quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Luzia: queimada pela incompetência



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Ernesto Caruso

Pão e circo. A regência dominadora. Bolsa família e estádios de futebol. A política que prevalece na cúpula do país contaminando a Nação, dilapidando o Tesouro Nacional e desconstruindo a família. A incompetência em servir o cidadão e a extrema competência em roubar a Nação.

Da malfadada expressão, não se faz Copa do Mundo com hospitais, passando pela demolição infundada do Estádio do Maracanã e construção de outro, reforma e edificação de mais onze arenas e, pelos gastos com as Olimpíadas, ao nível de penúria do Estado do Rio de Janeiro. Caldo de cultura das vorazes bactérias da corrupção a destruir tesouros da História da humanidade e a dignidade de uma Nação.

Quem assistiu pela televisão os primeiros momentos do incêndio do Museu Nacional da Quinta da Boa Vista constatou a imobilidade das guarnições do Corpo de Bombeiros diante da falta de água nos hidrantes. Césares das sucessivas administrações do Estado, na terra, nas prisões, em qualquer parte, tocavam a lira da desgraça planejada. De tanto roubarem o Estado, bola de cristal se faz desnecessária. As labaredas consumiam o passado e o trabalho de tantos dedicados personagens ao longo de 200 anos, agregando valor à iniciativa de D. João VI ao criar o Museu Real em 1818.

Pois, todo esse patrimônio anunciado com 20 milhões de itens, era guardado por quatro vigilantes, que talvez nada pudessem fazer para dar combate ao incêndio, iniciado por volta de 19 h 30 min, após o término das visitas no domingo de dois de setembro. Quantos funcionários do Museu cuidavam do valioso acervo durante os expedientes?

Óbvio que o descuido de qualquer um dos passantes pelas salas e sanitários pode ser a origem da tragédia. Previsível, não? Um curto-circuito pode ter ocorrido. Uma mente destrutiva causa danos onde menos se espera. Daí, quais os planos de combate a incêndio, por exemplo?

Qualquer empresa que se pretenda estabelecer, um prédio que se intente construir, uma boate para funcionar tem que passar pelo crivo dos órgãos públicos, inclusive do Corpo de Bombeiros.

Impossível imaginar um prédio do porte do Museu, que dentre tantas preciosidades, mantinha uma biblioteca em ciências naturais com mais de 470.000 volumes e 2.400 obras raras, sem uma equipe/sistema de combate a incêndio.

Peças de valor intangível como o crânio de mulher — Luzia — com mais de 11.500 anos, destruído por governos de fancaria, desprezíveis, mas que se revezam no poder roubando o bem público e iludindo o cidadão que os elege.

Tais ocorrências não se restringem ao Estado do Rio de Janeiro, retrato surrealista do sucateamento. A lembrar, em São Paulo, o Estado de maior expressão da Federação, com muitos recursos arrecadados, deixar ocorrer vários incêndios em edificações semelhantes ao Museu consumido pelas chamas e inaptidão governamental.   

De 2008, com o Teatro Cultura Artística, Instituto Butantan (2010), Memorial da América Latina (2013), Centro Cultural Liceu de Artes e Ofícios (2014), do Museu da Língua Portuguesa (2015), Cinemateca Brasileira (2016).

O desastre no Instituto Butantan destruiu um dos mais importantes acervos de cobras, escorpiões e aranhas; 70 mil espécies conservadas viraram cinza.

Um exemplo do descaso, do pouco zelo com os bens públicos e o abominável desprezo das autoridades em relação à vida humana. No incêndio do Museu da Língua Portuguesa, um bombeiro perdeu a vida, mas o que ocorreu na Boate Kiss, em Santa Maria (RS), em 2013, matou 242 pessoas e feriu outras 636.

As famílias choram os parentes mortos enquanto os responsáveis não são punidos.

A cada sinistro dessa natureza, o clamor público se faz presente, a revolta pulsa forte nos sentimentos de todos, mas que se dissipam por estímulos de novos escândalos, como se uma dor aplacasse a anterior.

O que não dá para aceitar como justificativa da falta de recursos com finalidades culturais é o destino de verbas do Tesouro para atender apaniguados em documentários, filmes sobre as estórias de vida deles próprios, excursões artísticas e mostras de arte duvidosa e inconvenientes para menores.

Ernesto Caruso é Coronel de Artilharia e Estado-Maior, reformado.

Um comentário:

Loumari disse...

Senhores, toda imprensa comenta sobre a tragédia que causou a destruição do Museu Histórico em Rio de Janeiro. Vestígio e património histórico nacional que primava e traçava a história do Brasil e também da humanidade. Mas, o que nos surpreende a todos é que só se fala de perdas de múmias do antigo Egipto, se comenta do crânio da tal Luzia, e muitos outros objectos históricos repertoriados que estavam conservados lá no museu. No tudo o que foi comentado e repertoriado como perdas históricas, são apenas os objectos confeccionados em madeira e animais conservados em bocais, esqueletos de animais históricos. Portanto havia lá muitos objectos de valores inestimáveis confeccionados de ouro puro, coroas reais com muitas pedras preciosas, e sobre o ouro e pedras preciosas não se comenta por quê? Havia no museu muito, muito ouro, e muitíssimas pedras preciosas. O ouro e as pedras preciosas se haviam evaporado antes do edifício pegar fogo?