terça-feira, 5 de março de 2019

Benvenuti in Saturnália



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por H. James Kutscka

Estou escrevendo este artigo no sábado de Carnaval, mas não sou o único trabalhando no feriado, nosso presidente por exemplo, também trabalhando, libertou todos empregados do país da verdadeira extorsão legalizada perpetrada pelos sindicatos.

Acabou, de uma canetada, com a mamata de milhares de vagabundos sindicalistas que viviam no bem bom com o suor alheio. 

O Carnaval, festa que teve sua origem na Itália, há mais de mil anos atrás em homenagem a Saturno, divindade do agro negócio da época, que tendo sido expulso do panteão dos deuses romanos por seu filho Júpiter, desceu à terra, mais precisamente na região do Lácio, local onde hoje se localiza Roma. e para onde teria trazido desde então, abundância, prosperidade, igualdade entre os habitantes e paz.

De 17 a 23 de dezembro se realizavam as Saturnais, festas onde senhores e escravos conviviam como iguais, em uma orgia de liberdade, gastronomia e outras permissividades, como bacanais onde se misturavam pessoas sem distinção de classes, escondendo suas identidades atrás de máscaras.

Qualquer semelhança com o que acontece hoje é mera coincidência.

Mais tarde virou Entrudo, uma orgia de comida (em todos os sentidos), bebidas e sexo, nos três dias que antecediam à quaresma, época de temperança e recolhimento e introspecção.

Mudam os tempos, os costumes, as datas, mas a orgia permanece como denominador comum.

Mas quem sou eu para denegrir a festa, orgulho (que mixaria) do nosso país, que gera milhões em empregos e turismo?

Com diz a marchinha: - “Quanto riso, oh! Quanta alegria. Mais de mil palhaços no salão!”

Só mil, cara pálida?  São milhões, basta ligar a televisão para constatar.
Milhões, que por alguns dias esquecerão Brumadinho, a reforma da previdência, que não vê o óbvio das aposentadorias milionárias  dos políticos e servidores públicos, a fome na Venezuela, o roubo perpetrado pelo PT e partidos coligados de esquerda, a tentativa de transformar nosso país em um estado socialista bolivariano, apesar de o cara (Simon Bolívar) nunca ter passado por estas bandas.

Em verdade, não sou contra a que o povo se divirta, esqueça, ainda que seja por pouco tempo, das agruras às quais foi submetido nos pelo menos últimos trinta anos: desemprego, injustiça, insegurança de direitos. 

Aí vem aquela rede de televisão, (a de sempre) e dá destaque especial em seu noticiário do horário nobre, a uma notícia absolutamente irrelevante e imbecil.

Um bloco carnavalesco de Belo Horizonte, foi impedido de cantar suas músicas, que defendiam determinado partido, e segundo seus representantes injuriados diante das câmeras, isso representava claramente a volta da censura dos tempos da “ditadura”.

A polícia explicou que a atitude visava apenas manter a ordem pública, pois pessoas que discordassem da mensagem política contida nas letras das músicas, poderiam se sentir ofendidas e isso poderia gerar algum tipo de tumulto.

Em vão.
Através da mesma emissora, pude ver também, que mesmo em um momento onde a ordem natural das coisas é subvertida de maneira perversa, como quando um neto morre antes do avô (seja quem for esse avô), um grupelho de palhaços, militantes energúmenos aproveitam o momento para transformar a cremação de um inocente em ato político, gritando palavras  de ordem  enquanto o “consternado” vovô, cercado por federais, deixava o local  da cerimônia sorrindo e abanando para seus seguidores.
Mesmo nas trincheiras da primeira guerra mundial, a mais cruel delas, por ocasião do Natal, sempre houve um cessar das hostilidades, soldados que horas antes se matavam, trocavam presentes e cantavam canções de louvor ao Senhor em conjunto.
Apesar da aparentemente óbvia incongruência, eu chamo isso de civilização.
Já o avô, em questão, no velório desse sábado, haveria dito, segundo o mesmo canal de TV, que o garoto sofria “bullyng” na escola por ser seu neto, mas que ele ainda iria provar sua inocência.
Apesar do momento, eu chamo isso de loucura, ou total dissociação da realidade.
Fazer o que?  É Carnaval!

H. James Kutscka é Escritor e Publicitário.

Um comentário:

Anônimo disse...

E Paulo Okamoto disse aos militantes, na entrada do velório, que nem todos poderiam participar da festa.