terça-feira, 13 de novembro de 2018

Bolsonaro e Mourão têm muita caixa-Preta para abrir



Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net
Membro do Comitê Executivo do
Movimento Avança Brasil

O Presidente eleito Jair Bolsonaro e o vice Antônio Mourão deveriam promover uma “prensa, prensa, prensa” nos dirigentes e conselheiros de 138 empresas ditas “estatais” (na verdade, de economia mista), exigindo que se responda a uma perguntinha básica: os princípios de governança corporativa são realmente aplicados nestas companhias?

A resposta tende a ser assustadora. Ainda mais nas maiores e mais importantes empresas, onde ocorrem ululantes falhas de dever de diligência e fortes indícios de crimes de improbidade administrativa exaustivamente denunciados, oficialmente, por investidores minoritários, em manifestações e atas de assembléias de acionistas.

Bolsonaro e Mourão terão muita “Caixa-Preta” para abrir, mesmo que tal choque de transparência desagrade e apavore alguns “deuses” do mercado. O passado recente não pode ser deixado para trás, em sofisticadas “queimas-de-arquivo” para esconder problemas estruturais e crimes societários nas “estatais”.

Exemplo: Na Lava Jato, o juiz Sérgio Moro salvou a Petrobrás naquela visão de que “a empresa foi vítima”. Se isto realmente ocorreu, a empresa tem obrigação de processar quase a totalidade de diretores, conselheiros de administração e fiscal que foram omissos sobre denúncias oficiais de investidores que alertaram, durante 11 anos, sobre corrupção e crimes societários na petrolífera. Por que isto não ocorre contra os “peixes-grandes”?

Justiça se faça. A Petrobrás desenvolve 10 ações anticorrupção”. Um grupo interno de trabalho tem feito um esforço investigatório louvável. O fato é propagandeado no site da empresa, onde também existe um link de acesso à ouvidoria e ao canal independente de denúncias. Algo de bom também acontece no BNDES. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Tribunal de Contas da União (TCU) apresentam no próximo dia 27, às 9h30, na sede do TCU, em Brasília, o resultado da Audiência Publica promovida pelas duas instituições em agosto último, com contribuições da sociedade para ampliar ainda mais a transparência na divulgação das operações do Banco. Portal da Transparência do BNDES (www.bndes.gov.br/transparencia). Vide o Portal da Transparência do BNDES (www.bndes.gov.br/transparencia).

Apesar dos esforços, Jair Bolsonaro e Antônio Mourão ainda precisam saber muita coisa, um pouco além das versões oficiais lindamente maquiadas pelos dirigentes de estatais – muitos lutando para permanecer no cargo... O “Mecanismo” não quer mudanças. Por isso, Bolsonaro e Mourão marcariam golaços se promovessem uma radical dança das cadeiras no comando e conselhos das empresas de economia mista.

Recomenda-se que Bolsonaro e Mourão ouçam investidores minoritários, organizados em diversas associações. Também é fundamental que escutem o que têm a dizer os aposentados e pensionistas dos maiores fundos de pensão. Tais entidades foram “aparelhadas” politicamente e foram induzidas a praticar “investimentos” temerários que já comprometem a saúda financeira dos fundos.

O dinheiro público não pode mais financiar a incompetência ou a roubalheira no regime Capimunismo Rentista brasileiro. O Tesouro Nacional revela que as “estatais” pagaram o equivalente a R$ 5,498 bilhões em dividendos em 2017. No entanto, atingiu R$ 14,840 bilhões o valor gasto pela União com subvenções (repasses para o pagamento de despesas com pessoal, custeio ou investimentos) dessas empresas dependentes do Tesouro.

Bolsonaro e Mourão, não dá mais para engolir “pizzas podres”. É fácil constatar “desgovernança corporativa”, principalmente em estatais pretensamente estratégicas e nas empresas de capital misto controladas pela União Federal, BNDES e fundos de pensão dos empregados de “estatais”. Eis o Brasil velho que vocês venceram a eleição para remodelar e colocar na trilha de um Capitalismo Democrático.

Bolsonaro e Mourão, não hesitem na abertura das “caixas-Pretas”. Do contrário, o êxito do novo governo já começa comprometido. Não basta governança corporativa no papel e nas propagandas falsificadas. É preciso governança na prática, de verdade. Tem muita falcatrua que alguns notórios bandidos do mercado desejam esconder.

Bolsonaro e Mourão, não caiam no canto ou no encanto das sereias. Elas são prostitutas disfarçadas de freirinhas virgens... Depende da canetada de vocês se as piranhas continuarão devorando nossa carne... Escancarem as “Caixas-Pretas” e teremos surpresas inacreditáveis... Só tomem cuidado com as facadas-amigas, sobretudo pelas costas...

Se não abrir, ta fora...

Bolsonaro adverte que Joaquim Levy, indicado por Paulo Guedes, vai abrir a caixa-preta do BNDES, já na primeira semana de governo...

Bandidos criativos


 

O Presidente eleito Jair Bolsonaro deve tomar cuidado se for sacar uma grana no Banco do Brasil, sobretudo no interior de São Paulo. Bandidos promovem inovações tecnológicas e cenográficas para iludir e lesar o consumidor...

Fake news e mentira judicial petista


O WhatsApp divulgou nota informando ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que não foi contratado pela campanha do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) para fornecer "serviços de impulsionamento de conteúdo na rede mundial de computadores".

