quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Muito cuidado com as “cartas brancas”


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Sérgio Alves de Oliveira

Muitas críticas foram feitas nos últimos dias contra o Presidente eleito Jair Bolsonaro, em relação aos convites que fez, diretamente ou através de prepostos, para que certos nomes integrassem  o seu futuro Governo ,a partir de 1º de janeiro.

Li com muita atenção uma delas, de autoria do escritor e jornalista Helder Caldeira, que levou por título “ Bolsonaro e o risco da escolha de nomes ligados a Dilma Rousseff, ao PT e ao MDB”, onde foram questionados pelo autor muitos nomes que integraram os Governos do PT, inclusive a nível de Primeiro Escalão.

Apesar de concordar com o articulista, num primeiro momento  achei que estaria havendo da  parte  dele um certo exagero. Mas não houve qualquer exagero. Examinei melhor a questão. Para surpresa geral, efetivamente o Presidente Bolsonaro está se entregando de corpo e alma à “quadrilha” do PT , que (des)governou o Brasil de 2013 a 2016, mutilando-o MORAL, POLÍTICA, ECONÔMICA e SOCIALMENTE                                                                                                                                                      

Seria esse gesto “generoso” meramente pagamento do preço pela “governabilidade”? Mas não estaria muito “alto” esse preço que está sendo pago? Será que a “compra” dessa gente seria tão importante assim? Os princípios morais e éticos prometidos como norte do Governo  na campanha eleitoral, não seriam muito superiores à esse tipo de “mercadoria”, ou à “compra” desse apoio?

Alguns convites não estão “fechando” muito bem. Um deles, por exemplo, é aquele  feito a Joaquim  Levy para comandar o BNDES, o qual  inclusive integrou o Ministério da “defenestrada” Dilma Rousseff.                                                                                                                                         

Mas as expectativas não estariam sendo   justamente direcionadas ao  BNDES, onde  teria ocorrido o maior foco de corrupção da “era” PT , perto do qual, todos os outros, somados, incluindo  o  fantástico “rombo” na Petrobrás ,não teriam passado  de “brinquedinho de criança”?

Ora, é evidente que no mínimo dentro do Primeiro Escalão de Governo , TODOS teriam que ser julgados culpados pela gigantesca corrupção que ocorreu ininterruptamente durante os 13 anos de gestão do PT .                                                                                                                   
Joaquim Levy foi um “deles”. Os crimes de corrupção, envolvendo praticamente todas as áreas dos Governos do PT, foram “sistêmicos”, gigantescos  e absolutamente ininterruptos. Alguns chegam a garantir que os roubos contra o erário teriam ultrapassado o valor do PIB brasileiro, de cerca de R$ 6,5 trilhões.

Como poderia então, qualquer Ministro alegar “inocência”, ou dizer que  não teria  a mínima ideia  das irregularidades que se passavam  no Governo como um todo? Essa omissão não seria equiparada à cumplicidade? O que Vossa Excelência tem a dizer sobre isso, Senhor Joaquim Levy?

Portanto pode estar havendo “mil” outras razões para esse convite. Mas não há que falar num motivo e num convite LÓGICO, pautado pela honestidade política.                                                                                                                                    

Como um dos  integrantes de uma determinada “quadrilha” teria  a isenção necessária para investigar  e apontar irregularidades ou crimes de outros integrantes da mesma “quadrilha”? Um membro da “quadrilha” investigando a própria “quadrilha”? Não seria provável que uma investigação desse tipo, caso realizada, acabasse “respingando” no investigador ? Como cultivar  alguma esperança que esse cidadão convidado  não “abafe” tudo o que se passou no BNDES, protegendo assim os seus antigos “parceiros”?

Apesar de tudo nunca torci tanto para que estivesse errado. Se de fato Levy “botar-para-quebrar” no BNDES, na verdade ele não precisaria ir muito longe para achar a “caixa preta”. Com o tempo de 1 ano que ele  ficou à frente do Ministério da Fazenda (Dilma-2015), a tal caixa preta deve estar dentro da sua própria cabeça.

Sérgio Alves de Oliveira é Advogado e Sociólogo.

2 comentários:

jomabastos disse...

Ótimo artigo!

Mauro Moreira disse...

De pleno acordo, doutor. Ora, não consigo entender como alguém que ficou exatamente no local do crime, tendo dele participado ou, sabedor do ocorrido, se omitido covardemente, possa ser colocado para administrar e investigar o covil. Ademais, é fácil perceber que Joaquim Levy é indivíduo apático, sem pulso. Aturou todas o desrespeito com que Dilma e os petralhas o trataram com aquela fleuma britânica irritante. Terá pulso para enfrentar a quadrilha petralha que se alojou dentro do BNDES e que já dá mostras do humor com o qual reagirão a qualquer investigação no banco, dando recados via imprensa que tudo lá sempre ocorreu dentro das normas bancárias, respeitadas as leis vigentes? Levy jamais poderia ser convocado para dirigir o BNDES já que no caso de uma CPI séria ou de uma investigação por parte do MPF, da CGU, seria convocado na condição de investigado. Tanta gente competente e de reputação ilibada disponível, e Paulo Guedes opta por Levy, o frouxo? Fala sério!