quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Estado Livre


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Henrique Abrão e Laércio Laurelli

O Brasil atual vive a sua casa dos horrores, nas áreas social, política, econômica e desde sempre governamental, mas o maior aspecto errático foi no sentido de servir-se do Estado para projetos pessoais e desvios de comportamentos. O extremismo não nos levará a nada, exceto  aprofundará a crise e nos manterá distantes das economias desenvolvidas.

Não é sem razão que a globalização fundou uma nova era: o descrédito com a política. Nos EUA a vitória de Trump mostra o seu rosto,a derrota de Angela Merkel na Bavária é expressão desse sentimento, e toda a América Latina pauperizada e encapsulada nos verdadeiros sintomas de seu atraso e retrocesso em todos os campos. Brasil Casa dos Horrores, das grandes injustiças e da má distribuição da riqueza e consequentemente da renda.

O Estado necessita servir à cidadania e não aos governantes que são temporários e transitórios. Jamais alcançaremos padrões de excelência nessas toscas e canhestras campanhas as quais se limitam ao xingamento. Deveria ser terminantemente proibido falar e depreciar candidato adversário, e sim trazer as propostas de governo, e evidenciar que sem a reforma político partidária as 35 siglas estão mortas e a democracia ressuscitará.

Velhos coronéis de plantão e seus asseclas mantidos pelos nepotismos estão com seus dias contados. Sem a vontade política de querer mudar, a
sociedade fará um corte costura à altura de seus desejos e ambições. Focar no social é muito bom, melhor seria criar condições de crescimento e partir logo de cara para a reforma tributária, com alíquotas regressivas e progressivas, zerando aquelas para alimentos e remédios.

Afora isso, transferir o grave problema da previdência para a complementar que tem recursos e fundos específicos os quais são provedores da suplementação dos montantes de remuneração condizente com o poder aquisitivo. O mais grave defeito dos nossos últimos governos foi, sem sombra de dúvida, exterminar com a classe média, um perigoso precedente, afunilando o fosso entre muito ricos e miseráveis, o que provoca ódio, luta entre classes e a estranheza que salvadores da pátria com bolsas sociais irão nos tirar da fome, da miséria e da pobreza secular, enquanto se permitem desvios bilionários e lidam com recursos do contribuinte assaltando a luz do dia as estatais e seus fundos de pensão.

Não se faz aqui e nem poderia ser esse o palco próprio um discurso outro exceto pela credibilidade do Estado livre das amarras de vontades pessoais de candidaturas pouco simpatizantes com a democracia. Patinamos desde a renúncia de Janio Quadros em 1961 e até hoje nosso presidencialismo é fraco e de conchavos entre executivo e legislativo.

Só aparece o judiciário para catapultar a corrupção e banir os corruptos dos seus cargos. Porém a sociedade acordou e não quer mais do mesmo. Está à procura não de um salvador, mas de alguém que seja capaz de fazer a transição. Nossos partidos faliram, seus lideres envelheceram, não se acostumaram à troca de bastão e por tais motivos hoje experimentamos tempestade perfeita.

O sucateamento da máquina estatal é fruto dessa irresponsabilidade total, fiscal e gerencial administrativa, a fadiga do material é inequívoca, os partidos sumiram, os candidatos são olhados como salvadores e as  legendas não mais existem. 

Precisamos chegar a tal ponto para que os velhos achacadores políticos despertassem do berço esplendido e concluíssem que a democracia brasileira é uma panacéia um misto de forças econômicas e uma rebeldia popular nas urnas, cujos índices de abstenção, votos nulos e brancos acendem a luz amarela para o novo amanhã.

Carlos Henrique Abrão (ativa) e Laércio Laurelli (aposentado) são Desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo.

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