A declaração do WhatsApp surge após o relator da prestação de contas da campanha de Bolsonaro no TSE, ministro Luís Roberto Barroso, atender a um pedido de área técnica da Corte e determinar que as principais plataformas de distribuição de conteúdo digital (Google, Facebook, Twitter, Instagram e WhatsApp) apresentassem dentro de um prazo de três dias informações sobre a contratação ou não de impulsionamento de conteúdo a favor de Bolsonaro durante a campanha.

No mês passado, o corregedor nacional da Justiça Eleitoral, ministro Jorge Mussi, decidiu abrir uma ação de investigação judicial no TSE pedida pelo Partido dos Trabalhadores (PT) para que sejam investigadas as acusações de que empresas compraram pacotes de disparos em larga escala de mensagens no WhatsApp contra a legenda e a campanha de Fernando Haddad (PT) à Presidência da República.





Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus. Nekan Adonai!

O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Independente, analítico e provocador de novos valores humanos, pela análise política e estratégica, com conhecimento criativo, informação fidedigna e verdade objetiva. Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos. 
A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. Nada custa um aviso sobre a livre publicação, para nosso simples conhecimento.

© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 13 de Novembro de 2018.

A vantagem de ministros descartáveis



“País Canalha é o que não paga precatórios”

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira

Para um observador incauto, a nomeação de algum ministro que já atuou nos governos anteriores, pode parecer “o fim do mundo”.

Calma no Brasil! A escolha de alguém leviano para a presidência de um grande banco estatal, pode ter sido uma estratégia de abertura da “caixa preta”. Tendo convivido com a putada saqueadora de nossos sonhos e recursos, sabe bem (ou deveria saber, se não for idiota) como agir num primeiro momento.

Afinal, veneno de cobra combate-se com veneno de cobra.

Sua excelência, o presidente eleito, deveria pedir aos candidatos ao primeiro escalão, um toque no mês azul.

O que não DEVE permitir é que o Ministério das Relações Exteriores, continue um circo de horrores ! Barbudinhos e mulheres de grelo duro (a grosseria é do presodentro !) não podem continuar a denegrir imagem do país no exterior, como vem fazendo um antigo chanceler, codinome ouriço. Devem se tornar em grandes "vendedores" de nossos  produtos.

O novo titular do MRE deve ser alguém com prestígio pessoal e familiar.
Se deixar de indicar o deputado federal eleito, Dom Luiz Philippe de Orléans e Bragança , nosso Mito chorará, no futuro, lágrimas de crocodilo pela oportunidade perdida.

Escolheu alguém errado; troque! Ministros de Estado são demissíveis “ad nutum”. (em latim fica tudo mais "chique”).

Duro é aguentar um urubu malandro, “blindado” pela bengala branca.
Parecem cegos e não percebem o iminente risco que correm de linchamento popular, outros mimos menos depenantes ou invectivas estrangeiras, igual que nativas.

De mais a mais, qualquer deslize tanto faz. O Brasil “güenta”!

Carlos Maurício Mantiqueira é um urubuservador.

Silêncio que revela



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Renato Sant’Ana

Nos últimos 10 dias, ecoaram críticas a uma crônica de Luis Fernando Veríssimo. Muito procedentes todas, mas poucas a cutucar-lhe a ferida moral: a sua conhecida "omissão". Inusitado foi ter ele feito uma grosseria à comunidade judaica e, pasmem, haver intitulado sua crônica como "Os omissos".

Em síntese, ele afirma que, no 2º turno das eleições 2018, Haddad representava a democracia, e Bolsonaro, o contrário, sendo omissos os que, não votando no capitão, deixaram de apoiar o PT. Será que ele acredita nisso, ou estará defendendo algum interesse não explícito?

Veríssimo muito nos divertiu com suas farpas aos militares, a José Sarney, Collor, Itamar, Fernando Henrique e... quando Lula se elegeu, ele virou um cronista chapa branca, sem qualquer desassossego diante da copiosa lista de falcatruas do lulopetismo.

Da infinidade de escândalos, lembremos apenas alguns: o "Caso Celso Daniel" (antes mesmo de Lula ser eleito, com pelo menos oito mortes não esclarecidas), o mensalão, a falsificação de dossiês para destruir a reputação de adversários, o assalto aos fundos de pensão, a hiperfaturada compra da refinaria de Pasadena, a Lava Jato e a dinheirama da Petrobras surrupiada por companheiros, etc.

As entranhas dos governos Lula e Dilma ficaram expostas nas delações de empreiteiros que financiaram a bandalheira, e de Antonio Palocci, um petista histórico. Mas Veríssimo não se tocou. Ele viu o PT tratar a "coisa pública" como "cosa nostra"; viu o PT financiar ditaduras de esquerda com o nosso dinheiro; viu lideranças petistas (algumas hoje na cadeia) louvarem a tragédia venezuelana (que é a aplicação das diretrizes do Foro de S. Paulo que ele finge ignorar); viu a campanha truculenta do PT em 2018, e nada, nada disse.

Petista notório, ele nunca se declarou traído em seus princípios nem jamais se rebelou. Pelo contrário, usou seu espaço na mídia e seu status de celebridade para avalizar a corrupção e defender corruptos. E agora tem o peito de chamar de omissos a quem não apoiou Haddad. E ainda larga esta pérola: "No fim, o ódio ao PT foi maior que o amor pela democracia." Não entendeu ou finge não entender a reação dos brasileiros?

