sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Pragmatismo de Bolsonaro falará sempre mais alto



Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net
Membro do Comitê Executivo do
Movimento Avança Brasil

Eleitores e inimigos ainda vão tomar muitos sustos com o excessivo pragmatismo político de Jair Bolsonaro. O “Mito” é pragmático – embora a gente não saiba se ele leu o filósofo norte-americano William James, pai deste adjetivo.

Não adianta reclamar, nem dar faniquitos ou torcer o nariz, só porque o Presidente telefonou, do leito do Hospital Albert Einstein, para o senador Renan Calheiros, dando-lhe parabéns pelo quase certo triunfo desta sexta-feira. Na verdade, Bolsonaro ligou para todos os candidatos – não só Renan...

Na dura realidade da politicagem tupiniquim, independem de Bolsonaro as prováveis vitórias de Renan para a Presidência do Congresso Nacional e de Rodrigo Maia para o comando da Câmara dos Deputados. Renan tem a força do MDB – partido doidinho para continuar governista, embora se faça agora de “difícil”. Rodrigo sabe como ninguém manipular os parlamentares do “centrão” – cujos votos ajudam a formar as maiorias pragmáticas.

Intrigantes fofocarão que o afago de Bolsonaro tem a ver com uma suposta proteção que Renan dará ao senador Flávio Bolsonaro – alvo de ataques midiáticos e de investigações como ex-deputado estadual no honestíssimo estado do Rio de Janeiro. Obviamente, que a situação política do filho preocupa o pai. Mas este não é o fator decisivo do presente pragmatismo.

Motivo concreto e objetivo é que Bolsonaro depende de uma excelente relação com Renan e Rodrigo, para aprovar as reformas que o governo deseja no Congresso. Daí o pragmatismo de Bolsonaro – que, sem resultados políticos no curto prazo, será rapidamente classificado como mais um fracassado na função presidencial. Bolsonaro sabe que o eleitor também é pragmático e volúvel: cobra sucesso imediato ou parte facilmente para a “facada nas costas”, na oposição.

A poderosa dupla Renan e Rodrigo representa um retrocesso político? A resposta é um “não rotundo” (royalties para o falecido caudilho Leonel Brizola). Afinal, apesar da vitória surpreendente de Bolsonaro, politicamente, o Brasil segue vivendo na velha vanguarda do atraso de sempre. O eleitor não vai demorar para constatar que a suposta “renovação” dos eleitos foi muito pequena (para não dizer pífia). É mais fácil o “Mecanismo” cooptar a maioria dos novatos...

Fala sério, pessoal... Nem a crédula Velhinha de Taubaté é capaz de acreditar que houve uma mudança na cultura política tupiniquim. Bruzundanga dá sinais de que pode mudar, mas ainda não dá sinais maduros de que está pronta para tamanho milagre, ainda mais no curto prazo.

Portanto, ainda vigora, plenamente, a viciada politicagem do toma-lá-dá-cá. Bolsoanro já cansou de repetir que não deseja negociar com tal moeda de troca. Só que a maioria quase esmagadora dos políticos prefere fingir que a oferta de Bolsonaro não é com eles... Assim, são muitos prontos para contrariar o discurso “politicamente correto” (e por que não bem intencionado e honesto) do Presidente da República.

Os primeiros 31 dias de governo foram apenas de aquecimento – incluindo a parada geladinha em Davos para o flamenguista Paulo Guedes negociar privatizações (espera-se que não privatarias à moda tucanalha de FHC). Agora, 1º de Fevereiro, com a posse dos deputados e senadores eleitos em 2018, o jogo brutíssimo começa de verdade. Teremos complexas negociações – espera-se que não negociaçõe$...

Agora, Bolsonaro precisará de muito estômago, intestino renovado e sangue frio sobrando para suportar as mais espúrias pressões, além de muita firmeza de caráter para não sucumbir aos variados jogos dos corruptos. O mesmo vale para seus ministros, assessores próximos e seus filhos Flávio, Eduardo e Carlos. A mídia extremista e a oposição canalha estão prontinhas para lhe comer o fígado.

O Alerta Total insiste na repetição. Jair Bolsonaro, seu vice Antônio Hamilton Mourão e os militares que lhes são sustentação têm um roteiro básico a seguir. Primeiro, Bolsonaro precisa priorizar a saúde pessoal. Seus ministros ficam na obrigação de entregar o que prometeram para os primeiros 100 dias de governo.

