quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Cenários para Bolsonaro e a esquerda


Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net
Membro do Comitê Executivo do
Movimento Avança Brasil

Não tem magia, nem futurologia, mas sim uma certeza gerada pelo ultimado dado pelo eleitorado na eleição. O Governo de Jair Bolsonaro & Antônio Mourão não pode errar, nem na economia, nem na prevenção e combate à corrupção e muito menos no enfrentamento à estrutura do Crime Institucionalizado. Tem de avançar nas reformas e nas mudanças estruturais. Do contrário, a esquerda retorna ao poder para não sair tão cedo.

Uma das mais conscientes e profissionais análises de cenário feitas até agora, que merece uma atenção especial de Bolsonaro e Mourão, tem a assinatura do economista Reinaldo Gonçalves. O Professor Titular do Instituto de Economia, Universidade Federal do Rio de Janeiro escreveu o artigo Governo Bolsonaro, Brasil 2019-22: Cenários (Versão 8/11/2018). O texto chama atenção, sobretudo, para o desafio liberal:     

“O Governo Bolsonaro defronta-se com um adversário interno (ortodoxia econômica liberal) e um inimigo externo (a oposição “faca nos dentes”). As questões centrais para o futuro são: como o Governo Bolsonaro enfrentará os 70-year-old Chicago boys da sua equipe econômica? Bolsonaro irá domesticá-los ou, simplesmente, exonerá-los? Bolsonaro permitirá que eles cometam erros estratégicos e erros trágicos?”.

Reinaldo Gonçalves lança outra provocação: “E quanto à oposição faca nos dentes e seu atrator estranho (Lula)? Bolsonaro irá tratá-los como adversários equilibrados e responsáveis (focados no futuro do país) ou inimigos temerários e vingativos (focados nos seus próprios interesses)? O futuro do Governo Bolsonaro depende das respostas a essas perguntas. E o futuro do Brasil depende da conduta e do desempenho do Governo Bolsonaro, mas isso é tema para outro trabalho (macrocenários nacionais)”.

O economista adverte que seu estudo tem uma hipótese básica: “a aplicação da matriz ortodoxa liberal, na atual situação brasileira, tem enorme risco de fracasso. A matriz ortodoxa pode ser, mais que um erro estratégico, um erro trágico. Essa hipótese decorre de dois fatos. O primeiro é que a ortodoxia envolve políticas e reformas com significativo impacto negativo, no curto prazo, sobre renda, emprego, serviços públicos, expectativas etc. O segundo fato é que a situação brasileira atual é particularmente grave tendo em vista o acúmulo de desequilíbrios que provocam: esgarçamento do tecido social; fratura na economia; tensão na política; degradação das instituições; e volatilidade de expectativas”.

Reinaldo Gonçalves chama atenção para o erro imperdoável da esquerda no uso do epíteto “fascista” para uma força política heterogênea e majoritária (58 milhões de votos nas eleições presidenciais de 2018). O economista entende que tal erro expressa uma combinação, não necessariamente linear, de idiotia, ignomínia e beligerância. Reinaldo Gonçalves acredita na hipótese de que essa conduta continuará durante o Governo Bolsonaro e implicará poder desestabilizador da oposição:

“Toda a narrativa filosófica e política refletida no Plano de Governo e nos posicionamentos de Bolsonaro remete à família (conjunto de indivíduos) e ao Cristianismo (Deus acima de todos!). Na realidade, é provável que o denominador comum da onda bolsonarista não seja o anticomunismo, o conservadorismo, o liberalismo, o individualismo e o cristianismo e, sim, o pró-renda, o pró-emprego, o antiviolência, o anticorrupção, o antipetismo e o antilulismo. Se de um lado, essas forças talvez sejam, na sua maioria, anticomunistas; de outro, elas talvez sejam majoritariamente conservadoras, liberais e democráticas”.

Reinaldo Gonçalves prevê um fenômeno, partindo de uma ressalva: “Evidentemente, há diferenças político-ideológicas entre as forças no governo e as forças na oposição. Entretanto, há questões objetivas referenciadas a indivíduos e grupos de interesses: poder e riqueza. Os processos do Mensalão e do Petrolão, bem como o impedimento da Dilma Rousseff e a derrota para Bolsonaro, implicaram grandes perdas para partidos, organizações e indivíduos”.

