terça-feira, 20 de novembro de 2018

Cuidados urgentes com a Petrobras



Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net
Membro do Comitê Executivo do
Movimento Avança Brasil

Embora considere a Petrobrás “estratégica”, o Presidente eleito Jair Bolsonaro admite que a “Petrobrás pode ser privatizada, em partes, sim”. O vice eleito, Antônio Mourão, também antecipou o que não será passado para a iniciativa privada: "O núcleo duro da Petrobras, que é onde tá a prospecção e a inteligência, o conhecimento, isso não vai ser privatizado. Agora podemos negociar distribuição e refino, é algo que pode ser negociado".

O indicado para presidir a empresa no Governo Bolsonaro/Mourão, economista Roberto Castello Branco, pregou ontem que a petroleira tem de focar somente em atividades que tem competência para fazer: "A Petrobras desenvolve outras atividades que não são naturais e que não atraem retorno. O melhor exemplo disso é a distribuição de combustíveis. A estatal ainda é dona da BR Distribuidora. A BR é uma cadeia de lojas, no fim das contas. A competência da Petrobras é na exploração e produção de Petróleo."  

Roberto Castello Branco defendeu que a Petrobras foque em competição e parcerias estratégicas: “O ideal é que você tenha um mercado competitivo. Além das medidas de compliance, a competição é o melhor remédio contra corrupção. A corrupção tem oportunidade de se manifestar onde existe monopólio: nos preços, nas relações políticas, pelos favores… Para a Petrobras, a competição será um antídoto permanente contra esse tipo de coisa que a sociedade não tolera mais".

Castelo Branco também advertiu que não faz sentido uma única companhia ter 98% de uma atividade no Brasil, que é o refino de petróleo. "A Petrobras pode rever o monopólio nessa área. A competição é favorável a todos: à Petrobras e ao Brasil". Castello Branco elogiou a gestão da Petrobras na Era Temer: "O Pedro Parente fez um ótimo trabalho de compliance e redução de custos. Esse trabalho de redução de custos deve ser permanente, porque se trata de uma empresa de commodities, cujo principal papel é ter custos baixos. Isso vale para a mineração, onde eu trabalhei muitos anos, e também para a indústria de petróleo".

Além do endividamento elevado e dos problemas de governança só “resolvidos” no papel – e não na vida real -, a nova direção da Petrobrás deveria ficar atenta a um problema que bem sendo denunciado por experientes geólogos nas redes sociais: “A Petrobras usa um novo código de reservas. Misturou tudo para poder chutar o volume descoberto no pré- sal. Além disso, abriram as torneiras para aumentar a produção acima da capacidade de produção, do ótimo de produção dos reservatórios nos campos, na mentira da autossuficiência de petróleo do país, que nunca foi atingida”.

A denúncia chama atenção para o resultado catastrófico: “Reservatórios e campos depletados, como reservatórios já produzindo muita água antes do tempo normal, alguns produzindo muito mais água que petróleo. Um crime de lesa-pátria. Com a abertura das torneiras para aumento da produção muito petróleo ficou perdido para sempre nos reservatórios”.

Além do problema na produção, tem outra questão mais assustadora em relação ao pré-sal: os efeitos da chamada “contabilidade criativa” da gestão Dilma Rousseff na famosa “Cessão Onerosa” – cujo contrato o Senado discute como irá rever. A administração petista usou o Tesouro Nacional (fez emissão de dívida) para capitalizar empresa. A dívida está muito elevada, em Títulos do Tesouro (LFT’s.).

Um resumo da jogada contábil: a União não colocou 1 centavo na brincadeira. Mas recebeu à vista (em 30.09.2010) US$ 42,5 Bilhões. À época representava R$ 74,5 Bi. Ou seja, oito anos atrás, a União teve a parte dele sem gastar nada. Agora, chegou a hora de devolver à Petrobras e seus acionistas (incluindo a própria União, que é controladora).

Por tudo isso, quando se fala de Petrobrás, não basta especular, apenas, sobre “privatização” (que não vai acontecer totalmente) e nem sobre a venda de alguns ativos (que precisa ocorrer, depois de uma avaliação e debate dentro e fora do governo). Jair Bolsonaro, Antônio Mourão e Paulo Guedes não podem dar mole em assunto tão complexo.

A Petrobras tem de fazer um acerto de contas, principalmente com seus investidores minoritários, em relação ao recente passado de corrupção e desgovernança corporativa na Era PT. O futuro presidente Bolsonaro deve dar atenção especial a este problema – crucial para uma mudança estrutural no Brasil.





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O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Independente, analítico e provocador de novos valores humanos, pela análise política e estratégica, com conhecimento criativo, informação fidedigna e verdade objetiva. Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos. 
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© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 20 de Novembro de 2018.

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