segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Salvadores Sem Pátria



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Henrique Abrão e Laércio Laurelli

Aproximam-se as eleições presidenciais. Todos já lançaram as suas chapas e seus respectivos vices, tanto presidente mas também governadores. Sentimos no ar um feeling pelos discursos feitos de salvadores da pátria. Mas não é bem assim. O Brasil com receio da esquerdização e da radicalização direitista não encontrou o meio e balança pendularmente ao sabor da maré alta ou baixa.

Um grave problema que nos acompanha desde a redemocratização, incluindo uma nefasta reeleição que até hoje pagamos a conta. O melhor seria conferir um mandato de 5 anos, sem reeleição e, pela representatividade, encontrar um representante no parlamento, uma espécie de semi parlamentarismo. Com a perda da maioria o presidente continuaria e o indicado no parlamento convocaria eleições para o Legislativo. Mas não é essa a nossa tradição.

Copiamos o modelo americano, mas somos milhares de vezes diferentes em tudo. Há uma tendência, sem viés de juízo valorativo, de uma militarização civil nas campanhas, percebam pelos vices e também nos palanques. Assim teríamos a revolução da revolução. Contudo, o que necessitamos, no momento, são três fundamentos. Saneamento, saúde e segurança, mas tudo depende da economia e do crescimento com desenvolvimento.

Bem disseram vários que o modelo faliu. Não foi ele e sim o Brasil que faliu, pois esbanjou de benesses e corroeu a dívida pública, com sérias e constantes ameaças. O Presidente, ousamos dizer, precisaria fazer 500 anos em 5. Sim, não é piada, pois que não temos tradição, história e democracia de direito e sim uma ditadura econômica na qual os mais favorecidos ganham sobre a miserabilidade da maioria.

Discursos que nada acrescentam, de mera categoria que desfavorece ao Brasil e para ganhar voto, como tirar 60 milhões de brasileiros do crédito negativo e mais de 5 milhões de empresas à beira da insolvência. Ninguém encontra a resposta, talvez fazendo um refinanciamento com uma anistia parcial. O que nos causa atraso é o fim da classe média, já que a média alta rumou para o exterior. Criamos um culto à miserabilidade, e somente não caímos no engodo por força do impedimento presidencial.

Perdemos, no mínimo, 8 anos de atraso e retrocesso com os
discursos de enganação e de corrupção. Não há salvadores da pátria. Os candidatos devem saber que os próximos anos serão complicados colocando freio de arrumação na casa. Não há milagres, e tentar chamar para si a segurança como se fosse um escudo para agradar a
população não nos convence.

O essencial é tirar o Brasil do endividamento, realizar saneamento em todo o País, fazer um choque de gestão na saúde,e daí as consequências serão tratadas naturalmente. Desde o plano real que já acabou há muitos anos, pois que a inflação se escamoteia e os reajustes salariais são para inglês ver, fato é que temos os preços mais caros do Planeta. Nem os estrangeiros conseguem sobreviver na terra brasilis. A ineficiência do Estado se apega à gula de empresários que somente visam ao lucro.

Não haverá tempo para consertar a casa se não tivermos sangue frio e cabeça no lugar para não nos lançarmos no jogo sem volta da radicalização e do distanciamento dos mercados globalizados. Viramos presa fácil. Estão comprando tudo na bacia d alma e dizem que é privatização. Até as terras, as riquezas minerais,do solo e do subsolo em mãos alienígenas. O que nos sobrará daqui uma década, nem as águas dos rios doce e salgado cujas multinacionais e cervejarias cobiçam.

O que estamos assistindo nas eleições não são candidatos que desfrutam de mérito, mas sim do demérito de governos frustrados que germinam candidaturas alopradas e obsequiosas, sem falar no surreal ambicionar de um condenado, usurpando a legalidade,se tornar presidenciável. É o fim da picada. E querem reformar, mas não sabem que sem homens preparados, verdadeiros estadistas, nos tornaremos, em muito pouco tempo, uma Pátria sem salvação.

Carlos Henrique Abrão (ativa) e Laércio Laurelli (aposentado) são Desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo.

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