domingo, 9 de setembro de 2018

A Democracia: “Deus no acuda”



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Sérgio Alves de Oliveira

O que fazer quando a democracia se torna na quase totalidade na escolha do pior, como é hoje no Brasil?

A prática da democracia brasileira sem dúvida está desmoralizando toda a virtude originária desse excepcional modelo político, que no passado conseguiu desbancar e substituir os regimes absolutistas e propiciou um grande salto da humanidade na busca do desenvolvimento social, político e econômico.

Recordando Aristóteles, em “Política”: ”não importa o regime ou a forma de governo, o que importa é a VIRTUDE no seu exercício”.                                                                                                                                       

Dessa concepção, segundo o mesmo filósofo, resulta que  qualquer uma das  FORMAS PURAS  de governo, pressupondo VIRTUDES POLÍTICAS,  consistentes na MONARQUIA (governo de um só), na ARISTOCRACIA (governo dos melhores), ou na DEMOCRACIA (governo do povo), conseguirá atender satisfatoriamente  as necessidades de qualquer povo.

Afastada a virtude  em qualquer uma das formas  de governo, tornando-a  por isso mesmo uma forma “impura”, degenerada, corrompida, surge necessariamente  a TIRANIA (corrupção da Monarquia), a OLIGARQUIA (idem da Aristocracia), e a DEMAGOGIA (idem da Democracia).

O historiador e geógrafo da Antiga Grécia, POLIBIO, substituiu a “demagogia”, que Aristóteles consagrara como corrupção da “democracia”, pela OCLOCRACIA, conservando a “demagogia”, porém ampliando nesse título o elenco de  vícios que podem impregnar a democracia.                                                     

Portanto a OCLOCRACIA seria a DEMOCRACIA falsa, degenerada, corrompida, malformada, praticada por um eleitorado desprovido de consciência  e educação democrática amadurecida, invariavelmente favorecendo a ralé, a escória da sociedade, atraída para a  política  e dela fazendo uma profissão desonesta e muito lucrativa.

Ao que tudo indica, o “quadro” político do Brasil, às vésperas da eleição de 7 de outubro, que definirá os eleitos para Presidente da República, Governadores, Senadores e Deputados Federais e Estaduais , está perfeitamente delineado para que se possa enquadrá-lo em algum dos modelos de governo e de política  preconizados por Aristóteles e Políbio, considerando não só as probabilidades dos candidatos a serem eleitos, como também o atual “plantel” de políticos governando e legislando.

Com certeza não haverá mudança substancial do quadro hoje existente. Mais de 80% serão eleitos. Talvez haja uma mudança importante de titular e “estilo” na Presidência da República. Mas se isso eventualmente acontecer, ainda será muito pouco para uma efetiva mudança do panorama político global.

Quem examinar a nominata dos candidatos à Presidência da República, por exemplo, ficará certamente pasmo, “arrepiado”, com o baixo nível da quase totalidade dos candidatos.

Faltaria espaço para ampliar esse tema. Mas uma “amostragem” parece que seria   o suficiente. No Estado de Alagoas, por exemplo, a preferência do eleitorado  para governador estaria recaindo nas candidaturas de Renan Filho e Fernando Collor de Mello. No Rio de Janeiro, nos candidatos Romário (um “cara” que passou a vida inteira “pensando” com os pés), Eduardo Paes e Anthony Garotinho, nada melhores. O problema nessas eleições é saber qual o “pior”, não qual o “melhor”.

No seu livro “Mein Kampf” (Minha Luta), escrito por Hitler dentro da  prisão, dizia  ele que na Áustria, seu país de origem, ” eram atraídos a fazer  política a pior escória da sociedade”. E certamente não é pelos horrores cometidos sob sua autoridade  na Alemanha  Nazista  que Hitler passou a ser execrado  mais que qualquer outro ser humano pela maioria dos políticos. É por ter falado “mal” dessa gente. Mas se o “fuhrer” estivesse hoje no Brasil, e dissesse a mesma coisa que escreveu na prisão, porventura  não estaria falando a verdade?  Não seria talvez até aplaudido?

Em vista desse “lixo” na competição eleitoral, não resta qualquer outra alternativa que não seja a de enquadrar na OCLOCLARIA a forma de governo no Brasil, tanto atual, quanto após assumirem os candidatos eleitos.

Trocando em miúdos, com essa pretensa “democracia” o Brasil jamais sairá do atoleiro político em que se meteu. Mas já que nesse  dilema o único que não pode ser mudado é o próprio  povo ,o eleitorado, restaria  as alternativas de mudar a forma de governo, “dispensando” essa  democracia degenerada, ou os políticos já “viciados”. Fora daí não há salvação!!!

Sérgio Alves de Oliveira é Advogado e Sociólogo.

Um comentário:

jomabastos disse...

Excelente artigo!