Tem mais: O Governo precisa reforçar o staff com gente extremamente qualificada técnica e politicamente, para dar resultados rápidos e efetivos – e não meros “faketóides”. O Presidente precisa conseguir (o milagre) que seus ministérios consigam se integrar nas ações óbvias e fundamentais de governança com transparência, correção, efetividade, eficácia e, acima de tudo, honestidade.

Não será fácil... O “Mecanismo” segue mais vivo que nunca - prontíssimo para continuar corrompendo, “roubando” e mantendo o Brasil subdesenvolvido (missão imposta de fora para dentro aos agentes conscientes do Poder Real Mundial que são bem remunerados para inviabilizar a vida dos brasileiros).

Assim, o extremo pragmatismo de Bolsonaro será testado no limite... Se aprovar as reformas previdenciária e tributária, terá grandes chances de entrar para a História como um bom (talvez excelente) Presidente. Se a economia não destravar e crescer, como a maioria do povo sonha ou deseja, Bolsonaro deixará o caminho escancarado para o retorno da demagogia e pilantragem da esquerda populista.          
Haja pragmatismo para sobreviver a tanta pressão. Agora, com o Congresso em módulo de cobiça, e o Judiciário no ritmo deplorável de sempre (aliviando a barra do Crime Organizado), Bolsonaro tem pouca (ou nenhuma) margem de erro... Eis um teste crucial para seu pragmatismo e para a estratégia dos militares que lhe dão sustentação, depois da bem sucedida “Intervenção pelo voto direto” (por enquanto uma jabuticaba “fascinante”...

Renan para posteridade

Do senador Renan Calheiros, via Twitter, uma frase antológica:

“As pessoas tensionam porque não me conhecem. Nunca  cometi malfeito”.

Renan venceu a Simone Tebet por 7 a 5 na escolha do MDB – que terá Eduardo Braga (AM) como líder da bancada do partido no Senado.

Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus. Nekan Adonai!

O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Independente, analítico e provocador de novos valores humanos, pela análise política e estratégica, com conhecimento criativo, informação fidedigna e verdade objetiva. Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos. 
A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. Nada custa um aviso sobre a livre publicação, para nosso simples conhecimento.

© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 1º de Fevereiro de 2019.

4 comentários:

jomabastos disse...

O mito continuará pragmático como o foi durante toda a a sua carreira como político - prático a deixar a corrupção mandar e desmandar no pais.

As promessas eleitorais de que não faria qualquer acordo com suspeitos de corrupção, estão a ficar-se todas pelo caminho, ao ter de enfrentar as forças que foram aliadas de um PT destruidor deste país e sentir que precisa baixar-se perante eles para tê-los como aliados.

Pobre Brasil que está dependente de votos de ex-apoiantes de um PT criminoso, para tentar fazer vingar seus projetos para o país.

A música é sempre a mesma.

E a corrupção continua a mandar e desmandar no Brasil.

jomabastos disse...

Não podemos esquecer que a vitória de Bolsonaro nas eleições dependeu essencialmente da sua vertente anti-comunista/petista.

Os votos no PSL refletem exatamente o verdadeiro apoio político de Bolsonaro.

É certo que todo o brasileiro liberal e pró-democrático, deseja que a administração do Bolsonaro liberte o país da prisão econômica e social em que vive.

Acredito plenamente, pelas suas excelentes capacidades profissionais, nos ministros Guedes e Moro.

jomabastos disse...

"(missão imposta de fora para dentro aos agentes conscientes do Poder Real Mundial que são bem remunerados para inviabilizar a vida dos brasileiros)"
Fico surpreso ver um liberal afirmar que o problema do Brasil vem do mundo exterior liberal e capitalista. Basta de desculpas!

O problema político e socieconômico do Brasil, é um problema com causas internas e não externas.

Ninguém quer ou tem interesse em mudar a atual Constituição, pra que este país possa ser verdadeiramente libertado para um real e estruturado liberalismo. Querem continuar a viver em um Brasil de falso liberalismo, ótimo pra corruptos e para os velhos e poderosos senhores do poder.

Quase toda América Latina comete basicamente o mesmo erro, uma auto-destruição derivada da corrupção interna e de um comunismo/socialismo pró-soviético que corrói as estruturas democráticas e econômicas dos seus países.

Anônimo disse...

Por essas e outras é que sou favorável à ruptura com restabelecimento do Império
Não temos um poder moderador e cada um puxa a brasa para sua sardinha.
Talvez reste ao Presidente agir como o Trump, ou seja, suspender todo e qualquer recurso para o Congresso.