sábado, 1 de setembro de 2018

Estranho sem Ninho



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Henrique Abrão e Laércio Laurelli

O cenário político brasileiro dos candidatos à Presidência da República, no pleito de outubro próximo, mais se assemelha aos estranhos sem ninho. Os civis servis à corrupção deram espaço à radicalização e com ela o viés da militarização. Levamos anos para a desmilitarização e agora a todo momento e a cada instante nos socorremos de forças especiais para combate à droga, violência e carências da governabilidade.

As pesquisas indicam, sem não estiverem parciais, que ambos os candidatos da direita e da esquerda estariam na frente. Seria uma forma
de termos o antagonismo e a disputa de maneira ideológica no propósito de alcançarmos mais radicais que não são livres. Enfim, esse ambiente tristonho e pouco esperançoso não nos alimenta de maiores ambições já que a economia surta a voo de galinha, dólar decola a cada instante e os dados estatísticos realimentam um crescimento ainda desprezível.

Somos estranhos sem ninho na terra brasilis,a sociedade da desinteligencia, o povo sem Nação, a sociedade sem Estado, o governo sem Pátria, em todos os sentidos os debates mornos e as propostas mais bizarras possíveis. Como é possível se falar em democracia com 13 candidatos,a maioria sem chance alguma e que é apenas o eterno dirigente partidário, sem uma transformação nada se consegue.

Os dirigentes partidários teriam mandato fixo de 4 anos e não poderiam por
parentes até quarto grau. Parlamentares e ocupantes de cargos de primeiro, segundo escalão no executivo ficariam impedidos de contratar direta e indiretamente via parentesco durante o exercício do cargo e ou da função, fórmula que se destina a evitar amizades e prosmicuidade no momento de favorecimentos.

Assim essa cleptocracia nascida de favores e de promessas não cumpridas se estica a formar um titanic no fundo do mar. A dívida pública é impagável e os tributos impedem o nascimento de empresas e do crescimento da economia. Nos EUA os tributos foram reduzidos e assim deveria ser no Brasil. Empresas com 100 empregados, menor alíquota, 200 prestadores de serviços classificação especial e aquelas que empregassem mais de 1000 pessoas pagariam as alíquotas mínimas para manterem suas atividades e proporcionarem maior mão de obra.

A terceirização agora considerada legal pelo Supremo Tribunal Federal imporá novas regras e desempregará muita gente que passará a trabalhar para empresas temporárias sem garantias e com salários teto mínimo. Assim o presidente eleito precisará ter uma visão plural da reforma tributária,previdenciária e sobretudo da representatividade, do Estado para que se torne uma Nação.

O atraso cultural somado à falta de visão do futuro nos levam a despencar nos índices internacionais, e somos paupérrimos de inovações, ciência e tecnologia, nunca há recurso financeiro, mas eles são comprometidos com a roubalheira e os desvios habitualmente praticados. 

O Brasil continuará a ser um estranho sem ninho se não tomar consciência da mudança, assumir as suas mazelas e criar mecanismos de controle e eficiência diminuindo o número de municípios, estados e transferindo a maioria das receitas para os entes locais, já que a centralização é um peso morto que nos leva desfiladeiro abaixo.

Carlos Henrique Abrão (ativa) e Laércio Laurelli (aposentado) são Desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo.

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