segunda-feira, 25 de março de 2019

Defesa Nacional: Rumos para sair da “Mesmice”



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Paulo Ricardo da Rocha Paiva

Um lema deveria emoldurar o foco de ações a serem desencadeadas no mais curto prazo. "A Pátria Sem Limitações de Soberania", salvo melhor juízo, poderia ser um princípio adotado, em conjunto, pelos ministérios da Defesa, Relações Exteriores e da Educação, de forma a, procrastinando toda a subserviência/entrega/vilania dos governos entreguistas de Sarney, Collor, Lula, Dilma e Temer, motivar o público alvo destas pastas para a busca/alcance de estágio de dissuasão extra regional que fizesse as grandes potências militares desistirem das ameaças aos, ainda nossos, patrimônio amazônico e mar territorial.

Que não se duvide, este posicionamento exigiria vontade política e determinação soberana do governo para impor, em troca da cessão da Base de Alcântara, a liberação do ajuste de "lesa patria" que nos limita nos itens de alcance e carga para desenvolvimento de mísseis e de foguetes.

Para motivação dos públicos alvos visualizados, seria planejado: para os cadetes/aspirantes do último anos de nossas academias militares, uma palestra/exposição em power point de três tempos. 

Mais um de debates (uma meia jornada pela parte da manhã ou pela tarde), versando sobre o que tem sido feito na busca do estágio de dissuasão extra regional para minorar o sacrifício em vidas de nossa juventude militar, no caso desta ser empenhada em combate contra um inimigo mais poderoso, seriam ministrados por oficiais das três FFAA; para universitários, em capitais das unidades da federação, palestras/exposições mensais (doze meias jornadas por ano), em "power point", sobre assuntos militares estratégicos e geopolítica, por oficiais da reserva ou mesmo da ativa, programados  de acordo com o visualizado pelo Ministério da Defesa.

Já para os alunos do Instituto Rio Branco seria prevista uma programação anual nos mesmos moldes e com o mesmo objetivo preconizado para nossas escolas de formação, empregando-se os mesmos oficiais encarregados da missão nos estabelecimentos de ensino militares. Ainda para maior intercâmbio/sintonia entre o Ministério da Defesa e o das Relações Exteriores, deveriam ser levantados os ex-militares, hoje diplomatas formados, para servirem de interlocutores entre as duas pastas.

Em suma, uma interação cerrada que incorporasse o mesmo ideário/princípio de "nação armada" de José Maria da Silva Paranhos Júnior, o insigne Barão do Rio Branco. As diretrizes para esse desiderato de genuína ação psicológica seriam estabelecidas, planejadas e coordenadas em conjunto pelos três ministérios.

Para neutralizar o movimento separatista indígena seriam/seria: aquartelados dois batalhões de infantaria de selva/BIS (ou outro tipo de organização militar de qualquer das FFAA), um/uma na reserva Yanomamy e outro/outra na Raposa Serra do Sol, que abrigariam, além de equipes médicas escaladas mensalmente para apoio ao gentio, "escolas regimentais" permanentes ensinando, em particular e principalmente, o idioma pátrio, a História do Brasil, Educação Moral e Cívica e noções básicas de higiene sanitária; restabelecido, desde já, o livre trânsito do cidadão brasileiro, de todas as origens (branca, negra, indígena e mestiça), por entre as reservas e quilombos, fazendo valer o direito inalienável de ir e vir, garantido "a todos" pela "Carta Magna", máxime quando em demanda do "caminho mais curto" para seus destinos. No que concerne ao trabalho deletério das ONGS internacionais ("quinta coluna" de inimigos em potencial") nas reservas e quilombos, este deve ser  simplesmente extirpado, sendo válido qualquer tipo de iniciativa neste sentido. É o mínimo que se espera. 

