quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Globalização x Estado x Cidadão



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Henrique Abrão e Laércio Laurelli

A presente análise visa a estabelecer o desenvolvimento da globalização na última década seus efeitos danosos no Estado fragilizado e sua influência na cidadania diminuta. Em linhas gerais cem grandes corporações tomaram o Estado para si e fizeram dele seu indutor manipulador da própria vontade, ao passo que os Estados sem força, autonomia ou capacidade de reação, catapultados pelos grandes grupos e corporações econômicas, foram retirar suas reclamações no cidadão da classe média e desprotegido da concorrência e da justiça.

Essa articulação traduz que o Estado cada vez mais endividado e sem empoderamento algum descasca, embrulha e debulha o cidadão mediante forte tributação, tornando-o um mero contribuinte da máquina para satisfazer sua vontade. O Estado apenas tem direitos e o cidadão deveres. Donde se pergunta: mas a Constituição cidadã não elencou uma série de direitos e garantias individuais? No fundo tudo balela, já que o cidadão brasileiro para ter direito ao mínimo precisa pagar o máximo.

Em todas áreas da educação,saúde,cultura,lazer,medicamentos,e sobretudo na capenga segurança a qual se encontra bombardeada, diariamente assistimos assaltos e as quadrilhas com fuzis fazendo policiais reféns quando não mais um número de vítimas fatais. Estraçalhado e apequenado, o Estado não conseguiu reagir contra as grandes corporações, e aceitou livre e desabridamente o jogo da corrupção, porém sua fraqueza notadamente nas contas públicas fez com que sua voracidade encontrasse no cidadão o desaguar de uma nova tragédia,eis que o homem do povo não pode responder à altura da tributação, e dos valores cobrados pelos juros capitalizados da concentração bancária.

Agora lançam uma cartilha explicando sem justificar que é possível praticar juros menores, mas não o fazem e continuamos no mesmo ciclo vicioso que nos impede de crescer há mais de 10 anos, desempregado 13 milhões de brasileiros e apresenta uma complicada situação do produto interno bruto, precisaríamos crescer 5 anos seguidos à taxa de 5% ano para equiparamos ao colonizador Portugal, já que a ineficiência do setor público é marcante e das empresas, sociedades economia mista, fundações e autarquias caminham na mesma direção.

Consequentemente, as grandes corporações sequestraram o Estado mormente em países em vias de desenvolvimento - os quais seus líderes de governo são atraídos pela corrupção e suborno, com programas sociais utópicos e sobra para o cidadão ser esfolado e ficar desolado com o estado hobbesiano o qual se ocupa e preocupa em cobrar tributos diretos e indiretos, taxas, tarifas, adjetivando preços públicos os quais não se sustentam além da indústria da multa de trânsito que arrecada 18 bilhões no Brasil,eis um triste retrato do que sobra o bolso do cidadão para pagar os pegados dos governantes e as espúrias alianças das grandes corporações. 

Carlos Henrique Abrão (ativa) e Laércio Laurelli (aposentado) são Desembargadores do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.

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