sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Sinceridade por opção



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Renato Sant’Ana

Se me fosse dado aconselhar o presidente (pretensão que nunca tive), talvez propusesse outro discurso para a posse. Mas não estou junto com os cansativos colunistas da Folha de S. Paulo que criticam Bolsonaro por não ter feito um discurso na linha do politicamente correto. E só me ocupo de tais picuinhas porque contribuem, elas, para a desinformação.

Ricardo Balthazar, por exemplo, dito repórter especial da Folha, acusa o presidente de, em sua fala, "ignorar desigualdade do país", e de romper uma tradição: segundo ele, "os que ficaram para trás" foram lembrados no discurso de posse dos seis presidentes anteriores, e foram "ignorados" por Bolsonaro. Ele citou todos. Vale ressaltar aqui os três piores.

Em 1990, Fernando Collor, no discurso de posse, referiu o "resgate de nossa gritante e vergonhosa dívida social", desferindo críticas a seus antecessores, cujas políticas sociais classificou como paternalistas, populistas e irresponsáveis, sentenciando: "Não deixarei o problema da pobreza à mercê do automatismo do mercado".

Em 2003, Lula convocou os brasileiros para um "grande mutirão cívico" contra a fome: "Enquanto houver um irmão brasileiro ou uma irmã brasileira passando fome, teremos motivo de sobra para nos cobrirmos de vergonha". E cinzelou o baixo relevo da ideologia petista, que viria a disseminar o vitimismo e propor soluções mágicas: "todas as crueldades e discriminações" e "todas as desigualdades e dores que não devemos esquecer jamais".

E Dilma Rousseff (2011) definiu a proteção dos "mais frágeis" como seu
"compromisso supremo", prometendo a erradicação da pobreza e assegurando que os desvalidos contariam com a "ajuda do governo e de toda a sociedade".

Existe, sim, uma "tradição" que Bolsonaro quebrou. Collor, que surgiu falando dos "descamisados", e Lula e Dilma, obstinados na adulação das "vítimas", pertencem à "tradição do populismo latinoamericano", com discurso e prática que lembram Perón, aquele que condenou a riquíssima Argentina a décadas intermináveis de pobreza (quase 45 anos depois de sua morte, o país ainda não se recuperou). A pergunta é: por que Bolsonaro deveria imitá-los em seu discurso?

Essa "tradição", convém dizer, tem, na Venezuela, a sua mais recente e mais desgraçada vítima - com as impressões digitais de Lula e Dilma, frise-se. Quanto a Perón, não sei por que ele ainda não foi, que se saiba, distinguido como decano da bandidagem do Foro de S. Paulo.

Agora, além de discursar, Que fizeram de efetivo os nossos populistas para superar "desigualdades"? Collor nem completou o mandato. Lula e Dilma, priorizando o assistencialismo junto com um discurso salvacionista, foram incapazes de uma condução sustentável da economia, empurrando o Brasil (trabalho de ambos, sim) para a maior recessão da história, com mais de 13 milhões de desempregados. O que ganhariam "descamisados", "desvalidos", "mais frágeis", em que se adiantariam, com bajulações em discursos de posse, "os que ficaram para trás"?

Pois alguém precisa dizer a Ricardo Balthazar que a eleição do atual presidente (que não se esforça para agradar) ocorreu pelo desejo inadiável de romper com essa malfadada "tradição" antes que seguíssemos os passos da infeliz Venezuela.

Renato Sant'Ana é Psicólogo e Bacharel em Direito.

2 comentários:

jomabastos disse...

Somente 13 milhões de desempregados?

E os mais de 15 milhões de desempregados do Bolsa Família continuarão a ser ignorados pela administração do Bolsonaro?

A atual governação seguirá dissimulando e mentindo sobre a verdadeira dimensão de desempregados existente neste país?

A solução é muito simples. Os que estão em idade de emprego e não estudam, para que recebam qualquer apoio social, têm que obrigatoriamente estar inscritos oficialmente como desempregados. É assim que deveria acontecer, para este país poder apresentar uma taxa de desemprego próxima da realidade.

Antenado. disse...

Tira o bolsa família. Bolsa para estudar até se empregar. Ou virar autônomo.