Para fechar, ele tropeça ao tentar dizer sem dizer que Bolsonaro é nazista. O presidente eleito prometeu à nação uma faxina, com o banimento dos "marginais vermelhos" (assim designando os petistas que comandaram a corrupção). E Veríssimo sugere que, para se distinguir dos outros (ele não vê diferença), os "marginais vermelhos" tenham uma estrela vermelha costurada na roupa: como Hitler fez com os judeus.

Por tudo isso, chamar Veríssimo aqui de "omisso" é um eufemismo, uma deferência a seus 82 anos confortáveis - e desprovidos de sabedoria.

Renato Sant’Ana é Advogado e Psicólogo.

Soberania e Relações Exteriores


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Hélio Duque

Nas relações internacionais a diplomacia exerce papel fundamental na construção e consolidação da visão que o mundo tem sobre o país. O livro “A diplomacia na construção do Brasil”: 1750-2016”, do embaixador Rubens Ricupero, é leitura fascinante. Revela 266 anos (desde os tempos coloniais) da luta dos brasileiros para integrar o país com o mundo. Enfatiza, deste o tempo de colônia portuguesa até a contemporaneidade, o objetivo brasileiro de ter presença na comunidade internacional.  
Leitura recomendável para os futuros ocupantes do poder que, a partir de 1º de janeiro de 2019, terão a missão de governar o Brasil. Devem estar conscientes da importância do Ministério das Relações Exteriores na manutenção de relações harmônicas entre Estados soberanos. Fundamentada nos ensinamentos da história, entendendo que a diplomacia busca resolver conflitos sem uso da ofensa ou da violência nas relações internacionais.
O Ministério das Relações Exteriores é um “órgão político da Administração direta cuja missão institucional é auxiliar o presidente da República na formulação da política exterior do Brasil.” Como disse a jornalista Eliane Cantanhêde “política externa é de Estado e não de governo”. Em política externa é o interesse do Brasil acima de tudo e de todos”.

Institucionalmente as relações internacionais do Brasil estão definidas no artigo 4º da Constituição de 1988, determinando no relacionamento com outros países e organismos multilaterais os princípios da não intervenção, da autoderminação dos povos e a cooperação internacional na solução pacífica de conflitos. Nesse século XXI, com a emergência de um mundo multicêntrico, em que os aspectos econômicos e comerciais passaram a integrar ativamente a vida dos Estados e em diferentes sociedades, vontades de governos não podem se sobrepor aos interesses nacionais.
Infelizmente, na última década e meia, ao buscar caminho diplomático de priorizar relações chamadas de “Sul-Sul”, o Brasil negou a caminhada histórica do Itamaraty. Não existe ideologia nas relações econômicas e comerciais. John Foster Dulles, secretário de Estado dos EUA, definiu: “Uma nação não tem amigos, tem interesses”. A defesa dos interesses nacionais é o grande balizador. Repedir a fracassada experiência de passado recente, com outra roupagem, é um desserviço ao Brasil. O governo de Jair Bolsonaro produziu na área externa, antes de assumir o poder, três extravagâncias diplomáticas contra Argentina, China e países árabes.
No primeiro caso, em relação à Argentina, foi ignorado o fato de ser o maior mercado que tem o nosso país na exportação de bens manufaturados. E sólidas relações econômicas e comerciais que não podem ser marginalizada por vontades oniscientes. No segundo caso, a China, desde 2009 é o principal parceiro e mercado mundial para os produtos brasileiros, com “superávits” crescentes na escala de vários bilhões de dólares, no comércio externo. 
Um alinhamento brasileiro com a política exterior do presidente dos Estados Unidos, em relação aos chineses, como em editorial o jornal “China Daily”, principal porta voz do governo, alertou “pode custar caro ao Brasil”. Os investimentos da China no Brasil são estimados em R$ 124 bilhões. No comércio exterior, as exportações do Brasil, até agosto, atingiram US$ 74 bilhões. Com elevado saldo que nos favorece nas exportações.
No terceiro, o anúncio da mudança da nossa Embaixada de Tel Aviv para Jerusalém, se traduz em gratuita hostilidade aos países árabes. Negando o papel histórico do brasileiro Oswaldo Aranha, quando presidente da Assembléia Geral, apoiava a criação do Estado de Israel e defendeu igualmente a criação de um Estado árabe palestino. O Brasil sempre teve posição definida defendendo dois Estados na região. Se mantida a decisão, os reflexos econômicos e  comerciais serão claros. Em 2017, as exportações brasileiras para o mundo árabe representaram US$ 13,7 bilhões com “superávit” favorável ao Brasil de US$ 7,7 bilhões. Hoje a quarta parceria comercial do Brasil com o mundo, tem nos países árabes mercado em ascensão, destacadamente para os produtos do agronegócio. Os EUA, ao transferir a sua Embaixada para Jerusalém, tem a única companhia de um país periférico, Guatemala. Presidida pelo pastor evangélico Jimmy Morales, adepto da chamada “verdade bíblica” da eterna Jerusalém.
Por tudo isso, não deve o novo governo brasileiro insistir nas relações internacionais em posições confrontistas. No caso da China poderá significar redução de investimentos nas parcerias estratégicas na infraestrutura. O mesmo valendo para os investimentos dos Fundos Soberanos árabes interessados em investimentos no Brasil, em áreas distintas. Política externa é coisa séria.
Hélio Duque é doutor em Ciências, área econômica, pela Universidade Estadual Paulista (UNESP). Foi Deputado Federal (1978-1991). É autor de vários livros sobre a economia brasileira.

