quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Além da Tolerância Zero com a Corrupção



Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net
Membro do Comitê Executivo do
Movimento Avança Brasil

O Crime é Institucionalizado no Brasil. Por isso, a corrupção sistêmica deve ser encarada como conseqüência – e não como causa principal da “roubalheira” organizada. A verdadeira causa é o modelo estatal brasileiro. Ele é estruturado não só para “roubar”. O roubo cumpre a função de remunerar os agentes conscientes que cumprem a missão maior de tornar o poder público ineficiente para nos manter no subdesenvolvimento.  

Por isso, é dificilíssimo combater a Corrupção. Enxugar gelo rende melhor resultado. Vide um exemplo: A Procuradoria-Geral de Justiça do Rio de Janeiro instaurou um procedimento criminal há cerca de quatro meses para investigar as circunstâncias das movimentações dos funcionários de Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). A apuração também tem como alvo os deputados aos quais estão vinculados os servidores.

Imagina se o mesmo procedimento for adotado como padrão pelo Ministério Público pelo Brasil afora, em todas as assembléias legislativas e nas câmaras municipais de todos os municípios. Pode ter certeza que aí será desvendado como funciona (e arrecada ilegalmente) o famoso “Mecanismo”. Se tamanho esquema não for atacado, nada vai mudar na política. A maioria dos eleitos é escolhida, previamente, pelo Mecanismo – que patrocina candidaturas, independentemente do viés ideológico (mero ilusionismo).

Por isso, é fundamental ir muito além da mera tolerância zero com a corrupção. O corrupto cumpre a função de controlador social pela via executiva ou legislativa, com interferências diretas nos órgãos de controle e, sobretudo, na máquina judiciária (magistratura, membros do Ministério público e os variados cartórios). Isto explica por que tantos corruptos sobrevivem, por longo tempo, impunes ou sem serem incomodados por quem tem a missão profissional de prevenir e conter a corrupção na máquina estatal. O “Mecanismo” é isto aí...

Agora, as diversas variações da Lava Jato geram um corre-corre dos corruptos. As broncas podem sobrar para qualquer um – principalmente para os que perdem seu poderio, por qualquer motivo. As estratégias e táticas usadas pelos corruptos profissionais se tornam manjadas. Mais interessante é que tudo se torna público. O cidadão comum consegue entender como funciona o “Mecanismo”. Melhor ainda: consegue-se identificar os corruptos e seus parceiros, em todos os escalões do poder público, nos Três Poderes, na União, Estados e Municípios.

Só não temos direito de nos iludir. O “Mecanismo” só será realmente afetado se o cidadão comum, eleitor compulsório, se preparar para cumprir o papel fiscalizador. O Brasil que se deseja honesto não tem outra saída senão criar um sistema de Corregedorias Públicas – formadas por voluntários, entre os eleitores, e com capacidade técnica para tomar conta do poder público. Os corregedores devem cumprir mandatos curtos, sendo sempre renovados, para não acabarem, rapidamente, seduzidos pelo “Mecanismo”.

O Controle do Estatal pelo Cidadão é o maior desafio brasileiro. Não se combate corrupção com supostos heróis, discursos moralistas arrumadinhos ou deixando que o próprio “Mecanismo” indique quem irá fiscalizar o setor público. Se isto não ocorrer, vamos apenas esperar pela próxima operação espetaculosa da Polícia ou dos promotores de Justiça, com a certeza de que nada vai mudar, estruturalmente, de verdade. Assim, o Crime Institucionalizado continuará compensando e cumprindo sua função de nos manter no atraso, na miséria e no subdesenvolvimento.

Enquanto o certo não se consuma, vamos nos divertindo com a penca de bandidos de fino trato que a Lava Jato prende...   




Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus. Nekan Adonai!

O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Independente, analítico e provocador de novos valores humanos, pela análise política e estratégica, com conhecimento criativo, informação fidedigna e verdade objetiva. Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos. 
A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. Nada custa um aviso sobre a livre publicação, para nosso simples conhecimento.

© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 12 de Dezembro de 2018.

3 comentários:

jomabastos disse...

Excelente artigo!

O Crime Institucionalizado está enraizado e alicerçado no Brasil. Há que destruir essas fundações, essas riquezas e essas vidas impuníveis que os corruptos construíram ao longo de décadas.

É extremamente necessário que os leitores sejam os grandes fiscalizadores dos políticos eleitos, desde um simples vereador até ao mais alto executivo da governação.

Temos que fiscalizar toda corrupção e a lavagem de dinheiro visíveis - fazendas, propriedades, qualquer enriquecimento repentino sem justificação. Mas também devemos fiscalizar aquela pretensa corrupção que se lê através das redes sociais, assim como aquela exposta na mídia através do jornalismo - não interessa a ideologia da mídia ou de quem exponha os "roubos" e "falcatruas".

Mas para o leitor poder denunciar tudo isto, há que criar um sistema de Corregedorias não governamentais – formadas por voluntários, entre os eleitores, liberais, não alienados politicamente, comprovadamente "limpos", com capacidades individuais e técnicas para tomar conta do poder público e, deste modo, entregar processos devidamente preparados e comprovados ao ministério público.

Entre os integrantes destas corregedorias não governamentais, não devem existir cargos "endeusados" - porque isso originaria superioridades indesejáveis e corruptíveis - , mas sim paralelos de modo que, não existam níveis diferenciados de comando entre eles, mas sim que existam simplesmente níveis de responsabilidades variadas atribuídas por consenso, como numa simples congregação, em que tudo é votado de modo transparante e executado em concordância.

Há que defender o Brasil em primeiro lugar e para isso não podemos permitir corruptos, seja qual for a sua cor política. Necessitamos destruir o "Mecanismo" que corrói esta Nação.

Fabio Roberto Guimarães disse...

Perfeita a definição e análise, Jorge Serrão. O Crime no Brasil é Institucionalizado e a sociedade tem de impor medidas para fiscalizar.

Anônimo disse...

Criar corregedores na população para combater o crime institucionalizado é chover no molhado, porque com o tempo haverá uma nova ordem de corruptos, que serão substituidos ad infinitum. Só existe uma solução draconiana, que seria considerar crime hediondo os desvios de recursos públicos, com prisão perpetua, com trabalhos forçados, com o confisco de todos bens dos envolvidos até a terceira geração Nós latinos somos movidos pela emoção e não pela razão, e com o passar do tempo alteramos as leis para proteger os assasinos, pedofilos, estrupadores. etc. Quanto a constituição brasileira se transformou numa colcha de retalhos, com mais furos do que uma peneira, que permite aos ministros do STF, soltarem bandidos de colarinho branco ao seu bel prazer. O presidente Bolsonaro dentro de quatro anos não conseguirá resolver nem 10% do que se propõe a fazer, mas pelo menos deixará uma semente, que poderá germinar nas novas gerações.