencial e para alguns governos estaduais seja decidida já no primeiro turno. Candidatos com 25 a 30% dos votos válidos podem ser premiados com a vitória antecipada. Outra previsão factível é que haverá alguma renovação qualitativa dos eleitos para as câmaras legislativas. Muita gente nova na política vai despontar... Tomara que não acabe abduzida pela politicagem... Não será fácil impedir que tal corrupção aconteça...

Infelizmente, a renovação não será quantitativa, porque os esquemas ilegais de escolha não foram desmontados. O caixa 2 reinventado dificilmente será flagrado. Muitos bandidos seguirão “deputando”... O dinheiro aqui roubado por décadas já retornou para ser “esquentado” na eleitoragem deste ano... Uma parte vai para compra de imóveis no mercado imobiliária que aqueceu de uma hora para outra... Outra parte vai para o “investimento” nos votos... Compra de voto... Venda de consciência...

O eleitor é refém deste processo que precisa ser mudado o mais rapidamente possível. Não podemos mais ser reféns de partidos políticos que funcionam como cartórios que negociam vagas a candidatos com alguma popularidade ou muita grana. A Reforma Política é inadiável no Brasil. Voto Distrital é imprescindível. Barateará a campanha, e permitirá a pressão direta e próxima do eleitor sobre o eleito. Candidaturas independentes dos partidos precisam ser aceitas. A votação eletrônica até pode continuar, desde que também tenhamos a impressão física do voto para recontagem.

O eleitor hoje refém tem uma pequena chance de vingança. O foco é votar em pessoas novas na política e que demonstrem, com o máximo de provas objetivas, que são honestas e, sobretudo, competentes para a vida pública. Elas existem – apesar do pessimismo generalizado do eleitorado. Reeleja ninguém... Aliás, reeleição deveria acabar ou, no máximo, só ser permitida por uma vez. Política não deve ser profissão. Lamentavelmente, no Brasil é... Isto tem de mudar...

“Onde está a Honestidade?”... A gente tem de encontrar... Só não alimente a ilusão de que, na atual condição de debilidade institucional, em meio a uma guerra de todos contra todos os poderes, a eleição seja a solução... Não é... Mas tente não transformá-la em um problema ainda maior... 

Bem definida

Do leitor Drausio Pinho sobre o papel da Organização das Nações Unidas:

“A ONU NÃO é otária. Ela foi, é e continua sendo a MÃE de todas as ONGs. Ela deu início a atual fase de (fim) de História que vivemos e continua a gerar e a verter o chorume ideológico que contamina a tudo e nos atormenta no dia-a-dia, ao redor do mundo”.



Pedido de socorro aos leitores

Releia o artigo de domingo: O Meu Ladrão de celular na bicicleta

Leitores, amigos e inimigos que quiserem e puderem nos ajudar na “vaquinha” para cobrir o prejuízo com a perda do meu celular instrumento de trabalho, favor depositar qualquer contribuição pelos seguintes meios abaixo.

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Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus. Nekan Adonai!

O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Independente, analítico e provocador de novos valores humanos, pela análise política e estratégica, com conhecimento criativo, informação fidedigna e verdade objetiva. Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos. 
A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. Nada custa um aviso sobre a livre publicação, para nosso simples conhecimento.

© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 19 de Agosto de 2018.

6 comentários:

Francisco Chagas disse...

Bolsonaro ja era, agora é cabo Daciolo


Anônimo disse...

Um ótimo artigo fechado com uma paupérrima transcrição de um comentário de alguém, que é incapaz de saber interpretar a legislação e a política corrupta que vivemos neste Brasil, alegando que o Lula - eu sou totalmente contra a eleição do Lula ou de qualquer comunista - não tem o direito de promover a sua campanha eleitoral estando preso, num país em que já existiram casos de indivíduos que foram eleitos e tomaram posse no presídio, porque simplesmente a legislação e a Constituição o permitem. Desde o momento que o TSE oficializa uma candidatura, o candidato tem direito a realizar a respetiva campanha eleitoral.
Atualmente a cultura social e acadêmica deste país exala a chorume, pois os seus críticos não olham nas gravíssimas dificuldades que o povo brasileiro vive nesta Nação, mas sim regozijam-se em criticar as diversas organizações mundiais existentes e a maioria dos países desenvolvidos - excepção feita aos EUA - , sendo esta uma das muitas razões porque vivemos subjugados a um subdesenvolvimento generalizado.


Anônimo disse...

