quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Dia Seguinte ao Atentado de Juiz de Fora


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Ernesto Caruso

Aquele fatídico dia, 6 de setembro de 2018, vai ficar registrado para a História como incontestável ato contra a democracia. A campanha eleitoral se desenvolvia normalmente. Com alguma deslealdade e falta de ética nas propagandas pela televisão em especial de quem dispõe de maior tempo para transmitir os seus projetos e/ou agressões aos adversários.

Um tempo discutível dentro do que se pretende denominar democracia, admitindo-se igualdade de condições para todos os candidatos, o que não ocorre. As coligações do jeito que se formam, com identidades programáticas às vezes conflitantes, estão mais para mistura do que para combinações.

Imperava aparente calmaria, exceção feita para as chicanas petistas e decisões judiciais moldadas a portas fechadas, ou não, em prol da candidatura do seu presidiário mor de Curitiba.

No entanto, é quebrada essa harmonia com o ato terrorista contra o candidato Jair Bolsonaro, que desprovido de qualquer proteção individual, exposto em posição elevada sobre os ombros de apoiadores, repetição de inúmeras recepções por onde transita em campanha, é ferido mortalmente pela faca assassina de um fanático opositor político.

Por milagre, presteza na condução de Bolsonaro ao hospital, ensanguentado e feição sofrente como se viu nas imagens, e, extrema habilidade dos profissionais da saúde, foi salvo para desespero dos que lhe pretendiam fora de combate, morto. 

O dia seguinte foi marcante para se entender o que estava sendo arquitetado a partir do gesto de rancor do criminoso confesso Adélio Bispo de Oliveira apunhalando o abdômen do presidenciável.

Ora, Adélio poderia ser morto pelos policiais que proviam segurança ao candidato ou até pelos seguidores do inconteste líder político disparado na corrida eleitoral. Não foi.

Primeiro ensinamento. O fanatismo não está incorporado aos seguidores de Bolsonaro. Por quê?

Se observada a postura de tantos quantos jornalistas e comentaristas, com honrosas exceções, Bolsonaro é o radical de extrema direita, porque defende a liberdade do porte de arma e faz o gesto típico que o caracteriza, mas que tem o propósito de cunhá-la como a serviço da sociedade e meio de dissuasão contra os meliantes. Nada representativo de pregação de violência. Mas, dar uma resposta forte contra o banditismo que assola o país.

Segundo ensinamento. De surpreender a apresentação imediata de quatro advogados de nomeada para defender o criminoso. Como tão rápido? Alguém desempregado só conseguiria um defensor público. Segundo consta, um incógnito cidadão está arcando com as despesas; de “bom coração”, se apiedou mais do bandido do que da vítima, inerme, sem condições de reagir. Ato covarde que merecia maior reprovação, repúdio.

Terceiro ensinamento. A comparar o comportamento da mídia face ao abominável assassinado da vereadora do Rio de Janeiro e do atentado a Jair Bolsonaro em plena campanha eleitoral. Enquanto se retumbou que o primeiro foi crime político, no mais recente nem como questão foi cogitado.

No da vereadora, por muito tempo, do “bom dia” ao “boa noite” planeta, os telejornais apresentavam o vídeo do carro das vítimas, parado, se deslocando, seguido dos supostos assassinos, em câmara lenta ou não, explicando, conjecturando, com especialistas e hipóteses.

No caso do Bolsonaro, com vídeos e imagens do flagrante circulando pelas redes sociais, não se viu idêntico procedimento que muito poderia ajudar nas investigações e esclarecer aos espectadores, com os recursos que as emissoras normalmente dispõem, além de especialistas convidados.

Quarto ensinamento. O grau elevado de adestramento dos grupos de esquerda em termos de agitação e propaganda parece que não motiva os que lhes opõem, que poderiam ser chamados de direita, centro-direita ou de centro. A estimular essa percepção, considere-se ainda o assassinato na vereadora, o partido a qual pertencia, o autor do atentado a Bolsonaro, do mesmo partido da vereadora e os desdobramentos de um e outro.

Da escadaria da Assembléia Legislativa/RJ, por várias cidades do Brasil e do mundo, como Nova Iorque, Lisboa, Paris, se viu — claro — repercutido pela mídia, protesto contra o assassinato da vereadora, nem que fosse por dez manifestantes portando cartazes com o nome da vítima da barbárie.

Quinto ensinamento. O propósito às escâncaras de caracterizar o assassino como lobo solitário, doente mental que toma remédio controlado (vide pergunta indutora do advogado do criminoso na audiência), ou fanático religioso chegando ao cúmulo de mostrar uma bíblia que lhe pertencia.

O sanguinário foi enquadrado na Lei de Segurança Nacional. Que se faça justiça.

Ernesto Caruso é Coronel de Artilharia e Estado-Maior, reformado.

Nenhum comentário: