quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Educação: Qual é a real prioridade para o Brasil



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Stavros Xanthopoylos
Membro do Comitê Executivo do
Movimento Avança Brasil

Nos últimos meses temos visto muita discussão em torno do futuro da educação para a retomada do desenvolvimento do Brasil. De nada vai adiantar um trabalho brilhante da equipe econômica do futuro governo, seja nas reformas ou nas ações para retomada econômica se não tivermos um projeto integrado e sistêmico na educação do Brasil. A economia do país anda de braços dados com a educação.
Hoje, o Brasil vive o fundo do poço no que se refere a qualquer indicador do nosso sistema educacional. Pudera, introduzimos de forma consciente dezenas de milhares de analfabetos funcionais na população, muitos com pós-graduação. 

Consciente, sim, porque ao invés dos governantes dos estados e municípios enfrentarem as causas dos problemas da população e da educação tiveram como preocupação e priorização os dados estatísticos, falsos é claro. Números empurrados junto com crianças e jovens os quais, automaticamente, sem condição nenhuma, passavam de ano em ano com aprendizagem zero.

As desculpas e justificativas vêm acompanhadas dos números que o IBGE publica em suas pesquisas contínuas, nessas pesquisas filhos mortos são analisados sem processos integrados de gestão e acompanhamento. Não se planejam as formas e os processos para atingir as metas previstas no PNE, por exemplo, Plano Nacional aprovado no Congresso com força de lei. A estrutura não é integrada entre o governo central, os estados e municípios e ações e programas atendem a efeitos ou consequências, na maioria isolados, sem nenhum ataque às causas ou hiatos para correção de rumo.

Vemos instituições do terceiro setor que promovem ações para educação com projetos que trazem algum resultado, além, de iniciativas do poder público ou de gestores escolares que têm impacto positivo e de qualidade, porém, estamos atacando a real prioridade do nosso país para permitir que possamos melhorar a nossa educação?

Creio que não, pois vejo especialistas falando em alfabetização e aprendizagem da nossa língua e fazer contas. Concordo, porém o desafio está mais na origem, pois a primeira engrenagem do sistema que gira a educação do Brasil é ignorada.
Se quisermos alfabetizar e ensinar nossas crianças a ler, escrever, fazer contas, entre outras tantas habilidades e competências que são necessárias para uma sociedade bem desenvolvida, precisamos de matéria prima de boa qualidade. 

Portanto, além de necessitarmos consertar os dentes das engrenagens na educação fundamental, média, técnica e profissionalizante, precisamos cuidar das crianças de 0 a 3 anos e garantir que tenham educação infantil, com ingestão de proteína suficiente para o pleno desenvolvimentos intelectual. Só assim não perderemos mais nossas futuras gerações.

Por fim, não estamos falando só de educação aqui, estamos falando de economia, pois para cada dólar investido nessa fase da vida, o retorno é de 13 dólares na fase adulta, de acordo com o Prêmio Nobel de economia de 2010, James Heckman.
Claro, não excluímos nenhum desafio da educação brasileira aqui, só indicamos a prioridade máxima.

Stavros Xantophoylos é Consultor em Educação. Membro da diretoria de relações internacionais da Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed), já tendo ocupado o cargo de vice-presidente. Há 24 anos atua com Educação a Distância (EaD) para graduação e pós-graduação. Foi vice-diretor do Instituto de Desenvolvimento Educacional da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e diretor executivo do FGV Online. Graduado e mestre em Engenharia de Produção pela Universidade de São Paulo (USP), possui também doutorado em Filosofia e Administração. É fundador e CEO da SPX Consultoria Educacional, especializada em soluções educacionais online. Foi eleito Personalidade Educacional de 2011, 2013 e 2014, título concedido pela Associação Brasileira de Educação, pela Associação Brasileira de Imprensa e pelo jornal Folha Dirigida.

Um comentário:

jomabastos disse...

O IBGE é das instituições mais mentirosas do Brasil.