DIZEM QUE A CORRUPÇÃO FOI OFICIALMENTE INAUGURADA QUANDO D. JOÃO VI, FUGIU PARA O BRASIL, COM MEDO DAS TROPAS DE NAPOLEÃO QUE ESTAVA INVADINDO A EUROPA DE LÁ PRA CÁ, ELA FOI APERFEIÇOADA DE TAL MANEIRA, QUE PASSOU A SER UM MODUS VIVENDI DOS POLITICOS E ACEITO PASSIVAMENTE PELO POVÃO IGNARO E PELA CLASSE MÉDIA QUE TAMBEM JÁ NAQUELA ÉPOCA FRAUDAVA O IMPOSTO DE RENDA E AS BALANÇAS QUE PESAVAM OS PRODUTOS ERAM VICIADAS. HOJE EM DIA, ATINGIMOS A PERFEIÇÃO, COM AS URNAS ELETRONICAS VICIADAS CUJA APURAÇÃO É FEITA NO TSE A PORTAS FECHADAS, MODALIDADE INAUGURADA NAS [ULTIMAS ELEIÇÕES, PELO PRESIDENTE DO TSE, MINISTRO DO STF DE TRISTE MEMORIA. PARODIANDO NOEL ROSA ONDE ESTÁ A HONESTIDADE, ACRESCENTO NINGUÉM SABE O GATO COMEU. !!!

Loumari disse...

Portugal: Queda no desemprego é a maior de que há registo

Subida do emprego é a segunda mais alta das séries do INE, que remontam a 1999. Número de desempregados jovens desce mais devagar. Taxa cai para 8,2% em novembro.

ortugal tinha, em novembro, cerca de 424 mil pessoas sem trabalho, uma quebra de 21,2% no espaço de um ano. São menos 114 mil pessoas no contingente de desempregados. Esta descida é a maior de que há registo nas séries do Instituto Nacional de Estatística (INE), que remontam a 1999. A restauração, que paga salários na casa dos 600 euros brutos, segundo um estudo do governo, é dos setores que mais estará a dinamizar a retoma laboral.

No grupo dos jovens (pessoas entre os 15 e os 24 anos) também se nota uma tendência de descida, mas mais suave. Havia 89,7 mil jovens sem trabalho em novembro, menos 9% em termos homólogos. São menos 9000.

A taxa de desemprego caiu, em novembro, para 8,2% da população ativa, a taxa mais baixa desde finais de 2004 (dados provisórios). A taxa de outubro baixou para 8,4% e já é definitiva, sendo também a mais reduzida desde o início de 2005.

Ao mesmo tempo, a criação de emprego na economia também confirma a ideia de que o mercado de trabalho está a ficar mais robusto. A subida no emprego é das mais fortes de que há registo. Em novembro, o emprego terá avançado 3,5% em termos homólogos, para um total de 4,745 milhões de postos de trabalho. Esta subida é a segunda maior de que há registo.

Em termos absolutos, a economia terá criado 159 mil empregos no ano que acaba em novembro. Fazendo o balanço da legislatura, significa que Portugal tem agora mais 242 mil empregos face a novembro de 2015, quando o governo PS assumiu o poder.

O desemprego jovem, depois de ter atingido um mínimo de 83,2 mil casos, piorou até um pico intra--anual de 92,9 mil em outubro. Em novembro, a estimativa provisória indica que voltou a baixar, para 89,7 mil jovens desempregados.

António Costa não demorou a reagir ao INE. "2017 foi o ano de maior crescimento económico desde o início do século, de forte redução do desemprego, como hoje o INE confirmou com a previsão da taxa de desemprego em outubro de 8,4% e a previsão de podermos chegar a dezembro com 8,2%".

O último inquérito ao emprego relativo ao terceiro trimestre, divulgado em novembro, já mostrava que quase 40% do emprego criado num ano vinha das atividades "alojamento, restauração e similares"; estas criaram 53 mil novos postos de trabalho.

Ontem, um estudo do governo veio reforçar a ideia de que estas atividades, ligadas ao turismo, estão a contribuir para a retoma, embora os salários continuem a ser baixos.

O estudo que acompanha o impacto da descida do IVA na restauração (em julho de 2016) indica que o emprego aumentou mais de 9% em termos homólogos, no primeiro semestre de 2017, depois de o IVA ter descido de 23% para 13%. Estão em causa mais 19 573 trabalhadores, num setor que emprega, no total, 227 900 pessoas.

A remuneração média nos restaurantes e cafés subiu 3,6%, para 621 euros, muito influenciada pela atualização do salário mínimo do ano passado (de 530 para 557 euros). O estudo indica que o salário médio praticado na restauração e similares, embora maior, equivale a menos de 70% do salário médio bruto nacional.

https://www.dn.pt/dinheiro/interior/queda-no-desemprego--e-a-maior-de-que-ha-registo-9032942.html

Loumari disse...

O PAÍS QUE NÃO MERECE SER DESENVOLVIDO

Por João César das Neves – Economista

PORTUGAL FEZ TUDO ERRADO, MAS CORREU TUDO BEM.

Esta é a conclusão de um relatório internacional recente sobre o desenvolvimento português.

Havia até agora no mundo, países desenvolvido, subdesenvolvidos e em vias de desenvolvimento. Mas acabou de ser criada uma nova categoria: os países que não deveriam ser desenvolvidos. Trata-se de regiões que fizeram tudo o que podiam para estragar o seu processo de desenvolvimento e... falharam.

Hoje são países industrializados e modernos, mas por engano. Segundo a fundação europeia que criou esta nova classificação, no estudo a que o DN teve acesso, este grupo de países especiais é muito pequeno. Alias, tem mesmo um só elemento: Portugal.