O economista acrescenta: “Nos últimos anos, o Partido dos Trabalhadores, protagonista da política brasileira a partir de 2003, sofreu perdas significativas que vão da redução das bancadas parlamentares ao afastamento de boa parte da sua liderança política. E, ademais, personagens políticos importantes viraram réus, apenados ou presidiários. Os casos de José Dirceu, Antônio Palocci e Lula são reveladores da situação de fragilização e, até mesmo, desespero de políticos que, até recentemente, estavam entre os mais poderosos e influentes do País”.

Gonçalves explica as vaciladas da esquerda: “Ao longo dos anos, as perdas acumuladas pela oposição (PT e seus partidos satélites, organizações e indivíduos) causaram condutas marcadas por idiotia e ignomínia. É o caso do Mensalão já no início do Governo Lula em 2003 em que as narrativas do “nada sabia” e do “caixa dois” são, ao fim e ao cabo, crimes de corrupção e formação de quadrilha. Os protestos populares de meados de 2013 são repercutidos pela atual oposição como uma questão de “demandas ampliadas”; e não como uma reação ao profundo descontentamento com o funcionamento de uma democracia de baixa qualidade e de uma república anã apequenadas a partir de 2003 com a corrupção epidêmica e resultados insatisfatórios. O impedimento de Rousseff em 2016 é ecoado como “golpe parlamentar”; e não como um evento previsível com múltiplas causas. O “fora Temer” (2016-18) não consegue disfarçar a sede de vingança daqueles marcados pela traição, perda, cumplicidade e culpa.

Reinaldo Gonçalves observa que, na visão da esquerda, o Petrolão e a Operação Lava Jato são vistos como uma conspiração entre agentes externos (CIA) e agentes internos (MPF, Judiciário, Polícia Federal etc.), e não como uma reação natural de agentes públicos ao patrimonialismo, à lavagem de dinheiro, ao enriquecimento ilícito, à formação de quadrilhas e à corrupção em larga escala, como nunca antes na história do País. E mais, o processo judicial de Lula em 2017-18 é vociferado como “perseguição judicial”; e não como uma ação penal repleta de evidências que seguiu fielmente todos os ritos processuais”.

Reinaldo Gonçalves toca no ponto focal: “A imbecilidade esférica na oposição manifesta-se quando a Operação Lava Jato é vista como consequência da “luta de classes” em que agentes públicos do Judiciário e do MPF (“assalariados ricos” da classe média alta) atuam para derrubar um governo de bases populares que representava os pobres e a classe trabalhadora! E, por fim, o “Lula livre” pós 7 de abril de 2018 (data da prisão de Lula) é, na melhor das hipóteses, a expressão do antirrepublicanismo e da antiética”.

Gonçalves ressalva que a esquerda tinha mais razões que a direita para ser a favor do impedimento de Rousseff e da punição de Lula a partir de 2015: “Em 2018 o Lula livre foi, certamente, um erro estratégico da campanha presidencial do PT e seus partidos-satélites já que há anos acumula-se forte rejeição ao expresidente e à corrupção. Se a maior parte da esquerda tivesse se posicionado firmemente a favor do impedimento de Dilma e da prisão de Lula, na eleição de 2018 a narrativa antiesquerda corrupta dos candidatos da direita teria menor potência. Pelo menos desde 2015 a esquerda poderia ter construído uma coalização com novas propostas, novas lideranças e novo referencial ético. Subordinados a Lula (que continua controlando a Tesouraria do PT), a maior parte da esquerda errou, errou de novo e errou pior”!

Reinaldo Gonçalves faz outra advertência relevante: “Da mesma forma que no resto do mundo, o discurso (nada inteligente) contra o populismo de direita constrói um enquadramento político binário do nós contra eles, dos bons contra os maus. Portanto faz-se a dicotomia entre “os bons democratas que defendem os valores universais da democracia liberal e a extrema direta malvada, racista e xenofóbica, que deve ser erradicada” (Moufe, 2005, p. 58). O resultado é evidente: adversários são transformados em inimigos, perde-se o sentido da realidade e inicia-se a marcha da insensatez. Há o acirramento das tensões sociais e do conflito político que atingem níveis críticos e, em consequência, os extremismos são propagados e a democracia comprometida”.

