quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Responsabilidade dos Órgãos de Imprensa


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Henrique Abrão e Laércio Laurelli

Uma imprensa livre e transparente é o maior ideal a ser buscado num País desenvolvido e subordinado à vontade democrático que aspira uma sociedade civilizada. Nos acontecimentos que pairam no ar em termos de Brasil boa parte da irrazoabilidade e isenção com neutralidade devemos à propalada imprensa dita livre.

Evidente que em tempos de crise a imprensa será sempre dependente do poder econômico ou de forças do estado para retroalimentar sua vida e intencionar redução das dívidas. E não tem sido diferente aqui no Brasil, já que boa parte dos meios de comunicação floresceu há mais de meio século e por uma concessão sem maiores aprofundamentos se prorroga quase eternamente.

Esse exemplo ruim se percebe na televisão na qual assistimos controladores já sem o preparo exigido e muitas programações sendo adquiridas por igrejas neopentecostais e pseudoentidades de caridade. Contudo, sem uma imprensa livre, soberana acima de tudo neutra que saiba avaliar o terreno e elogiar e também criticar quando for necessário cairemos na mesmice das imbecilidades em ritmo com as anomalias do poder.

Num País cravado pelo número exacerbado de quase 60 milhões de brasileiros portadores de maus antecedentes econômicos, com registro no banco de dados e uma das mais vergonhosas modelagem de distribuição de renda, o centro do poder está enfeixado nas mãos do governo e de poucos grupos econômicos que diligenciam seus próprios interesses.

As maiores delações premiadas são um cristalino exemplo do que acontece empresas de renomada envergadura que se protegiam na blindagem dos cofres do estado e dos favoreces para o propinar constante e manutenção do status quo. A primeira e inadiável condição é mudar a constituição, reformar as outorgas e notadamente o órgão de controle,não se permitira concessão por mais de 25 anos nas redes de rádio e tv, com expressa proibição até quarto grau para parentes e ou colaterais de políticos.

Aqueles sem poder econômico e que não podem contratar uma rede a cabo sofrem as imprecauções de programações repetidas, velhas e antigos cacoetes de legendários figurinos os quais nos visitam quase que diariamente. A nova roupagem exigiria a revisão da constituição  a outorga onerosa e um controle da seletividade dos programas e uma vocação bem concentrado em cultura,pesquisa e ciências.

O que temos hoje são jogos de futebol diária e semanalmente, com
os comentários e reprises e mesmo assim não se abre espaço para novas modalidades, somos mais de 200 milhões de brasileiros vivendo o sonho do passado de conquistas, mas devemos ter em mente patrocínios públicos, de bancos ou agentes do governo o que é um erro palmar.

A melhor solução e forte demonstração sinalizam o investimento de capital privado,de empresas que apostariam na forma de equalizar seus lucros em parceria com entidades e agremiações. O setor mais afetado durante é crise é da cultura, ciência e tecnologia, excelentes cabeças voltando para o exterior,teatros sem pagar aos artistas e públicos minguando,já que o orçamento fica sem poder aquisitivo mais ainda quando o combustível se eleva somente para manter a classe dominante no poder.

Não temos infelizmente uma imprensa livre, de construção de uma sociedade pacificada e que traga soluções para as crise. Cotidianamente vemos os mesmos personagens desfilando pelo circulo de amizade de redes de radio e televisão,sem ampliar o volume e a sonoridade das reivindicações,a apatia de uma sociedade refém de um governo terminal e de uma classe política com fome de roubalheira e dogmatismo pela corrupção a todo custo.

E quando a imprensa poderia criar filtros de combate ao sensacionalismo e manchetes de exposição o que vemos é exatamente contrário. Notícias de violência, pornográficas, a envolver abalo psicológico emocional e delitos contra as pessoas e costumes não poderiam ser publicas em qualquer hipótese,além de fatos demasiadamente amargos de guerra e conflitos sociais pelo mundo afora.

Preferem trazer um noticia doutro mundo do que falar sobre um cenário bucólico ou de entretenimento em qualquer cidade do País. Além de tudo isso nunca presenciamos uma imprensa formadora de opinião livre e que saiba medir suas palavra. O contorno desse quadro se debruça por descortinar milhares de ações na justiça tomadas contra pessoas as quais refutam o sensacionalismo e exigem danos morais ou republicação da matéria.

Precisamos estar mais do que convencidos que uma imprensa sob o jugo do governo ou submissa à vontade do poder econômico jamais será liberta das amarras de veiculações tendenciosas e que tem dias contados. A reformulação geral do cenário pede um quadro atento do governo para dissipar as concessões de  mais de 25 anos, pondo a obrigatoriedade da revenda ou subconcessão com normas dogmáticas e pragmaticas, além de um leque mínimo de sessenta por cento da programação a envolver cultura, ciência e tecnologia.

Do mesmo modo os jornais que vivem a pior das crises, já em tempo de noticia virtual e carcomidos pelo estado de pré insolvência, tratando de anúncios e mais anuncios desinteressantes e pouco inteligentes ao leitor. Preferível um jornal com noticias de dez paginas sem anúncios do que um periódico de mil paginas com mais de metade de anúncios. E de igual as revistas que de conteúdo bom e  relevante pouco ou nada nos mostram, tudo isso revela uma coresponsabilidade dos órgãos de imprensa nessa monstruosa crise pela qual atravessa o Brasil.

E sem uma revisão do modelo,de todo crucial, a nossa esperança vai por água abaixo,a prevalecer os famigerados furos de poucos e a total desconfiança de muitos. A imprensa brasileira terá um encontro marcado com sua história para explicar, justificar e mais do que nunca dizer os motivos pelos quais continua a ser parte de uma mediocridade atroz que é perversa à sociedade civilizada e desenvolvida.

Carlos Henrique Abrão (ativa) e Laércio Laurelli (aposentado) são Desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo. Autores de vários livros jurídicos.

2 comentários:

jomabastos disse...

Os políticos têm que deixar de dar milhões à imprensa para fazerem propaganda das suas loucuras políticas.
A Imprensa é livre! O povo é que não é livre, pois está debaixo das patas de corruptos e rentistas que dominam e subdesenvolvem este país a seu belo prazer.

Quer democracia? Nunca fale em restringir a imprensa e a liberdade de expressão.
Os regimes totalitários não democráticos o fazem e sempre dá um péssimo resultado.

Senhores Desembargadores, preocupem-se com o mar de corrupção que envolve este Brasil e deixem a imprensa em paz, porque será o próprio mercado empresarial e o leitor, que irá julgar a função ou a disfunção da mídia.

Quando um jornalista ofende alguém ou dá uma notícia falsa, existe a justiça pra julgar esse órgão.

Quando um político corrupto rouba o país, infelizmente este indivíduo está protegido protegido pela Constituição.

ALMANAKUT BRASIL disse...

TV Globo e Faliu de S.Paulo é só uma questão de tempo para descerem juntos privada abaixo.

E se o Doria continuar com a "tucanagem" na TV Cultura, será outro "alckmin" na próxima eleição.