sábado, 5 de janeiro de 2019

Equipe econômica tem de dizer a que veio


Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net
Membro do Comitê Executivo do
Movimento Avança Brasil

Foi péssimo para o começo de um “Governo de Esperança” o desencontro de versões e intenções entre o Presidente da República e sua equipe econômica. Ficou no ar a impressão de que Jair Bolsonaro parecia decepcionado com o time de Paulo Guedes, por não ter cumprido o prazo de apresentar uma proposta concreta de reforma previdenciária, na reunião ministerial de quinta-feira passada.

Um choque entre o Presidente e sua tecnocracia era esperado, porém não tão prematuramente... Podem ter certeza de que Bolsonaro não agiu como um ingênuo ao lançar, publicamente, as diretrizes de uma reforma da previdência e de uma reforma tributária, sem antes conversar com a equipe econômica. Bolsonaro não foi precipitado. Agiu estrategicamente. Apenas deixou claro quem manda e quem deve obedecer. Até porque, no final das contas, é o dele quem fica na reta...

Alegando que “nosso governo tem que ter a marca de não aumentar impostos", pela manhã o “Capitão” Jair Bolsonaro mandou hoje baixar a alíquota do “Imposto de Renda” da Pessoa Física de 27,5% para 25%. No meio do dia, o Presidente foi desmentido por um subalterno, em pleno meio da rua, nos arredores do Palácio do Planalto. Lá dentro, um ministro fez a mesma coisa, negando a publicação de um decreto para elevar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), para compensar a prorrogação de incentivos fiscais para empresas das áreas da Sudam (Amazônia) e da Sudene (Nordeste). 

Tamanho erro de estratégia e comunicação não pode se repetir. O Presidente terá de rever sua tática comunicativa. Não é prudente dar declarações para imprensa – por melhor que as novidades sejam – na correria dos compromissos governamentais. O emprego de um porta-voz não faz mal a ninguém. Também é recomendável restringir os pronunciamentos oficiais aos atos programados de encontro com a imprensa no Palácio do Planalto.

O pessoal de Bolsonaro precisa tomar extremo cuidado com as declarações “off the record” (sem gravação e supostamente sigilosas) aos encantadores catadores de notícias fofoqueiras da mídia tradicional. As figuras são, simplesmente, inimigas do governo. O objetivo delas é gerar intrigas, e não prestar o relevante serviço de informar o público. Depois da pequena catástrofe comunicativa do quarto dia de poder, torna-se fundamental centralizar a divulgação das informações estratégicas de governo.

Precipitação na divulgação dos fatos e intenções é tão prejudicial quanto a divulgação de mentirinhas oficiais. É preciso muito cuidado com o lançamento de factóides ou faketóides. O novo governo tem de tirar melhor proveito da inteligência emocional e extrema sinceridade, tanto do Jair Bolsonaro quanto do seu vice Antônio Hamilton Mourão. Ambos não deixam ninguém sem resposta na lata. Isto é excelente, desde que praticado moderadamente na comunicação oficial.

Conflitos comunicativos são uma tragédia – principalmente no começo de um governo comprometido com reformas e mudanças estruturais na máquina de um sistema estatal ladrão. Membros do governo não podem e nem devem promover debates públicos entre si, sem antes chegarem a consensos básicos, principalmente com o Presidente, que é o superior hierárquico.

Terça que vem tem reunião do Conselho de Ministros. Até lá, Bolsonaro espera propostas concretas de ação produzidas por todos os colaboradores. Com certeza, o Presidente sentará com a equipe econômica para evitar futuros desencontros de informações. Quem tem a chave do cofre não pode bater de frente com o capitão do time... Vale o manda quem pode e obedece quem tem juízo...

Enfim, o governo lucrará mais se seus integrantes falarem menos e fazerem mais, sobretudo na área econômica – que é fator direto de sucesso ou fracasso de uma administração governamental. Fala sério... É inaceitável que, desde o anúncio da vitória na eleição até agora não tenham feito propostas e planos concretos e viáveis...




  

Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus. Nekan Adonai!

O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Independente, analítico e provocador de novos valores humanos, pela análise política e estratégica, com conhecimento criativo, informação fidedigna e verdade objetiva. Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos. 
A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. Nada custa um aviso sobre a livre publicação, para nosso simples conhecimento.

© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 5 de Janeiro de 2019.

8 comentários:

Anonimo disse...

Indo de encontro ao você escreveu veja só esse tipo de publicação:
https://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/01/04/bolsonaro-quem-diria-virou-difusor-de-fake-news/

jomabastos disse...


Os decretos-lei acabaram, legalmente, com a Constituição de 1988, passando a existir as Medidas provisórias com força de lei, que servem para implementar a agenda econômica e administrativa do executivo, mas que têm obrigatoriamente que ser votadas pelo Congresso.
Mas governar em exagero com as MP`s, pode originar demasiada fricção e tensão entre o executivo e o Legislativo, o que pode originar uma certa ingovernabilidade.

O presidente deve ter um papel crítico e central, no equilíbrio, gestão e estabilização do seu executivo. Quando isso não acontecer, o executivo, internamente e externamente, perde estabilidade, força e credibilidade.



jomabastos disse...

O emprego de um porta-voz, além de não fazer mal a ninguém, é uma necessidade de governação para dar conhecimento das suas decisões. Mas é sempre conveniente que, estas declarações à imprensa sejam sempre acerca de decisões definitivas.

jomabastos disse...

O Bolsonaro tem que se mentalizar profundamente que já não é deputado, nem está em campanha eleitoral. O Bolsonaro agora é o presidente de todos os brasileiros.

Paulo Figueiredo disse...

Serrão, você foi contaminado pelo vírus VERMELHO de raiva ou de idiotice?? Cinco dias e você, junto com os vermelhos safados, já estão fazendo cobranças como se já tivesse ocorrido mais de três anos. Ressaca, ainda, do réveillon?

Anônimo disse...

A cobrança prematura se explica pelo receito de que, sem ela, o presidente possa ser engolfado pelo esquema de poder ainda vigente.

Anônimo disse...

Receio, em lugar de receito.

Anônimo disse...

O caso do Ceará é só coincidência? - Radar da Mídia - Terça Livre TV - https://www.youtube.com/watch?v=qoyvxCfQjxs