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Militares de volta à cena política


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Gaudêncio Torquato

A acomodação das placas tectônicas após o terremoto eleitoral permite distinguir traços fortes na paisagem  institucional. Um dos mais visíveis é o fechamento do ciclo da redemocratização que teve início em meados dos anos 80. A era Sarney, aberta com a morte de Tancredo Neves, escancarou a locução política, destravando os nós apertados na garganta nacional. O ancoradouro das demandas reprimidas nos tempos de chumbo foi a Constituição de 88, que completou 30 anos em 5 de outubro passado. Que sinais mostram o fim de um ciclo?
A eleição de um militar reformado é o sinal dos novos ventos que soprarão na paisagem. Ela puxa para o cotidiano da política o maior grupo de militares que já participou de pleitos democráticos, a par da convocação inusitada de generais da reserva para formar o núcleo governamental. Um feito e tanto, quando se leva em consideração a índole militar: agir com discrição, cumprir o rito hierárquico, colaborar com governos em postos-chave de comando das Forças Armadas, enfim, evitar a intromissão exacerbada no dia a dia da política. Assim é a cultura militar. 
As curvas a que o país foi levado a fazer, que ensejaram o conjunto de crises ainda em curso – econômica, política, ética -, acabaram despertando o animus animandi da caserna, inserindo a expressão militar na enciclopédia do discurso político. E mais: motivando quadros de respeito nas Forças a adentrar as portas do Executivo, como é o caso dos generais Mourão (o vice eleito) e Heleno, ambos com histórico de comandos importantes.  Portanto, os militares ascendem na política cotidiana não por intromissão indevida, mas em função do redesenho institucional, onde se contabilizam o desprestígio da classe política, a indignação social contra o modus operandi dos nossos representantes, a intensa vontade popular de dar um passo adiante.        
Sob essa moldura, o capitão Bolsonaro representa esse passo. Parcela ponderável do eleitorado, a partir de segmentos da intelectualidade e contingentes de esquerda, o consideram um passo para trás. Ocorre que seus quase 58 milhões de eleitores o credenciam como a expressão da vontade da maioria. O discurso do presidente eleito, incluindo tiradas de mau gosto, feitas ao correr da trajetória parlamentar, se não recebe endosso popular, pelo menos não constitui motivo para sua rejeição.
Outros sinais de fim de ciclo aparecem na própria engenharia da campanha, em que paradigmas do chamado marketing político foram derrubados, como tempo de rádio e TV(duração maior não ajudando candidatos), dinheiro (não elegendo aqueles com maiores recursos), escolha de representantes na cola do candidato presidencial (PSL fazendo uma bancada de 56 nomes), entre outros aspectos. O fato é que o pleito exibiu um parâmetro novo: a autogestão eleitoral. O eleitor votou como quis, sem influência de amigos, familiares ou partidos, e até realizou operações transversais, marcando no mesmo voto quadros de esquerda e da direita.
Essa nova disposição do eleitor, caso mostre desejo de direcionar o país para uma curva à direita, significa ainda desaprovação aos governos do PT, ou seja, um veto à vereda de esquerda que o lulopetismo abriu.  Nesse sentido, pode-se dizer que o jogo entre os espaços ideológicos está empatado, eis que o período da redemocratização abriga uma vitória de Collor e duas de FHC e, agora, a de Bolsonaro; e quatro vitórias, com duas de Lula e duas de Dilma.
Parcela ponderável dos eleitores de Bolsonaro, convém lembrar, freqüenta espaços do meio, principalmente contingentes de classes médias, profissionais liberais, setores da produção etc. Se o capitão exprime posicionamentos de extrema direita, como é o caso, não significa que tem apoio de parcela de quem nele votou. Jogar todos na extremidade do arco ideológico é um erro. O mesmo se pode dizer de parcelas do eleitorado de FHC e mesmo de Lula e Dilma.  
Por fim, vale ressaltar que a democracia brasileira passou em mais um teste. Se a opção de 2018 se mostrar errada, o eleitor, autônomo, independente, poderá consertá-la em 2022. Urge não adiantar previsões.
Gaudêncio Torquato, jornalista, é professor titular da USP, consultor político e de comunicação Twitter@gaudtorquato

#vetaTemer e a Glasnost com Perestroika de Bolsonaro



Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net
Membro do Comitê Executivo do
Movimento Avança Brasil

A Lei vale para todos no Brasil? Se realmente vale, o Presidente Michel Temer tem um motivo legal para vetar a “reposição salarial” de 16.38% aos ministros do Supremo Tribunal Federal e aos Procuradores da República, com efeito cascata em favor do bolso de todo o Judiciário. Basta Temer evocar a Lei Complementar 101 de 4 de maio de 2000 – em pleno vigor -, para impedir o aumento de despesas médio de R$ 4 bilhões aos combalidos cofres públicos – que será uma herança maldita para o futuro governo Jair Bolsonaro.

