quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Privatizar por privatizar é o mais do mesmo


Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net
Membro do Comitê Executivo do
Movimento Avança Brasil

Todo mundo sabe que o Brasil é uma Jabuticaba. Consegue ser diferente de tudo, para as coisas boas e ruins. Tem a mania de copiar “idéias fora do lugar”, excelentes para outros países e ruins por aqui. A suposta solução “privatizar tudo” é uma das manias - adotadas pela imposição do discurso econômico mais libertino que liberal, mais dependente que soberano.

Não é fácil romper com o Capimunismo tupiniquim. Temos um modelo estatal intervencionista, viciado em sugar impostos dos cidadãos e das empresas para sustentar uma burocracia que consome, cada vez mais, recursos públicos, sem a devida contrapartida à sociedade. No discurso, Bolsonaro foi eleito para romper com isto e colocar o Brasil na rota do Capitalismo básico.

No entanto, na prática, no mundo real, uma pergunta não quer calar: Será que o Governo de Jair Bolsonaro vai (ou pode) repetir velhos erros do passado recente? Ainda é cedo para afirmar que vai... Porém, já dá para advertir que pode reeditar antigas cagadas... Uma delas é o modelo de privatização criado na Era FHC. O negócio, com jeitinho de negociata, ficou conhecido como “privataria”.

Foi uma “desestatização” que pecou por duas falhas gritantes: vendeu empresas abaixo do preço e negociou concessões sem gerar uma benéfica concorrência (princípio básico do Capitalismo). Em vez de serviços com qualidade e a preços baixos, foram criados, na prática, empresas que operam como verdadeiros cartéis. Tudo supostamente regulado por “Agências” – no melhor estilo soviético – sempre dominadas pelos interesses dos controladores das empresas.

Exemplos de ineficiência e carestia não faltam: pedágios caríssimos, energia idem, telefonia com tarifas abusivas e serviços que deixam a desejar. O País sofre e terá dificuldades de retomar o crescimento com uma Internet cara e aquém da velocidade e do alcance desejável de universalização. Aliás, o consumidor paga impostos absurdamente elevados nas contas de eletricidade e telecomunicações. E o serviço é uma legítima “merda”...

No histórico 22 de janeiro de 2019, o Presidente Jair Bolsonaro foi uma das estrelas do Fórum Econômico Mundial, em Davos, nos geladíssimos Alpes Suíços. Bolsoanro deu o recado que tinha de dar: o Brasil mudou de direção (e gestão), e o País está pronto para receber investimentos e fluxo de turismo. Bolsonaro prometeu garantir a segurança e combater a corrupção. Mas o que os controladores globalitários da economia queriam ouvir? O compromisso de campanha sobre “privatizações”...

Bolsonaro e seus principais ministros (Paulo Guedes, Sérgio Moro, Agusto Heleno e Gustavo Bebiano) participaram de uma reunião fechada, em uma sala exclusiva, com os CEOs e controladores das maiores empresas do mundo. Rolaram perguntas com papos furados, como perguntas sobre proteção da Amazônia e defesa dos indígenas. Os investidores cobraram a tal “reforma da previdência” (prioridade máxima dos banqueiros) e indagaram sobre privatizações. O que se falou lá em Davos só quem participou terá certeza.

Aqui, diretamente do quarto andar do Palácio do Planalto, quem tratou do assunto Davos em entrevista à Bloomberg, foi o General Carlos Alberto dos Santos Cruz – um dois militares brasileiros mais prestigiados pela ONU e que ocupa a Secretaria de Governo do Brasil. Cruz é quem cuida do Programa de Parcerias em Investimentos (o PPI) que tem potencial para arrecadar R$ 7,6 bilhões com a concessão para a iniciativa privada de 12 aeroportos e uma ferrovia (a mais extensa do Brasil).

O General Santos Cruz repetiu um dos lemas do Governo Bolsonaro: "O máximo de privatizações e o mínimo de estatais". Outra máxima do Secretário de Governo: “O que interessa para o cidadão é a qualidade e o preço dos serviços e o Estado não é focado nisso". Reclamando do “inchaço da máquina pública por motivações ideológicas”, Santos Cruz comentou: “Uma coisa é nacionalismo e outra é o estatismo irresponsável, são duas coisas muito distintas. Na mão de
pessoas que a usam para projeto de poder, quanto maior for a
estrutura pública, melhor. Vivi na Rússia, sei como é".

