quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

A visão de um político cego



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Felipe Rigoni

Pessoal, boa tarde. Boa tarde presidente. Primeiro, eu gostaria de agradecer a presença e a receptividade de todos. Eu sou Felipe Rigoni, sou deputado federal pelo Espírito Santo, pelo partido PSB e eu venho de Linhares, uma cidade ao Norte do Espírito Santo e, como todos já devem ter percebido, eu sou cego, e eu não nasci cego, mas fiquei cego depois de nove anos de muita luta contra vários problemas que me aconteceram.

No ano de 2006, eu comecei a perceber que a cada dia que passava eu enxergava menos. A cada dia que passava todas as técnicas que eu usava para enxergar melhor já não funcionavam mais. Até que um dia eu estava numa aula de português, e eu estava escrevendo um exercício.

Um amigo meu virou pra mim e falou bem assim: "Felipe, você acabou de escrever três vezes na mesma linha". Eu olhei para o meu caderno e não enxergava, e foi nesse momento que eu tive que virar pra mim e dizer: "Felipe, vamos parar de se enganar (sic) por que você está cego. Não tem mais jeito".

Eu reconheci a cegueira naquele momento, mas eu não aceitei. Na verdade, eu fiquei muito revoltado. E um certo dia, o meu pai me viu chorando na sala de casa, sentou do meu lado e disse assim: "Felipe, lembra que você tem uma escolha", e eu não entendi o que ele falou para mim, mas depois de um tempo, eu comecei a perceber que, de fato, eu não tinha escolha sobre o que tava acontecendo comigo, mas sim eu tinha escolha sobre a atitude que eu teria diante daquilo que me acontecia.

Anos depois, eu fui ler na filosofia mais fina o significado das palavras do meu pai. O livro "Em Busca de Sentido", do Viktor Frankl, um autor austríaco, ele diz que o ser humano pode se desfazer de qualquer coisa, menos da liberdade de escolher que atitude tomar diante das circunstâncias. E foi com essa percepção, que eu tinha liberdade de escolha, que eu me formei como melhor aluno do curso de Engenharia de Produção da Universidade Federal de Ouro Preto, tendo liderado mais de 10 mil jovens no Movimento Empresa Junior.

Foi com essa mesma escolha que eu acabei de fazer um mestrado em Políticas Públicas, na Universidade de Oxford, na Inglaterra, e foi com essa mesma escolha que eu me tornei líder do Movimento Acredito, do Renova BR, e que conquistei o voto de 84.405 capixabas nas últimas eleições. Mas porque que eu estou contanto essa história?

Além, claro, de me apresentar, é também para dizer, pessoal, que o nosso País não vive um momento fácil, e para muitos de nós as escolhas não são muitas. Só que milhões de brasileiros ainda acreditam que temos uma escolha. E as eleições do ano passado mostraram que os brasileiros e brasileiras esperam dessa casa uma nova atitude diante dos desafios do nosso País.

Enquanto a gente fica aqui obstruindo o andamento de projetos que concordamos só pra marcar uma posição política, tem 60 milhões de brasileiros que estão endividados e quase 13 milhões que estão desempregados. Enquanto a gente defende projetos de interesse pessoal, que sequer sabemos se faz sentido ou não, 100 milhões de brasileiros sequer tem esgoto coletado, quiçá tratado.

Enquanto a gente fica fazendo ou situação pela situação, ou oposição pela oposição, tem cerca de 1,5 milhões de jovens fora da escola. Acredito que não foi por esse tipo de atitude que os brasileiros depositaram esperança em nós no ano passado. 

Independente do nosso campo político, pessoal, direita, esquerda ou centro, precisamos entender que a gente precisa criar e, de fato, produzir uma gestão pública eficiente e inovadora, não importa se a gente é minoria ou maioria, o que importa é que a gente precisa promover igualdade e oportunidade especialmente através de uma educação de qualidade para o nosso país.

E pouco vale se a gente é governo ou oposição quando o desenvolvimento socioeconômico do nosso país está em jogo. Nós precisamos sim, pessoal, é nos debruçar sobre as evidências científicas que existem sobre cada coisa, respeitando a vontade popular e, claro, entendendo as consequências de cada política nos diferentes contextos do nosso país.

Só assim, construindo pontes e diálogo, é que a gente vai construir um país mais ético, mais justo, mais desenvolvido e mais inclusivo para as próximas gerações. Muito obrigado, presidente.

Felipe Rigoni é Deputado Federal. Primeiro parlamentar cego, defende combate à corrupção. Discurso proferido no dia 20 de fevereiro na Câmara dos Deputados.

2 comentários:

jomabastos disse...

Mais um político a faltar à verdade.
Quase 13 milhões que estão desempregados? Somente?
Esses 13 milhões de desempregados, são as falsas estatísticas do IBGE, que refletem a falsa realidade socioeconômica que os políticos transmitem ao país e ao mundo.
Existem mais de 30 milhões, mas o sistema políticos brasileiro não o quer admitir.

Anônimo disse...

Está no partido errado, pois, se quer defender o Brasil, não pode colocar sua energia em partido socialista. Essa conversa de diálogo é tática usada pela esquerda apenas quando ela está perdendo o poder. Quem defende essa "pacificação" quer manter o aparelhamento e impedir a reversão do quadro comunista.