A regra é clara – como diria Arnaldo Cezar Coelho, famoso “juiz” de futebol. A Suseção II (Do controle da Despesa Total com Pessoal) da Lei Complementar 101/2000 não deixa dúvidas. Se vale o que está escrito no artigo 21 (“É nulo de pleno direito o ato que provoque aumento de despesa com pessoal e que não atenda:”), Parágrafo Único: “Também é nulo de pleno direito o ato de que resulte aumento da despesa com pessoal expedido nos cento e oitenta dias anteriores ao final do mandato do titular do respectivo Poder ou órgão referido no art. 20”.

Não precisa ter medinho de retaliação judiciária, Michel Temer. Sua obrigação é apenas cumprir a Lei. O veto previsto para aumentos de despesas inclui atos normativos, como decreto presidencial que sanciona projeto de lei, que por sua vez aumenta qualquer tipo de remuneração a membros de Poder, ativos e inativos. Ou seja, mesmo que seja “justo” o reajuste do Judiciário, a legislação em vigor não permite que ele ocorra agora, no fim de (des)governo.

A Lei Complementar 101/2000 se aplica ao ato do Presidente do Senado, Eunício de Oliveira que se vingou do fato de não ter sido reeleito para reunir 41 senadores e aprovar o reajuste para os já excelentes salários dos ministros do STF da turma da PGR. Aliás, Eunício também está encerrando o mandato... Igualzinho a Michel Temer... E o espírito da Lei é impedir atos que prejudiquem o próximo mandatário. É “dura lex sed lex” ou “não vale o que está escrito” (subvertendo o princípio popular do Jogo do Bicho?)...

Vetar é preciso! O efeito em cascata do reajuste do Judiciário aprovado pelo Congresso deve aumentar o risco de insolvência nos estados. O custo adicional do novo teto de R$ 39 mil deve ficar em torno de R$ 5 bilhões ou mais. O Tesouro Nacional tem informações que 17 unidades federativas estão com risco de insolvência, porque gastam mais de 60% da Receita Corrente Líquida (RCL) apenas com a folha de pagamento. Sem corte de gastos, reforma administrativa e renegociação de dívidas, a quebradeira será escandalosa. O Presidente eleito classifica o aumento de “inoportuno”.


Enquanto aguardamos pelo “#vetaTemer”, ato que será absolutamente “legal”, embora vá deixar o judiciário mais pt da vida ainda com o marido da bela Marcela, o atento leitor Ivo Wenclaski nos faz uma lembrança importante acerca do recente artigo Transparência Total, Bolsonaro & Mourão – publicado no sábado (10 nov). Voltemos no tempo, no final da década de 80, na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.

O termo  Glasnost (do russo: гла́сность, lit. "transparência") foi uma política implantada, juntamente com a Perestroika ("reestruturação"), durante o governo de Mikhail Gorbachev. A política do russo levou à bancarrota a grande farsa que era o comunismo soviético. Por ironia da História, o mesmo pode acontecer agora, no Brasil, sob futuro comando de Jair Bolsonaro e Antônio Mourão...


Se a política de reestruturação prometida por Bolsonaro funcionar direitinho (sem trocadilho), certamente levará à bancarrota o socialismo de fracassos e mentiras do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores do Brasil, chefiado pelo PRESOdentro Luiz Inácio Lula da Silva. Bolsonaro e Mourão não podem errar. Têm se insistir na Transparência Total como política prioritária da próxima administração federal. Expor o “Mecanismo” é a única maneira de neutralizá-lo e derrotá-lo.

O Brasil precisa passar por uma profunda Perestroika. Bolsonaro e Mourão têm a complexa e complicada missão de romper com o regime Capimunista Rentista e Corrupto do Brasil. Não será fácil romper com a cultura estatal interventora e, ao mesmo tempo, estadodependente, para implantar princípios liberais na economia brasileira. Não será fácil, porém não é impossível. O Brasil tem de se tornar um País Capitalista, de verdade.

Releia o artigo de domingo: Bolsonaro e as Heranças Malditas

Leia, também, de Sérgio Alves de Oliveira: A atual Constituição deve ser mantida ou substituída?





Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus. Nekan Adonai!

O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Independente, analítico e provocador de novos valores humanos, pela análise política e estratégica, com conhecimento criativo, informação fidedigna e verdade objetiva. Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos. 
A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. Nada custa um aviso sobre a livre publicação, para nosso simples conhecimento.

© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 12 de Novembro de 2018.

João “Forest Gump” Doriana



“País Canalha é o que não paga precatórios”

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira

Um moço que quase passou despercebido.

Por sua amizade com o presidente de uma multinacional, promovia eventos empresariais muito interessantes e lucrativos.

Um belo dia resolveu disputar o cargo de prefeito de São Paulo contra um “poste” incompetente.

Foi eleito no primeiro turno, fato “nunca antes ocorrido na história” da cidade.

O bocó achou que o prestígio era dele e não a enorme rejeição ao pascácio agora derrotado no segundo turno (que não haveria se as urnas eletrônicas não tivessem sido “batizadas”) para a presidência da república.

É possível que o nosso “herói”,tendo vencido de novo, se pavoneie ainda mais.

Quis o destino que o adversário fosse um lobo em pele de cordeiro, que herdou o cargo de outro vaidoso, hoje na lata de lixo da política.