O pesquisador da UFRJ ressalta que a experiência brasileira recente, particularmente durante o processo político-eleitoral em 2018, enquadra-se nessa situação de antagonismo comprometedor da democracia já que cresce a oposição faca nos dentes: “A influência de alguns dos problemas enfrentados pelos países desenvolvidos tem, no caso do Brasil, os agravantes do patrimonialismo, da violência e da corrupção epidêmicos. O populismo de direita de Bolsonaro passa por cima de partidos, mobiliza paixões e cria identificações. O populismo brasileiro é o discurso sobre família, pátria e Deus, e também é a crítica, a condenação e a identificação dos mentirosos, canalhas e corruptos. No século XXI o sucesso do populismo de direita brasileiro reflete o confronto frontal das suas lideranças com o pacto entre a plutocracia, a cleptocracia e a canalhocracia”.

Reinaldo Gonçalves aponta Lula como um fator agravante no quadro de incertezas críticas tendo em vista a atração, a influência e o controle que exerce sobre a maior parte das forças da esquerda: “Entretanto, o poder de Lula tende a diminuir na medida em que avança seu tempo na prisão. E, em algum momento no futuro, Lula provocará repulsa na maior parte da esquerda e o Lulismo será somente objeto de adoração dos fundamentalistas enterrados na idiotia e na ignomínia. Lula completou 73 anos na véspera das eleições presidenciais de 2018”.

O economista da UFRJ sinaliza para um processo de fragilização evidente e crescente desse personagem da política brasileira com nas esferas jurídica, moral, física, mental e política: “Entretanto, Lula é um adversário temerário já que não tem muito a perder. Lula pode ter interesses objetivos e subjetivos na estratégia de brinkmanship. Isto é, a conduta da oposição com a “faca nos dentes” tem como foco a imposição de perdas ao adversário transformado em inimigo visceral (Governo Bolsonaro). Em consequência, é provável que a potência desestabilizadora da oposição (mais uma vez, liderada por Lula) implique insensatez, irracionalidade e estupidez”.

Reinaldo Gonçalves observa que, com o avanço das políticas assistencialistas do Governo Bolsonaro (programa de renda mínima etc.) é provável que, nas eleições futuras, haja forte redução dos votos em eventuais candidatos do PT (ou de uma coalizão de esquerda) liderados por Lula (se ele ainda estiver na arena política brasileira). Isso deve ocorrer, principalmente, nas regiões Norte e Nordeste. Ademais, se a esquerda continuar atrelada ao Lulismo ela acelerará seu processo de degenerescência e, provavelmente, entrará em trajetória de encolhimento já que perderá apoio popular, em geral, e no campo progressista, em particular. E, por outro lado, se o Governo Bolsonaro abandonar a ortodoxia da econômica liberal, gerar ganhos econômicos (mesmo que moderados), ampliar as políticas assistencialistas e reduzir a violência e a corrupção, ele será capaz de corroer definitiva e rapidamente as bases do Lulismo”.

Reinaldo Gonçalves descreve um fenômeno que precisa ser encarado seriamente pela situação e pela oposição: “O fato que 58 milhões de brasileiros votaram em Bolsonaro é a evidência empírica conclusiva de que grande parte da sociedade anseia por proteção, rejeita o pacto, abomina o Lulismo e condena Lula”.

Em resumo: Se Bolsonaro acertar na economia – e as possibilidades são excelentes -, a esquerda burra pode estar com seus dias contados no Brasil... Que dádiva!

Agendona Militar

O presidente eleito se reúne às 7h com o chefe do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos, John Bolton.

Às 10 horas, ele participa da formatura da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais do Exército (EsAO).

Na sexta de manhã, Bolsonaro estará em Guaratinguetá (SP), para a formatura da Escola de Especialistas.

Depois ruma para Aparecida do Norte e, à noite, segue para Resende (RJ).

No sábado, o Presidente eleito confirma presença, às 10 horas, na formatura da Aman - Academia Militar das Agulhas Negras.

Futuro da Infraestrutura no Brasil

O Vice-Presidente eleito, Antônio Hamilton Mourão, participa nesta quinta-feira, às 11 horas, do primeiro da série Diálogos Infra.

O evento acontece no auditório do edifício sede da ANTT – Associação Nacional dos Transportes Terrestres, em Brasília.

Mourão apresentará as perspectivas sobre os rumos da infraestrutura no Brasil e responderá às perguntas da plateia.
A conversa aberta com Mourão é organizada pelo SINICON (Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada – Infraestrutura), ANETRANS Associação Nacional das Empresas de Engenharia Consultiva de Infraestrutura de Transportes) e ANEOR (Associação Nacional das Empresas de Obras Rodoviárias.