O General não falou, porém não tem nada mais parecido com a União Soviética que o Brasil Capimunista. Por isso, é preciso muito cuidado com a modelagem das privatizações e concessões no Governo Bolsonaro. Não é recomendável repetir as velhas Parcerias Público Privadas, nas quais os governos entraram com a (nossa grana), via empréstimos caríssimos, e os empresários ficaram com a arrecadação. Tal modelo é lindo, lindo, lindo... Só que para os investidores de araque... Para o cidadão-consumidor é uma merda...
        
Bolsonaro tem o desafio de oferecer oportunidades de negócios e investimentos no Brasil, tentando o milagre de manter nossa soberania – coisa que a Oligarquia Financeira Transnacional nunca permitiu, tanto que usou o esquerdismo tacanho e  corrupto para governar mal e manter o País artificialmente na miséria.

Por isso, privatizar por privatizar é o mais do mesmo. Tal erro não pode, nem deve, ser repetido... Ou seremos a mesma nação subdesenvolvida de sempre... O fundamental será incentivar empresas a entrarem em concorrência direta com o que for vendido ou concedido à iniciativa privada. Além disso, o dinheiro para financiar as "privatizações" deve vir dos próprios investidores, e não dos BNDES da vida ou por empréstimos impagáveis que o governo contrata lá fora...

Não será fácil transformar um Brasil Capimunista em Capitalista. No entanto, Bolsonaro foi eleito para cumprir tal missão que sempre pareceu (e ainda parece) impossível. O Brasil tem de se integrar ao mundo – e não se entregar mais ainda, como sempre ocorreu. Será que conseguiremos?

Eis o desafio no País que é uma Jabuticaba – mas que agora é comandado de forma inédita no mundo: um governo de militares eleitos pelo voto direto da população, impedindo o golpe militante e meliante de uma esquerda burra e corrupta.

Solta a vinheta com a voz do imortal Edmo Zarife: “Brazil-zil-zil-zil-zil”...

Reveja os vídeos da segunda edição de ontem: Bolsonaro acerta o alvo em Davos

É pra casar...

Os empresários que pretendem investir no Brasil saírão de Davos apaixonados pelo flamenguista Paulo Guedes.

O Ministro da Economia de Bolsonaro afirmou que a intenção do governo é reduzir de 34% para 15%, em média, a carga de impostos paga atualmente pelas empresas no Brasil.

Lembrando que nos EUA a carga sobre o setor produtivo é de 20%, Paulo Guedes explicou o óbvio ululante:

"Então, se o Brasil não baixar o imposto para as empresas, nenhuma empresa vai para o País. Acaba indo para os outros lugares".

Para tristeza e inveja dos flamenguistas...

O Vasco superou o Corinthians nos pênaltis fará a final da Taça São Paulo de Futebol Júnior.

O adversário é o São Paulo, no dia do aniversário de 465 anos da cidade de São Paulo, às 15h 30min, no Estádio Municipal do Pacaembu.

Aos rubro-negros, que foram campeões no ano passado, só resta morrer de inveja na 50ª decisão entre paulistas e cariocas na “Copinha”...




 Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus. Nekan Adonai!

O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Independente, analítico e provocador de novos valores humanos, pela análise política e estratégica, com conhecimento criativo, informação fidedigna e verdade objetiva. Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos. 
A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. Nada custa um aviso sobre a livre publicação, para nosso simples conhecimento.

© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 23 de Janeiro de 2019.

2 comentários:

Sérgio Alves de Oliveira disse...

Fornecerei um dado importante a esse blog,que confirma o seu conteúdo. A antiga telefônica do RS era a CRT(Cia.Riog.de Telec,),que era do Estado,e também foi privatizada,adotava critérios tarifários nos quais o valor mensal básico (tarifa básica) p/ assinatura de telefone fixo era de 0.70 centavos,mais as ligações urbanas excedentes a 90 por mês,as interurbanas e os outros eventuais serviços. Foi só privatizar e num só "canetaço" a chamada tarifa básica deu um extraordinário "salto",passando de R$ 0,70 para mais de R$ 8,00 mensais,sem qualquer investimento adicional nos serviços,e pelos mesmos serviços. Nesse período ,a política entreguista do Governo FHC e seus "satélites" tinha por norma "sacrificar" as tarifas e "judiar" ao máximo das prestadoras para que as privatizações se tornassem necessárias. Mas foi uma necessidade construida pelo próprio Governo para seus agentes depois "mamarem" na corrupção da "privataria tucana".Centenas de ações judiciais contestaram essa bandalheira. Mas o "Supremo" acabou homologando toda essa bandalheira.

Anônimo disse...

Acho que a presidente do PT está conversando demais com a Dilma. Endoidou de vez.