A triste realidade é de que sempre elegemos o menos ruim. A única exceção foi o triunfo do Mito!

Dono de um “pequeno” latifúndio na rua Itália, adorou a corte de puxa-sacos. Até a placa da rua foi trocada por uma nova (fora da cor padrão) !

Bafejado pela sorte, talvez algum dia venha a ocupar o “trono” do planalto.

Bem diz o caboclo: “Mais vale quem Deus ajuda, que o madrugador”.

Mil vezes um idiota que um mal intencionado.

Mas na política, a gente nunka sabe!

O povo jururu que cuide de sua rima.

Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.

O Ex-Covarde


Nelson Rodrigues

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Nelson Rodrigues

Entro na redação e o Marcelo Soares de Moura me chama. Começa: - "Escuta aqui, Nélson. Explica esse mistério." Como havia um mistério, sentei-me. Ele começa: - "Você, que não escrevia sobre política, por que é que agora só escreve sobre política?" Puxo um cigarro, sem pressa de responder. Insiste: - "Nas suas peças não há uma palavra sobre política. Nos seus romances, nos seus contos, nas suas crônicas, não há uma palavra sobre política. E, de repente, você começa suas "confissões". É um violino de uma corda só. Seu assunto é só política. Explica: - Por quê?"

Antes de falar, procuro cinzeiro. Não tem. Marcelo foi apanhar um duas mesas adiante. Agradeço. Calco a brasa do cigarro no fundo do cinzeiro. Digo: - "É uma longa história." O interessante é que outro amigo, o Francisco Pedro do Couto, e um outro, Permínio Ásfora, me fizeram a mesma pergunta. E, agora, o Marcelo me fustigava: - "Por quê?" Quero saber: - "Você tem tempo ou está com pressa?" Fiz tanto suspense que a curiosidade do Marcelo já estava insuportável.

Começo assim a "longa história": - "Eu sou um ex-covarde." O Marcelo ouvia só e eu não parei mais de falar. Disse-lhe que, hoje, é muito difícil não ser canalha. Por toda a parte, só vemos pulhas. E nem se diga que são pobres seres anônimos, obscuros, perdidos na massa. Não. Reitores, professores, sociólogos, intelectuais de todos os tipos, jovens e velhos, mocinhas e senhoras. E também os jornais e as revistas, o rádio e a tv. Quase tudo e quase todos exalam abjeção.

Marcelo interrompe: - "Somos todos abjetos?" Acendo outro cigarro: - "Nem todos, claro." Expliquei-lhe o óbvio, isto é, que sempre há uma meia dúzia que se salve e só Deus sabe como. "Todas as pressões trabalham para o nosso aviltamento pessoal e coletivo." E por que essa massa de pulhas invade a vida brasileira? Claro que não é de graça nem por acaso.

O que existe, por trás de tamanha degradação, é o medo. Por medo, os reitores, os professores, os intelectuais são montados, fisicamente montados, pelos jovens. Diria Marcelo que estou fazendo uma caricatura até grosseira. Nem tanto, nem tanto. Mas o medo começa nos lares, e dos lares passa para a igreja, e da igreja passa para as universidades, e destas para as redações, e daí para o romance, para o teatro, para o cinema. Fomos nós que fabricamos a "Razão da Idade". Somos autores da impostura e, por medo adquirido, aceitamos a impostura como a verdade total.

Sim, os pais têm medo dos filhos, os mestres dos alunos. o medo é tão criminoso que, outro dia, seis ou sete universitários curraram uma colega. A menina saiu de lá de maca, quase de rabecão. No hospital, sofreu um tratamento que foi quase outro estupro. Sobreviveu por milagre. E ninguém disse nada. Nem reitores, nem professores, nem jornalistas, nem sacerdotes, ninguém exalou um modestíssimo pio. Caiu sobre o jovem estupro todo o silêncio da nossa pusilanimidade.

Mas preciso pluralizar. Não há um medo só. São vários medos, alguns pueris, idiotas. O medo de ser reacionário ou de parecer reacionário. Por medo das esquerdas, grã-finas e milionários fazem poses socialistas. Hoje, o sujeito prefere que lhe xinguem a mãe e não o chamem de reacionário. É o medo que faz o Dr. Alceu renegar os dois mil anos da Igreja e pôr nas nuvens a "Grande Revolução" russa. Cuba é uma Paquetá. Pois essa Paquetá dá ordens a milhares de jovens brasileiros. E, de repente, somos ocupados por vietcongs, cubanos, chineses. Ninguém acusa os jovens e ninguém os julga, por medo. Ninguém quer fazer a "Revolução Brasileira". Não se trata de Brasil. Numa das passeatas, propunha-se que se fizesse do Brasil o Vietnã. Por que não fazer do Brasil o próprio Brasil? Ah, o Brasil não é uma pátria, não é uma nação, não é um povo, mas uma paisagem. Há também os que o negam até como valor plástico.