Pezão engaiolado

O Governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, foi preso hoje cedo pela Operação Lava Jato.

Pezão foi acordado pela Polícia Federal, cumprindo mandado para levá-lo para a cadeia.

Até o final do ano, tudo indica que a Lava Jato (que alguns pensavam moribunda) promova novas operações e prisões surpreendentes...

E o TRF-4 manteve a pena de prisão de José Dirceu em 8 anos e 10 meses na segunda condenação na Lava Jato, o que torna o companheiro um sério candidato a retornar a um presídio.

Por enquanto, Dirceu está solto, com tornozeleira eletrônica, por bênção do Supremo Tribunal Federal...


Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus. Nekan Adonai!

O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Independente, analítico e provocador de novos valores humanos, pela análise política e estratégica, com conhecimento criativo, informação fidedigna e verdade objetiva. Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos. 
A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. Nada custa um aviso sobre a livre publicação, para nosso simples conhecimento.

© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 29 de Novembro de 2018.

5 comentários:

Anônimo disse...

Lucas 8:33 - "Os demõnios sairam dos homens, entraram nos porcos e se jogaram do precipício, morrendo todos."
O lullopetismo é o mais forte dos demônios, pois os homens não conseguem se livrar dele. Os petistas vão se jogar no precipício, mas não abrem mão do seu demônio predileto, que está preso na PF, em Curitiba.

Anônimo disse...

As ratazanas vão se espalhar em outros "ninhos".

jomabastos disse...

O principal objetivo deste governo, é retirar da grande pobreza os cerca de 60 milhões de brasileiros que nela vivem atualmente, e passá-los para uma classe média socioeconômica, com perspetivas positivas de poderem estudar com facilidade e conseguirem um emprego adentro das suas qualidades. Se isto acontecer, o comunismo praticamente deixará de existir e o liberalismo prevalecerá neste país.

Há que não esquecer que não existem somente 12 milhões de desempregados mas sim muitos mais milhões que estão "escondidos" dentro dos utentes do Bolsa família e que o IBGE não considera como desempregados. Aqueles que recebem apoio social em subsídios monetários, certamente que não estão empregados, como é o caso dos utentes do Bolsa família,

O objetivo principal da democracia neste país é "destruir" o comunismo, porque o liberalismo de direita e de esquerda sempre existirá. Querer mesclar o esquerdismo extremo dos comunistas e dos socialistas pró-putin com o esquerdismo liberal, é algo que mau para a democracia do nosso país. Neste momento o eleitor em geral considera que quem não é pró-Bolsonaro é pró-comunista e isso pode considerar-se falta de cultura política e muito negativo para um debate saudável.

jomabastos disse...

O anti-petismo e anti-lulismo não será o mesmo que anticomunismo? Certamente que é.

O pró-renda, o pró-emprego, o antiviolência, o anticorrupção, a dinamização do empreendedorismo, etc., são tudo ações anticomunistas, conservadoras, liberais, democratas e desenvolvedoras do país.

O Reinaldo Gonçalves é mais um que mistura comunistas e associados pró-comunistas com o centro-esquerda brasileiro. É, do meu ponto de vista, um erro de muitos pensadores políticos deste país.

Os eleitores de centro-esquerda e os centro-direita podem misturar-se mas nunca virarão comunistas, porque são na sua maioria são conservadores, não de ideologia, mas nas suas famílias, no seu interior e no seu modo de pensar e viver.

Considerar que a oposição principal será dos comunistas do PT, PSB, PCdoB, PCB, PROS e PSOL, é algo de muito errado. Estas forças comunistas ficaram muito enfraquecidas com as eleições de 2018 e ficarão cada vez mais enfraquecidas e talvez anuladas, se o governo de Bolsonaro, para governar com força e equilíbrio, souber ouvir as forças liberais da oposição, tanto as do centro-direita como as do centro-esquerda.

Há que não esquecer que existem muitos parlamentares que estão envolvidos em acusações de colarinho branco e somente por isso quererão estar contra o governo do Bolsonaro, independentemente da força partidária a que pertençam.



Anônimo disse...

Karl Marx era a favor do livre comércio. https://www.youtube.com/watch?v=A08MCelFgK0