quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Ensino Superior, Pesquisa, Tecnologia e o Futuro do Brasil



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Stavros Xanthopoylos
Membro do Comitê Executivo do
Movimento Avança Brasil

Qual é a efetiva missão do ensino superior de um país?

Gerar formação básica, especialização, educação continuada, pós-graduação, suscitar produção científica, pesquisa e trazer riqueza para a nação.

Quando olhamos para as universidades brasileiras em sua maioria públicas, sejam federais ou estaduais, vemos um ambiente sem visão e missão associadas aos objetivos mencionados acima, em grande parte delas. Basta entrarmos à página principal do sítio da maioria das nossas universidades, das mais renomadas às medianas, que veremos um conjunto de informações o qual se assemelha mais com uma página de partido político ou de organizações associadas a assuntos que nada têm a ver com ciência, conhecimento ou educação, mas aqueles que têm dividido a nossa sociedade neste escopo do marxismo cultural e doutrinação.

Claro, esses assuntos devem ser pauta de qualquer ambiente epistemológico, porém não podem ser foco dos ambientes que são responsáveis por formar os futuros profissionais, cientistas para gerarmos inovações, patentes e riqueza para o Brasil. Se acharem as afirmações acima fortes demais, comparem com qualquer sítio de universidades mundo afora dos países que se desenvolveram e os que compõem o grupo dos que estão se desenvolvendo de forma mais rápida que nós.

Temos desafios imensos em acelerar a formação de professores aptos a prepararem a geração para o século XXI, por exemplo, além de incrementar o número de formandos em carreiras técnicas em número suficiente e em escopo amplo para podermos explorar a potencialidade de recursos do nosso País.

Assim, é fundamental que se defina uma Política de Estado de Pesquisa, Ciência e Tecnologia e outra para Educação. Partindo dessas bases poderemos estender planos e ações integrados necessários para o desdobramento de projetos nas diversas áreas de exploração para a geração de inovações e soluções de problemas os quais são grandes desafios da nação. Desta forma daremos norte às atividades das universidades e pararemos de acender uma produção científica com pouco impacto e relevância, nacional e internacional, hoje, resumindo-se em publicação de artigos cuja quantidade é o referencial para estabelecer a qualidade das instituições educacionais.

Esse movimento será fundamental para mudarmos a estrutura de financiamento das nossas universidades, permitindo que os recursos atualmente destinados, em sua maioria, para pagamento de salários e gastos recorrentes, sejam oriundos de patentes geradas por iniciativas próprias ou por centros de pesquisa associados com a iniciativa privada, a exemplo, de projetos vistos nos países desenvolvidos e mais recentemente em países como a China, Coréia do Sul, Emirados Árabes, entre outros.

Com a nossa biodiversidade, condições naturais para geração de energias limpas, nossa riqueza mineral, nossa costa, solo, além de desafios de infraestrutura e de logística, por exemplo, não faltará escopo ou interesse de associação com as nossas universidades para desenvolvimento de tecnologia, produtos e soluções para os nossos desafios. Nossos principais exemplos são a Embrapa, a Petrobrás, a Embraer, entre outros milhares de atividades de pesquisa que operam milagres nas condições atuais, seja por falta de recursos ou por entraves ideológicos presentes no ambiente científico brasileiro.

Os recursos gerados com essas iniciativas liberarão orçamento do MEC para focar de forma mais efetiva em programas e diretrizes, alicerces da educação, que , quando melhorados, permitirão construir os pilares, o ensino básico, para sustentar o telhado, o ensino superior.

As IES privadas que representam mais de 85% das instituições de ensino superior com mais de 70% do alunado terão papel fundamental em continuar a formar professores, por exemplo, e em oferecer conteúdos aceleradores de competências para permitir o ingresso acelerado ou melhoria da condição dos profissionais. Novas configurações pedagógicas, fugindo dos blocos formativos, ou seja o paradigma dos diplomas terá que abrir espaço para o paradigma do saber, para o aluno do século XXI.

Assim, novas atividades de certificação de saberes prévios, educação aberta, cursos e conteúdos abertos, reconhecimento de saberes prévios farão parte das estratégias das instituições, pois o mundo do nosso aluno, nosso professor, nossa avaliação não está mais só, temos o cenário de qualquer aluno, qualquer conteúdo e qualquer professor, e como fica a certificação e o reconhecimento neste mundo do aterro sanitário da internet.

A provocação está feita... Mãos à obra!

Stavros Xantophoylos é Consultor em Educação. Membro da diretoria de relações internacionais da Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed), já tendo ocupado o cargo de vice-presidente. Há 24 anos atua com Educação a Distância (EaD) para graduação e pós-graduação. Foi vice-diretor do Instituto de Desenvolvimento Educacional da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e diretor executivo do FGV Online. Graduado e mestre em Engenharia de Produção pela Universidade de São Paulo (USP), possui também doutorado em Filosofia e Administração. É fundador e CEO da SPX Consultoria Educacional, especializada em soluções educacionais online. Foi eleito Personalidade Educacional de 2011, 2013 e 2014, título concedido pela Associação Brasileira de Educação, pela Associação Brasileira de Imprensa e pelo jornal Folha Dirigida.

Um comentário:

jomabastos disse...

A tecnologia poderá e deverá ser sempre usada para nosso benefício, mas só se estivermos no caminho certo e tivermos o ensino certo nas Universidades certas.
Infelizmente, na prática, passamos ao lado da terceira revolução industrial. E o ensino a continuar assim, provavelmente a quarta revolução industrial demorará algum tempo a chegar a este país.