Eu falava e o Marcelo não dizia nada. Súbito, ele interrompe: - "E você? Por que, de repente, você mergulhou na política?" Eu já fumara, nesse meio-tempo, quatro cigarros. Apanhei mais um: - "Eu fui, por muito tempo, um pusilânime como os reitores, os professores, os intelectuais, os grã-finos etc, etc. Na guerra, ouvi um comunista dizer, antes da invasão da Rússia: - "Hitler é muito mais revolucionário do que a Inglaterra." E eu, por covardia, não disse nada. Sempre achei que a história da "Grande Revolução", que o Dr. Alceu chama de "o maior acontecimento do século XX", sempre achei que essa história era um gigantesco mural de sangue e excremento. Em vida de Stálin, jamais ousei um suspiro contra ele. Por medo, aceitei o pacto germano-soviético. Eu sabia que a Rússia era a antipessoa, o anti-homem. Achava que o Capitalismo, com todos os seus crimes, ainda é melhor do que o Socialismo e sublinho: - do que a experiência concreta do Socialismo,

Tive medo, ou vários medos, e já não os tenho. Sofri muito na carne e na alma. Primeiro, foi em 1929, no dia seguinte ao Natal. Às duas horas da tarde, ou menos um pouco, vi meu irmão Roberto ser assassinado. Era um pintor de gênio, espécie de Rimbaud plástico, e de uma qualidade humana sem igual. Morreu errado ou, por outra, morreu porque era "filho de Mário Rodrigues". E, no velório, sempre que alguém vinha abraçar meu pai, meu pai soluçava: - "Essa bala era para mim." Um mês depois, meu pai morria de pura paixão. Mais alguns anos e meu irmão Joffre morre. Éramos unidos como dois gêmeos. Durante 15 dias, no Sanatório de Correias, ouvi a sua dispneia. E minha irmã Dorinha. Sua agonia foi leve como a euforia de um anjo. E, depois, foi meu irmão Mário Filho. Eu dizia sempre: - "Ninguém no Brasil escreve como meu irmão Mário." Teve um enfarte fulminante. Bem sei que, hoje, o morto começa a ser esquecido no velório. Por desgraça minha, não sou assim. E, por fim, houve o desabamento de Laranjeiras. Morreu meu irmão Paulinho e, com ele, sua esposa Maria Natália, seus dois filhos, Ana Maria e Paulo Roberto, a sua sogra, D. Marina. Todos morreram, todos, até o último vestígio.

Falei do meu pai, dos meus irmãos e vou falar também de mim. Aos 51 anos, tive uma filhinha que, por vontade materna, chama-se Daniela. Nasceu linda. Dois meses depois, a avó teve uma intuição. Chamou o Dr. Sílvio Abreu Fialho. Este veio, fez todos os exames. Depois, desceu comigo. Conversamos na calçada do meu edifício. Ele foi muito delicado, teve muito tato. Mas disse tudo. Minha filha era cega.

Eis o que eu queria explicar a Marcelo: - depois de tudo que contei, o meu medo deixou de ter sentido. Posso subir numa mesa e anunciar de fronte alta: - "Sou um ex-covarde." É maravilhoso dizer tudo. Para mim, é de um ridículo abjeto ter medo das Esquerdas, ou do Poder Jovem, ou do Poder Velho ou de Mao Tsé-tung, ou de Guevara. Não trapaceio comigo, nem com os outros. Para ter coragem, precisei sofrer muito. Mas a tenho. E se há rapazes que, nas passeatas, carregam cartazes com a palavra "Muerte", já traindo a própria língua; e se outros seguem as instruções de Cuba; e se outros mais querem odiar, matar ou morrer em espanhol - posso chamá-los, sem nenhum medo, de "jovens canalhas". 

Nelson Rodrigues foi Jornalista, Escritor, Dramaturgo, Cronista esportivo e torcedor do Fluminense (suspeita-se que tenha sido, na verdade, um flamenguista enrustido). Morreu, aos 68 anos, em 21 de dezembro de 1980. Texto extraído pelo Sobrenatural de Almeida, originalmente publicado In A cabra vadia (novas confissões), Livraria Eldorado Editora S.A., Rio de Janeiro, s/data, págs. 7-10.

domingo, 11 de novembro de 2018

O Enem da discriminação ao candidato comum



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Sérgio Alves de Oliveira

Restou fartamente comprovado que a versão de 2018 do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), de responsabilidade do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP), vinculado ao Ministério da Educação, para ingresso no Ensino Superior, foi absolutamente  discriminatório contra os candidatos “comuns” , não integrantes das comunidades LGTB - Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros.

Em grande parte a prova submetida aos candidatos versou sobre questões alheias aos currículos escolares, e mesmo à cultura média e às “vivências” da maioria dos interessados, sem ou com restrita intimidade com as particularidades da “vida” das comunidades LGTB.

Dentre tantos outros absurdos “discriminatórios” da prova, talvez o maior deles tenha sido a exigência dos candidatos dominarem um dialeto próprio, com “cheiro” africano, acessível e praticado tão somente nos restritos círculos dos grupos LGTB.

Essa prova de 2018 mais pareceu um “trote” dado na imensa maioria dos  5,5 milhões de inscritos, que certamente levaram enorme desvantagem ,sendo  “discriminados” em relação aos integrantes das comunidades LGTB, mais “familiarizados” e mais “íntimos” com as questões da prova. Resumidamente falando: a prova foi feita para favorecer a comunidade LGTB.

Além do mais, a INCONSTITUCIONALIDADE da prova foi flagrante. Feriu de morte o princípio constitucional de que “todos são iguais perante a lei”, assegurado pelo artigo 5º da Constituição Federal.