A Fundação Richard Zwentzerg (FRZ), iniciou há uns meses um grande trabalho sobre a estratégia económica de longo prazo. Tomando a evolução global da segunda metade do século XX, os cientistas da FRZ procuraram isolar as razões que motivavam os grandes falhanços no progresso. O estudo, naturalmente, pensava centrar-se nos países em decadência. Mas, para grande surpresa dos investigadores, os mais altos índices de aselhice económica foram detectados em Portugal, um dos países que tinha também uma das mais elevadas dinâmicas de progresso.

Desconcertados, acabam de publicar, à margem da cimeira de Lisboa, os seus resultados num pequeno relatório bem eloquente, intitulado: 'O País Que Não Devia Ser Desenvolvido'

O Sucesso Inesperado dos Incríveis Erros Económicos Portugueses.

Num primeiro capítulo, o relatório documenta o notável comportamento da economia portuguesa no último meio século. De 1950 a 2000, o nosso produto aumentou quase nove vezes, com uma taxa de crescimento anual sustentada de 4,5 por cento durante os longos 50 anos. Esse crescimento aproximou-nos decisivamente do nível dos países ricos. Em 1950, o produto de Portugal tinha uma posição a cerca de 35 por cento do valor médio das regiões desenvolvidas.

Hoje ultrapassa o dobro desse nível, estando acima dos 70 por cento, apesar do forte crescimento que essas economias também registaram no período. Na generalidade dos outros indicadores de bem-estar, a evolução portuguesa foi também notável.

Continua

Loumari disse...

Continua Portugal

Temos mais médicos por habitante que muitos países ricos. A mortalidade infantil caiu de quase 90 por mil, em 1960, para menos de sete por mil agora. A taxa de analfabetismo reduziu-se de 40 por cento em 1950 para dez por cento.

Actualmente a esperança de vida ao nascer dos portugueses aumentou 18 anos no mesmo período. O relatório refere que esta evolução é uma das mais impressionantes, sustentadas e sólidas do século XX. Ela só foi ultrapassada por um punhado de países que, para mais, estão agora alguns deles em graves dificuldades no Extremo Oriente. Portugal, pelo contrário, é membro activo e empenhado da União Europeia, com grande estabilidade democrática e solidez institucional. Segundo a FRZ, o nosso país tem um dos processos de desenvolvimento mais bem sucedidos no mundo actual.

Mas, quando se olha para a estratégia económica portuguesa, tudo parece ser ao contrário do que deveria ser. Segundo a Fundação, Portugal, com as políticas e orientações que seguiu nas últimas décadas, deveria agora estar na miséria. O nosso país não pode ser desenvolvido. Quais são os factores que, segundo os especialistas, criam um desenvolvimento equilibrado e saudável? Um dos mais importantes é, sem dúvida, a educação.

Ora Portugal tem, segundo o relatório, um sistema educativo horrível e que tem piorado com o tempo. O nível de formação dos portugueses é ridículo quando comparado com qualquer outro país sério. As crianças portuguesas revelam níveis de conhecimentos semelhantes às de países miseráveis. Há falta gritante de quadros qualificados. É evidente que, com educação como esta, Portugal não pode ter tido o desenvolvimento que teve. Um outro elemento muito referido nas análises é a liberdade económica e a estabilidade institucional. Portugal tem, tradicionalmente, um dos sectores públicos mais paternalista, interventor e instável do mundo, segundo a FRZ. Desde o 'condicionamento industrial' salazarista às negociações com grupos económicos actuais, as empresas portuguesas vivem num clima de intensa discricionariedade, manipulação, burocracia e clientelismo. O sistema fiscal português é injusto, paralisante e está em crescimento explosivo. A regulamentação económica é arbitrária, omnipresente e bloqueante.

É óbvio que, com autoridades económicas deste calibre, diz orelatório, o crescimento português tinha de estar irremediavelmente condenado desde o início. O estudo da Fundação continua o rol de azelhices, deficiências e incapacidades da nossa economia. Da falta de sentido de mercado dos empresários e gestores à reduzida integração externa das empresas; da paralisia do sistema judicial à inoperância financeira; do sistema arcaico de distribuição à ausência de investigação em tecnologias. Em todos estes casos, e em muitos outros, a conclusão óbvia é sempre a mesma: Portugal não pode ser um país em
forte desenvolvimento.

Os cientistas da Fundação não escondem a sua perplexidade.

Citando as próprias palavras do texto: 'Como conseguiu Portugal, no meio de tanta asneira, tolice e desperdício, um tal nível de desenvolvimento?'

A resposta, simples: é que ninguém sabe.

Há anos que os intelectuais portugueses têm dito que o País está a ir por mau caminho. E estão carregados de razão. Só que, todos os anos, o País cresce mais um bocadinho.

A única explicação adiantada pelo texto, mas que não é satisfatória, é a incrível capacidade de improvisação, engenho e 'desenrascanço' do povo português.

No meio de condições que, para qualquer outra sociedade, criariam o desastre, os portugueses conseguem desembrulhar-se de forma incrível e inexplicável.

O texto termina dizendo: 'O que este povo não faria se tivesse uma estratégia certa?

O que foi publicado em 18/05/2008