segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Viagem ao passado – Brasil 2018



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por H. James Kutscka

São Paulo, Brasil 2223

Campus da faculdade de História Real - Departamento  de Pesquisa Política e Social in Loco.

Sobre o palco, no salão pouco iluminado, sob o facho de luz de um canhão seguidor que o acompanhava no pódio, o reitor se dirigia aos formandos e seus convidados: 

-Prezados senhores, bem-vindos de volta da viagem de formatura, espero que ela tenha servido para dirimir dúvidas que porventura existissem após todos esses anos de seus estudos.  Como é de conhecimento geral, essa disciplina é fundamental para o desenvolvimento da raça humana, somente ganhou vida após o descobrimento da possibilidade de se viajar no tempo modificando a frequência em que vibravam os átomos do corpo do viajante em 2118. Isso veio garantir discrição na observação, uma vez que o viajante é invisível e incorpóreo no período visitado, impossibilitando-o dessa forma, mesmo que involuntariamente, de intervir nos acontecimentos, evitando-se assim os paradoxos que poderiam surgir com a presença no passado de um elemento físico de outra faixa temporal.

Assim em 2134 surgiu a primeira faculdade de História Real e essa começou a ser reescrita. Pela primeira vez em todos os tempos com base em fatos reais, que podiam ser observados e atestados, por pesquisadores em qualquer momento do desenrolar dos fatos.

Sei que os formandos aqui presentes escolheram o ano de 2018 como viagem de formatura. Excelente escolha já que estamos comemorando nos próximos dias, os duzentos anos dos fatos que levaram nosso país a livrar-se dos problemas que o traziam agrilhoado a verdadeiros capatazes políticos que durante mais de um século, administraram o país como se esse fosse sua capitania hereditária.

Espero que tenham visto como era nosso país e apreendido com a viagem o suficiente para que jamais se repita o erro.

- Alguma pergunta sobre a experiência?

- Por favor senhor, aqueles 12 ministros  da Corte Suprema, estou incluindo a Procuradora Geral da República,  que  no acontecimento mais tarde conhecido  como  “atitude Maria Antonieta” legislaram em benefício próprio aprovando um aumento  de 16,38% sobre seus vencimentos que desencadearia uma série de aumentos em cascata para todo o judiciário  ao custo aproximado  de  6 bilhões  de Reais ao ano.

A casta privilegiada com a atitude benevolente. incluía o Presidente da República, que aprovou a decisão faltando menos de 180 dias para a posse de um novo ocupante do cargo, o que era, e é, proibido pela nossa constituição

Nesse específico momento em nosso país, havia mais de 12 milhões de desempregados e mais de 55 milhões de pessoas vivendo com um salário mínimo ou menos.

Um verdadeiro tapa na cara do povo.

A pergunta é: Eles esperavam se sair bem com tal atitude?

- Aparentemente sim, mais perguntas?

-Sim aqui!

- Pois não, diga.

- Nesse mesmo momento do tempo, setores de esquerda tentam evitar a eleição do um candidato de direita que acabou sendo o fator essencial de mudança no país, com um atentado à faca. Esperavam sair impunes?

- Entendo sua perplexidade diante de um ato tão imbecil, mas deves considerar a época, naquele momento da história, tal barbaridade poderia ter dado certo, não fosse a providência, digamos assim, divina.
Alguém mais?

-Eu, o ex-presidente que se encontrava na época detido, ameaçava  através de seus prepostos criar desordem pública através de movimentos sociais, que  durante seu governo havia sustentado, os exibia nesse momento como verdadeira milícia própria, ainda contava com o apoio de grande parte da população que havia sido instruída por historiadores com ideologia de esquerda, que sonhavam com uma ditadora do proletariado, onde eles fossem parte da “Nomenklatura”.

Eles não viram o “tsunami” que se aproximava?

- Aparentemente não, apesar de a história  da humanidade estar lotada de exemplos de poderosos derrotados pelos  povos que subestimaram, mas de qualquer forma tal personagem não era mesmo um exemplo de sabedoria  e o povo não suportando mais viver em uma verdadeira distopia, como em tantas outras oportunidades na história da humanidade, após ter perdido as contas  das lágrimas deixadas em vão em tantos ombros de terceiros, resolveu colocar ordem na política  com os meios  ao seu alcance, então a internet que havia nascido  como uma arma militar, mostrou a que veio. Graças a ela, hoje podemos viver em um país que conquistou seu espaço entre as nações e é respeitado pela honradez e sabedoria de seu povo.

Mais alguma pergunta? Bem se não há mais perguntas só me resta dar as boas-vindas à turma de formandos da Faculdade de História Real da classe de 2223!

As luzes acenderam.

Formandos e convidados explodiram em palmas, o país em que viviam, agora era uma utopia real.

H. James Kutscka é Escritor e Publicitário.

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