Com certeza os “demais” interessados em ingressar no Ensino Superior não se julgam de modo algum superiores aos candidatos gays, lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros. Mas exigem ter os mesmos direitos que eles. Essa exigência tem respaldo na Constituição.

Sérgio Alves de Oliveira é Advogado e Sociólogo.

Bolsonaro e as Heranças Malditas



Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net

O Flamengo parece o Supremo Tribunal Federal. Só dá “alegria” para a galera... Tem jogadores bem remunerados, mas que não perdem a chance de um reajuste, embora não estejam jogando à altura do que deseja a torcida. O Mengão tomou uma piaba do Botafogo – time do Jair Bolsonaro – que também torce pelo Palmeiras, cada vez mais líder do Brasileirão.

Já que falamos do futebol da vida pública, o time do STF tem tudo para ser o grande rival do “time” do Bolsonaro, do Mourão e do Moro. Ainda mais se a legítima pressão do árbitro de vídeo popular conseguir o milagre de convencer o perna-de-pau Michel Temer a vetar “a reposição salarial” dos magistrados e procuradores. Só que ele não deve vetar... Então, bola pra frente – e pro mato – porque o jogo é de campeonato...

No jogo da vida real, ainda bem que as coisas podem ser diferentes. Nenhum time das oligarquias pode subestimar a torcida. Somos um povo trabalhador, criativo e perseverante - que enfrenta diariamente os maiores juros do mundo, desemprego avassalador, criminalidade generalizada e ainda paga uma das maiores cargas fiscais do planeta para sustentar uma zelite política corrupta. Apesar de tudo, o povo consegue ser vencedor.

Venceu o recente jogo eleitoral. Só que não pode seguir jogando de salto alto. Cada palavra dita pelos novos mandatários eleitos deve levar em conta que esta eleição foi uma ruptura do time do bravo povo contra “O Mecanismo”. No entanto, o novo Presidente eleito vai herdar, como seus antecessores, aquilo que se convencionou chamar de herança maldita. Sorte nossa que o jogo é jogado...

Como ele foi eleito com o projeto de enfrentar, de verdade, o “Mecanismo”, os senhores Bolsonaro e Mourão não herdarão apenas uma herança maldita, mas sim um conjunto poderoso de heranças malditas. Para terem sucesso, vencendo o jogo no final, deverão hierarquizar suas batalhas. Eles devem buscar os fios condutores que permitam que mudanças estruturais ocorram a partir de efeito cascata.

Combater a Corrupção Sistêmica é fundamental. Tarefa Prioritária de todos os novos eleitos. Criar e fortalecer todos os instrumentos e sistemas de combate a corrupção é fortalecer as bases das mudanças estruturais.
Mas todos devemos estar cientes de que esse combate não será simples. “O Mecanismo” reagirá. Vai dar canelada de forma sorrateira e traiçoeira.
Para isso, vai buscar e vai contar com a cumplicidade dos nossos velhos veículos de mídia, tão acostumados a viverem pendurados nas benesses das verbas publicitárias do poder público.

Uma batalha invisível do “Mecanismo” contra os novos eleitos já se iniciou. A batalha da comunicação. É fundamental aos novos mandatários, do poder executivo e legislativo, entenderem que essa batalha de comunicação, quase uma guerra, é tão importante quanto as demais medidas legais e projetos que virão. Se errar na estratégia, aplicando a tática errada, pode sofrer algumas goleadas.

O poder público no Brasil está travado, de forma parasitária. Não somente perdulária. O poder público se transformou em um grande parasita que suga as riquezas geradas pela sociedade brasileira. E como está hoje, o poder público não sobreviverá sem o seu hospedeiro e refém: toda a sociedade brasileira. A República precisa ser reinstaurada, o Estado reconstruído e a Federação remodelada.

Vivemos a maior crise ética, moral, econômica e financeira nunca antes vista na História deste País. Os cartéis (públicos e privados) que alimentam esse grande parasita, o poder público, parece indiferente a tudo.

Quase diariamente, assistimos a operações do Ministério Público e das Polícias combatendo o crime organizado que desviaram centenas e mais centenas de milhões de reais. Fala-se em uma Lava Jato que movimentou trilhões de reais em recursos “roubados”.

Os esquemas do crime organizado se multiplicam como gafanhotos. Por isso, precisam ser combatidos e eliminados. A batalha da comunicação é fundamental. Deve ser conduzida por profissionais experientes, idôneos e conscientes da trama fraterna e do entrosamento existentes entre o crime organizado e a grande mídia no Brasil.

Por mais estranho que pareça, esse é um enfrentamento prioritário. “O Mecanismo” só pode ser vencido pela vontade coletiva que não existe na máquina estatal. Essa força popular vem exclusivamente da mobilização social, principalmente no mundo da Internet.

Agora é o momento dos ideólogos. Pessoas com experiência e vivência no combate diário da comunicação devem jogar o jogo para vencer tanta herança maldita. A galera irá à loucura... O time da Penitenciária será vencido...



Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus. Nekan Adonai!

O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Independente, analítico e provocador de novos valores humanos, pela análise política e estratégica, com conhecimento criativo, informação fidedigna e verdade objetiva. Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos. 
A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. Nada custa um aviso sobre a livre publicação, para nosso simples conhecimento.

© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 11 de Novembro de 2018.