domingo, 30 de setembro de 2018

O relativo poder do estelionato editorial



Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

A edição de sábado do Jornal Nacional da Rede Globo ultrapassou todos os limites do estelionato editorial. Parece que o programa foi editado pela dupla Laureta & Carolla – vilãs sem limites da novela Segundo Sol. O JN usou todos as técnicas e truques de edição para marretar Jair Bolsonaro, porém passando a falsa impressão de que “também ouviu o outro lado”, naquela suposta e tão cultuada “imparcialidade” (que não existe na vida real do Jornalismo).

O JN foi esquisito já na “escalada” de suas manchetes. Destacou as expressivos atos de rua contra Bolsonaro, Relatou a saída dele do hospital e minimizou, do jeitinho que deu, outras grandes manifestações públicas a favor do candidato. Chamou atenção, foram gritantemente patéticas, as manipulações de edição no avião. O texto da reportagem: “Bolsonaro foi recebido com manifestações de apoio e alguns protestos”. Já a imagem e o som só exibiram vaias e apupos, que foram em menor volume e intensidade que os apoios...

Outro truque gritante de edição foi a entrevista com Bolsonaro dentro do avião. Pelos padrões globais, imagem com som tão ruim não costuma ir ao ar. Na pior hipótese, teria legendas. Não foi o caso... Ficou evidente que a intenção foi apenas alegar que se deu voz a Bolsonaro, mesmo sem ninguém entender direito o que ele falou. A Globo tem equipamentos para entrevistas a bordo saírem perfeitas. Não usou por quê? Certamente, a Globo usou o áudio péssimo porque Bolsonaro deu o mole de admitir que pode ir ao debate da Rede Globo, na sexta – antevéspera do primeiro turno eleitoral...     

A Globo sempre foi assim. Escolhe um lado e chuta. Quase sempre vence... Mas, quando perde, a coisa fica feia... A guerra ao Jair Bolsonaro foi declarada bem antes da eleição. Claramente, os globais queriam o Geraldo Alckmin – que não decolou. Aparentemente, não deveriam querer o retorno do PT – que ameaça fechá-la ou “estatizá-la” (coisa que parece que ela já é, pois é extremamente estadodependente). No fundo, o Grupo Globo parece perdido (igual a outros grupos de comunicação que tiveram muito poder, porém não têm mais).

Por isso, é sempre bom refletir sobre Jornalismo, em tempos de Jornalixo e Jornazismo. O filósofo e pesquisador Fabiano de Abreu estuda o fenômeno da perda de credibilidade jornalística: “Devido à proliferação das chamadas fake news, as pessoas estão zombando do jornalismo, que a cada dia padece da perda da credibilidade. Essa percepção é notória ao andar pelas ruas das cidades, e ao ouvir as pessoas,  desde a conversa de bar até os altos círculos acadêmicos”.

Fabiano de Abreu pega na veia: "O que tem-se visto, infelizmente, é a falta de imparcialidade ao transmitir as notícias, o que é preocupante, pois isso está simplesmente destruindo o jornalismo. E quando perde-se a credibilidade do jornalismo, perde-se uma nação”.

Para Fabiano, não é exagero afirmar que quando a imprensa cai em descrédito, a sociedade desaba em decadência: "A imprensa sempre foi responsável por revelar ao grande público a verdade, os esquemas, as negociatas, e trazer à luz tudo que estava oculto, arquitetado nas trevas. Mas agora, na era das fake news, a imprensa tradicional padece, e está sendo vista como caluniosa, ardilosa, e defensora de sua própria agenda, tendenciosa. As pessoas estão perdendo a boa fé na imprensa e nos veículos de comunicação. Hoje, a opinião pública acredita que os jornalistas são infames, e que vale tudo pela audiência, pelos views, pelos cliques, pelo interesse. E isso não pode acontecer”.

O filósofo alerta que, se não houvesse a imprensa, informando e publicando sobre a corrupção, e os esquemas, acabamos condicionados a continuar a eleger sempre as mesmas figuras, e assim cometendo os mesmos erros de sempre, devido desconhecimento: “O jornalismo existe para entregar à população a verdade que lhes é ocultada, negada. Graças ao que tem sido trazido à luz pela imprensa, movimentos espontâneos de cidadãos contra a corrupção tem tomado cada vez mais forma e voz ativa. Se a imprensa se calar, for censurada, ou pior, perder a sua credibilidade, as consequências serão catastróficas. Imagine noticiarmos algo, sobre uma personalidade, um político, denunciar um esquema, e a população desacreditar? Assim teremos uma sociedade entregue ao ceticismo, que observará a tudo estóica, inanimada”.

Fabiano alerta que é preciso que o jornalista seja imparcial, e não defenda suas bandeiras ideológicas e políticas ao noticiar os fatos: ”Tudo bem que existe o jornalismo opinativo, onde âncoras e figuras de destaque dão sua opinião sobre um fato já noticiado, o que é muito comum nos Estados Unidos por exemplo. Mas o que não pode é que a notícia em si já venha processada, carregada da visão e opinião de um jornalista, pois isso é privar quem está do outro lado de receber a notícia apenas pelo que ela é, e assim impedir que se tenha a oportunidade de processar a informação , de formar juízo e opinião própria sobre o tema, sem doutrinação, sem manipulação. As pessoas estão cansadas de serem induzidas, e cada vez mais tem rejeitado isso”. 

Fabiano de Abreu faz um apelo ao retorno da imparcialidade no jornalismo, antes que seja tarde demais: "É preciso que a imprensa retome seu papel de informar, imparcialmente, afim de resgatar a credibilidade e devolver ao público a capacidade de formar sua própria opinião, de livre pensamento, antes que as pessoas se cansem da imprensa tradicional e procurem definitivamente outros meios de obter informação. Não se pode assumir que as pessoas são estúpidas e que não tem percepção das coisas, isso está longe de ser verdade. Como nos versos da famosa banda britânica Pink Floyd, na canção Another Brick in the wall: “Nós não precisamos de educação. Nós não precisamos de controle de pensamento… professor deixe a nós crianças em paz”.

O professor Fabiano de Abreu tem razão. A imparcialidade no jornalismo é possível para o profissional. Mas o controlador do veículo de comunicação quase sempre é parcial: atende, prioritariamente, a seus interesses políticos ou empresariais. No entanto, a isenção é um mito da profissão. Jornalistas e veículos têm o direito de assumir suas posições, explicitamente ou, até, disfarçadamente.

As manobras editoriais contra Bolsonaro serão avaliadas depois do resultado final da eleição – no primeiro ou em um eventual segundo turno. Até agora, os ataques só têm beneficiado Bolsonaro. É por isso que o estelionato editorial tem um poder relativo. Influencia, mas nem sempre é decisivo.



Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus. Nekan Adonai!

O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Independente, analítico e provocador de novos valores humanos, pela análise política e estratégica, com conhecimento criativo, informação fidedigna e verdade objetiva. Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos. 
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© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 30 de Setembro de 2018.

2 comentários:

Anônimo disse...

O problema é que o Bolsonaro disse a verdade que faria se assumisse o controle das verbas da propaganda oficial. Algumas coisa reclamam ação e poucas palavras.

ALMANAKUT BRASIL disse...

Para dar um basta no golpe do palanque das Diretas Já, só a Intervenção Militar e a Faxina Geral!