quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

O renascimento da Arena


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Sérgio Alves de Oliveira

Sem entrar no mérito de ter sido um bem ou um mal, de eu ter  gostado, ou não, o simples fato da recondução do Deputado Federal Rodrigo Maia, para presidir a  Câmara Federal, e a eleição do Senador  Davi Alcolumbre ,para presidir o Senado, nos dias 1 e 2 de  janeiro, respectivamente, ambos dos quadros partidários do DEMOCRATAS-DEM, sem dúvida configura o renascimento do espírito político que norteou o antigo partido da Aliança Renovadora Nacional-ARENA, criado durante  o Regime Militar, conjuntamente com o Movimento Democrático Brasileiro-MDB,quando foram extintos todos os outros partidos políticos então existentes, trocando-se o multipartidarismo pelo bipartidarismo.

A então  ARENA estava destinada a fornecer o apoio político e parlamentar necessários aos Governos Militares, enquanto o MDB teria o papel de “oposição”, uma  “oposição bem comportadinha”, meramente “formal”, é claro, uma  vez que teria o papel de  fazer “oposição” ao seu próprio “criador”, o Regime Militar.

Num primeiro momento, foram mantidas as eleições para as Casas Legislativas Federais (Câmara e Senado) - reservado ao Regime Militar a prerrogativa de nomear alguns Senadores, então chamados “Senadores Biônicos”- e para as Assembléias Legislativas Estaduais e Câmaras Municipais ,bem como para  Prefeitos Municipais, exceto os das capitais estaduais, que seriam nomeados “lá em cima”.                                                                                     

Nos primeiros anos da “empolgação” da opinião pública pelo então Regime Militar, geralmente as eleições livres apontavam uma maioria que apoiava o Regime Militar, vencendo a ARENA, com isso sendo dada sustentação política ao regime. Mas gradativamente essa tendência foi se invertendo, com o MDB criando “músculos” para competir e mesmo talvez vencer o seu partido adversário.

Muito “espertamente” o Regime Militar acabou com o bipartidarismo, ou seja, com a ARENA e com o MDB, oportunizando o retorno  do multipartidarismo. Aí cada político optou pelo  que achava  melhor.
Nessa “onda”, foi fundado o Partido Democrático Social-PDS,em  31.01.1980,após o fim do bipartidarismo,durante o Governo João Figueiredo. Foi o sucessor político da antiga ARENA. Optou pela própria  extinção em 1993, após aprovada a sua fusão com o PDC - Partido Progressista Reformador, mudando para PPB - Partido Progressista  Brasileiro, em 1995,com nova alteração para Partido Progressista - PP, em 2003.

Em 1985, foi criado a Partido da Frente Liberal-PFL, que na época era composto por políticos “dissidentes”  do Partido Democrático Social-PDS, e que apoiaram a eleição  de Tancredo Neves para a Presidência da República.

Politicamente falando, portanto, tanto o PDS (depois  PPB, e mais tarde PP) ,quanto o partido PFL,que depois mudou para “Democratas-DEM”, são legítimos herdeiros ideológicos da Aliança  Renovadora Nacional-ARENA, mais tarde transformada em PDS,PPB e PP.

Portanto não se comete nenhuma “heresia” política quem garante que a ARENA renasceu com força total, talvez por ação do fenômeno  da  “cissiparidade” político-ideológica, embora com nova “cara”, em vista das  eleições dos Presidentes da Câmara Federal e do Senado. Essas mudanças podem até não ter representado o “ideal”, em vista das reais necessidades do país, mas com absoluta certeza se vislumbra um quadro muito mais animador do que aquele  que as expectativas apontavam como o mais provável.
E infinitamente mais esperançoso do que o “inferno” político que norteou  o Brasil de 1985 a 2018, mais fortemente a partir de 2003.
Sérgio Alves de Oliveira é Advogado e Sociólogo.

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