quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Suicídio Político



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Henrique Abrão e Laércio Laurelli

Consternados com o cenário atual movido pelo desgoverno, o que assistimos pós democratização do Brasil foi um partido mamando na teta da privatização, outro na teta das estatais, e mais um que se prevaleceu de ambas. São os espelhos mais condignos de três partidos que
levaram o País ao caos e descalabro.

O concerto de organizações sociais preocupadas com a dilapidação do patrimônio chama atenção com novas agremiações tentando preencher espaço. Mas nosso Congresso não será renovado, e teremos mais do mesmo, ou seja, quase 85% dos candidatos à reeleição sairão vitoriosos, e daí nosso suicídio político.

Não há clima para reforma ou intenção de mudança: o voto distrital misto, do fim do voto obrigatório e do horário eleitoral,assim o eleitor é traído pela falta de opção pois que se falam em congelar os salários
funcionalismo como vilão da crise, o estado também faria o mesmo e de igual as empresas privatizadas?

Logicamente não, e o que pretendem os economistas de plantão é a favelização e pauperização da classe média, já que temos um câmbio nas nuvens e um salário no fundo do poço. A estratégia quando não se consegue dentro do partido uma reforma é apostarmos em pessoas e isso pode ser bom ou muito ruim, como exemplos do passado. A convocação de heróis ou de pessoas que prometem mundos e fundos é ligado à vontade do Parlamento, e o nosso é caro, ineficiente e cheio de brechas para folgas. São mais de 90 dias por ano, e com mordomias inaceitáveis na atual conjuntura.

O suicídio político praticado mediante culpa consciente de partidos que se arvoraram donos da verdade, seus comandantes donos da verdade
e as ilusões se transformaram em pesadelo. Há mais de uma década a crise atingiu os Países desenvolvidos e hoje o Brasil está no olho do furação projetando déficit fiscal pelo irmão Argentino combalido. Pobre América Latina roubada e explorada cuja população vive seu flagelo
e a cada quatro anos promessas das mais altas inverdades, já que para tudo falta orçamento,dinheiro,e o Estado com igrejas ideologicamente fajutas espoliam a crendice e a ignorância da população menoscabada e desesperançada.

O que podemos esperar com as eleições? Absolutamente nada, urnas eletrônicas, biometria, aplicativos, seria o mesmo que repaginarmos um paciente terminal na expectativa que virá a óbito com a face rejuvenescida. Juvenil democracia que fora sugada,tragada e abandonada pelas mãos irresponsáveis de governos os quais se perpetuaram no poder, compraram consciências e tudo fizeram para propagar a famigerada corrupção na promiscuidade entre público e privado, fórmula para encobrir as obras superfaturadas e o grande ausente em tudo, o Estado Brasileiro que não cuida do saneamento, desperdiça verbas, não dá remédio à população carente, saúde aos necessitados e qualidade do serviço público.

Acreditaremos naqueles que sempre voltam com promessas e depois de eleitos viram as costas para o eleitor e fazem do mandato um exercício infiel de veleidade e compadrio para privilégios pessoais? A ressuscitação do estado brasileiro passa por mudanças fundamentais na composição dos partidos,na duração do mandato dos seus dirigentes,e redução do número de comunas e estados,além da descentralização da arrecadação. O que
fazem Estado e Município de São Paulo com bilhões arrecadados IPTU e IPVA,além é claro da indústria da multa?

Deveriam tornar disponíveis os dados, pois que do contrário somos nós os brasileiro refugiados da vida em território nacional tomado pelas mentes poluídas e ambição desmesurada pelo poder,de forma maquiavélica a prejudicar a normalidade democrática.

Carlos Henrique Abrão (ativa) e Laércio Laurelli (aposentado) são Desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo.

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