segunda-feira, 20 de agosto de 2018

O Teto e os Sem-Teto



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Henrique Abrão e Laércio Laurelli

A discussão sobre o reajuste dado pelo STF e a iminência do julgamento sobre a legalidade do auxílio moradia aprofundam o debate entre o teto e sem teto. Explicaremos em detalhes e riqueza de argumentos. O mote do governo e do parlamento é que o teto salarial não pode ser excedido, mas não consideram a inflação, a cláusula pétrea de irredutibilidade e as condições adversas de trabalho, sem o auxilio moradia que deveria ser convolado em auxilio saúde, os magistrados logo se tornarão sem teto, já que ao iniciarem a carreira nos mais distantes lugares, são obrigados a ter um domicilio para abrigar as mágoas da comunidade e solucionar os impasses locais.

Chamamos a balela do teto a mais vergonhosa situação que não pode prevalecer. O último aumento sucedeu em 2015 e de lá para cá a inflação carcome mais de 30%,apenas os planos subiram mais de 100 por cento e se entrar na faixa etária em alguns casos 200%, não façamos comparação com a crise e o número de desempregados e sem colocação com registro em carteira. Essa psicotecnia foi criada e gerada no seio do desgoverno, e as entidades polícia,ministério público e justiça o que estão fazendo é moraliza ro mercado recuperando dinheiro roubado e da corrupção, muitos bilhões voltando aos cofres da empresa.

Acaso o salário fosse como em multinacionais equiparado à moeda estrangeira concordaríamos com o teto,assim dez mil euros ou dez mil dólares,mas dizer que 33 mil reais é um teto justo em momento ímpar não tem explicação,principalmente pelo que a sociedade deseja dos julgadores e aguarda seu desempenho diariamente para responder aos seus anseios. 

Os sem teto invadem, entram em prédios, tocam fogo no gado,sitiam fazendas e por lá permanecem, os magistrados depenados pelos salários defasados e sem o auxilio moradia, logo logo, escassearam e poucos se interessarão pela carreira, querendo ingressar em tantas outras como no feudal modelo cartorial que remunera ao ano seu lucro de 15 bilhões de reais, e ninguém fala nada, como se não fosse uma atividade delegada pelo Estado.

Os magistrados exercem as funções de correição e supervisionam cartórios extrajudiciais que ganham montanhas de dinheiro, sem teto. O projeto no Congresso foi barrado pelo lobby, e continuaremos na rota de colisão entre o subdesenvolvimento e o ataque midiático e gratuito como alguns candidatos dizem que fazemos parte da elite.

Felizmente no primeiro mundo esse reles discurso está de há muito engavetado, pois na caixinha só Papai Noel será capaz de trazer um presente no Natal às vésperas descomunal pleito eleitoral, sem luzes no final túnel.

Carlos Henrique Abrão (ativa) e Laércio Laurelli (aposentado) são Desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo.

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