Para atingir, no mais curto prazo, o estágio de  dissuasão extra regional, fazendo o inimigo desistir da luta e poupando vidas no seio de nossa juventude militar: dar início hoje, agora, desde já, ao desenvolvimento pela AVIBRÁS de "míssil de cruzeiro" capaz de bater belonaves/esquadras/armadas de oponentes em potencial a distâncias de, no mínimo, 1500/2500 km do nosso litoral/costa; transferir a totalidade dos recursos destinados à infantaria mecanizada para a artilharia de mísseis e foguetes, de modo a viabilizar ritmo mais acelerado no fornecimento dos meios em ASTROS II (baterias embrionárias de grupos), a serem distribuídos pelo litoral/costa, com prioridade vital para a foz do Rio Amazonas e bacias do pré sal; selecionar os grupos de artilharia de campanha/GAC (ou, na sua falta, qualquer organização militar) ao longo do litoral/costa, que devem aquartelar os meios em ASTROS II; dar ordem de alerta para que esta incorporação/subordinação se dê em caráter administrativo, até que  as subunidades sejam transformadas em grupos com quartéis definitivos. Atentar para o fato de que o recobrimento dos setores de tiro só será obtido com o VDR/VETOR DE RESPEITO-1500.

Quanto à nossa Marinha, será necessário, no mais curto prazo, de forma urgente e emergencial, aumentar o seu poder de fogo praticamente nulo, artilhando as suas muito parcas belonaves de escolta (fragatas e corvetas), cada uma com duas seções de vetores, uma de mísseis anti navio EXOCET e outra de mísseis AVM-300, esta que, até o recebimento dos VDR-1500, precisa alongar o alcance irrisório obtido pelo Exército com este mesmo "míssil mata mosquitos". Já nosso quinteto de submarinos desarmados deve se capacitar ao lançamento de mísseis, mesmo que convencionais, na situação de submersos (que seja dito, nosso "Nautilus",' quando pronto, não pode se limitar apenas às vantagens de poder permanecer por mais tempo submerso e de se furtar, com mais rapidez, ao combate).

Minha gente! E bater no inimigo?! De que vai adiantar se não dispuser de um poder de fogo convincente?! Nossa força aeronaval, por sua vez, precisa sair do chão decolando a partir de  bases aeronavais estabelecidas no litoral/costa, em Belém/PA face à foz do Amazonas, e no Rio de Janeiro/RJ ou Santos/SP, estas defrontantes das bacias pré sálicas.

Paralelamente, de forma concomitante, nossa indústria naval, que já foi considerada  a "segunda" no "ranking" mundial, deve ser redimensionada para a construção de navios de escolta decentemente artilhados, apagando para os aeródromos perdulários. Afinal de contas, para que jogar dinheiro fora pela escotilha com um litoral/costa de mais de 7000 km (ideal para o estabelecimento de bases aeronavais ao pé da obra) e um mar territorial perfeitamente coberto, com sobra, pela autonomia dos poucos caças de que dispomos?). E por falar em "poucos caças", por  que não se planeja a distribuição dos "F5" modernizados da FAB para a MB?

Que não se duvide, na medida que os GRIPEN forem sendo incorporados à FAB, seus cinquenta e sete F5 poderiam ir sendo aproveitados pela  MB, revitalizando a força aeronaval (atualmente sem nenhum significado em termos de pronto emprego), com a vantagem de manter nossos marinheiros/aviadores em constante adestramento.

No que concerne à FAB, há que se distribuir os "trinta e seis" GRIPEN da primeira fornada pesando bem em como satisfazer as necessidades de defesa da foz do Amazonas, calha norte do   Amazonas e bacias pré sálicas, estas que poderiam, quem sabe, no que concerne ao emprego de caças, ficar sob a responsabilidade da força aeronaval, desde que esta fosse equipada com os F5 modernizados. Aos leigos sobra o temor de que concentrá-los, todos, em Anápolis/GO se perderia em termos de tempo exequível para o combate no extremo norte e bacias pré sálicas.
E a tal "estratégia da resistência"'? Sim, aquela que nos foi imposta pelos "grandes predadores militares" e que está sendo prevaricada porque não acreditamos nem um pouco nela? Que tal lhe emprestarmos um pouco de dignidade? Um "delta x" de valorização, por que não?. Mas como, de que forma faríamos isso? É simples. 

Poder-se-ia começar pela transformação do curso para militares estrangeiros no CIGS em ESTÁGIO DE VIDA NA SELVA E TÉCNICAS ESPECIAIS, que seria ministrado não na sede do comando militar de área responsável pela defesa da Amazônia, mas, sim, bem distante do teatro de operações/TO (que deve ser mantido como um "tabu" para oponentes em potencial), mais precisamente na Serra da Mantiqueira/RJ. Um estágio não a cargo de instrutores do CIGS, mas de oficiais (comandos e combatentes de selva) da Seção de Instrução Especial/SIESP-AMAN. No seguimento, deveria ser inviabilizado/extirpado, no mais curto prazo, o trânsito de militares pertencentes às FFAA das cinco potências nucleares integrantes do CS/ONU, seja na sede do CMA, seja na nossa base em Alcântara/MA.
Uma pesquisa naquelas monografias brilhantes, de vários companheiros cursados na ESCEME, versando sobre o planejamento do preparo da guerra de resistência, seria uma grande pedida. Sim, justamente aquelas que estão sendo devoradas pelas traças, esquecidas nas prateleiras da Escola, muitas com abordagens robustas sobre o emprego de forças subterrâneas e de sustentação, dando todas as dicas sobre como deve ser o seu preparo, que nunca foram estudadas, quanto mais experimentadas em adestramento, o que já deveria estar sendo posto em prática através de ensaios repetitivos nos entornos das capitais da grande região norte. 

Em  complemento, é de se pensar, salvo melhor juízo, que seria de muito bom alvitre deslocar o navio de desembarque do Corpo de Fuzileiros Navais/CFN de modo a  mante-lo ao pé da obra do seu mais necessário e mais do que provável emprego, partindo da base naval de Belém/PA, seja em apoio às unidades do Corpo sediadas na nossa grande região norte, seja na servidão das brigadas de infantaria de selva do Exército (muito mal servidas em termos de embarcações nos escalões unidade/grande unidade) empenhadas ao longo da calha do Rio Amazonas.

Resolvido/solucionado o problema da dissuasão extra regional que, diga-se de passagem, só será alcançada/viabilizada pela artilharia de misseis e foguetes e pela MB (esta se dotada com o mesmo  padrão superior de "mísseis de cruzeiro"), poder-se-á pensar em fazer ressuscitar a nossa indústria de blindados (aquela que foi garfada pelo mesmo "irmão Caim do norte" em passado não muito distante e que agora está em vias de se instalar em Alcântara/MA), justo aquela que está desativada e esquecida no parque industrial de São Paulo/SP.  

Que seja dito, a pasta da defesa pode escolher: ou a audácia de fazer a "coisa" funcionar ou ver o tempo escoar no mesmo marasmo lascivo das gestões passadas com ministros incompetentes Que seja percebido, nem tudo que foi sugerido exige gastança a perder de vista. Algumas providências até não implicam em gastos reais, dependendo apenas de vontade política e convocação de voluntários para o cumprimento de uma missão envolvente no campo da ação psicológica.

Concluindo, poder-se-ia dizer que as medidas que capacitam o alcance no curto prazo do estágio de dissuasão extra regional não invalidam o esforço que deve ser feito no planejamento do preparo e consequente adestramento da estratégia da resistência, esta que deve ser valorizada e não prevaricada por quem, pelo tempo de serviço, cursos e experiência na profissão deveria estar imune à "síndrome do amadorismo franciscano".

Paulo Ricardo da Rocha Paiva é Coronel, com Estado-Maior, na reserva.

Um comentário:

Anônimo disse...

Perfeito Coronel Paiva! Vossa Senhoria colocou, em um breve artigo, o projeto de Nação Soberana para o Brasil, que pode servir até de exemplo para outras nações do mundo.

O problema é mais político do que militar, ninguém precisa invadir a Amazônia Azul ou Verde, nosso Judiciário e nossos políticos dão tudo para os gringos, por alguns trocados embolsados. O governo que temos agora não é do Bolsonaro, é do PSL, partido bem articulado internacionalmente, que o colocou na Presidencia da República como homem de frente apenas. O "nacionalista" de campanha agora virou globalista!

Somente uma frente política ampla, supra-partidária, incluindo alguns partidos da oposição(cometi alguma heresia aqui?), pode virar o jogo em favor da Pátria Amada!